Boletim Econômico | shutdown do governo dos Estados Unidos interrompe dados econômicos e eleva incerteza nos mercados.

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,45 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,4% | agosto/2025

Juros EUA (Fed): = 4,0% – 4,25% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑ 3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,3% | agosto/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↓ 2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↑ 0,18% – US$ 58,80 | 15/10/2025

Petróleo Brent: ↑ 0,03% – US$ 62,41 | 15/10/2025

Heating Oil: ↓ -0,10% – US$ 2,20 /galão | 15/10/2025

Etanol anidro (SP): ↓ -0,36% R$ 3,1126/litro | média semanal – 10/10/2025

INPC Setembro/2025: ↑ 0,52%

INPC dos últimos 12 meses: ↑ 5,10%

IAVAG agosto/2025: ↓ -1,29 %

IAVAG dos últimos 12 meses: ↓ 2,52%

 

 

O shutdown nos EUA impacto sobre o IAVAG

O shutdown do governo dos Estados Unidos teve início no dia 1º de outubro de 2025, após o Congresso norte-americano não aprovar o orçamento federal para o novo ano fiscal. O impasse político entre republicanos e democratas, principalmente em torno de cortes de gastos e aumento do teto da dívida, levou à suspensão parcial das atividades governamentais. Com isso, milhares de servidores foram afastados e diversos órgãos públicos, incluindo o Bureau of Labor Statistics (BLS) e o Bureau of Economic Analysis (BEA), tiveram suas operações interrompidas.

Essa paralisação afeta diretamente a divulgação de dados econômicos essenciais, como inflação (CPI), PIB e desemprego, informações cruciais para a leitura do cenário macroeconômico global.

Para o IAVAG, o reflexo é relevante, já que o índice depende de indicadores internacionais, especialmente da inflação americana e da variação cambial, para o cálculo dos custos do setor aeroagrícola. A falta de dados oficiais aumenta a incerteza sobre o rumo da política monetária dos EUA, gera volatilidade no câmbio e pode alterar temporariamente as projeções de preços e insumos utilizados pela aviação agrícola brasileira.

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar segue em trajetória de leve desvalorização frente ao real, cotado a R$ 5,4624. Refletindo a expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos e o elevado diferencial de taxas que ainda favorece o Brasil. Segundo o Boletim Focus, o câmbio deve encerrar 2025 em torno de R$ 5,45, com projeções de R$ 5,50 para 2026 e R$ 5,51 para 2027.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos acelerou em agosto, registrando alta de 0,4%, acima dos 0,2% observados em julho. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 2,9%, permanecendo acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. O avanço foi impulsionado principalmente pelos aumentos nos preços de alimentos, energia e habitação.

A divulgação do CPI de setembro de 2025 está prevista para 24 de outubro.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve iniciou o ciclo de afrouxamento monetário, reduzindo a taxa básica para o intervalo de 4,00% a 4,25%. A decisão reflete sinais de moderação na atividade econômica e desaceleração do mercado de trabalho, mas veio acompanhada de um discurso prudente. A autoridade monetária ressaltou que novos cortes dependerão da confirmação de uma trajetória consistente de queda da inflação, sem comprometer os níveis de emprego e o crescimento econômico.

 

PIB – Estados Unidos

A terceira estimativa do PIB norte-americana no segundo trimestre de 2025, foi revisado de 3,3% para 3,8%. O crescimento foi sustentado pelo consumo das famílias e pela redução das importações, refletindo a resiliência do mercado interno mesmo em um ambiente de juros elevados. O resultado reforça a capacidade de adaptação da economia dos EUA frente aos desafios impostos pela política monetária restritiva.

 

Desemprego – EUA

A taxa de desemprego norte-americana avançou para 4,3% em agosto, sinalizando uma leve perda de fôlego na geração de empregos. O aumento reflete os efeitos acumulados da política de juros elevados, que começa a impactar o ritmo de contratações. Apesar do ajuste, o mercado de trabalho ainda se mantém aquecido em termos históricos.

O relatório de emprego de setembro de 2025 será divulgado em 3 de outubro, e deverá orientar as próximas decisões do Federal Reserve quanto à condução da política monetária.

 

Selic – Brasil

O Banco Central decidiu manter a Selic em 15% ao ano, reforçando uma postura cautelosa diante da volatilidade internacional e das incertezas sobre a inflação doméstica. A decisão busca preservar a estabilidade cambial e a credibilidade da política monetária, em um contexto de preços de energia e combustíveis ainda instáveis. O comunicado sinaliza que os juros devem permanecer elevados por mais tempo, com possíveis cortes apenas quando houver maior confiança na convergência da inflação à meta.

 

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

O PIB brasileiro cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior e 2,2% na comparação anual, impulsionado pelos setores de serviços e agropecuária. O desempenho confirma a resiliência da economia, apesar dos efeitos de uma política monetária ainda restritiva. O Banco Central projeta expansão próxima de 2% em 2025, sustentada pela desaceleração gradual da inflação e pela estabilidade fiscal.

De acordo com o Boletim Focus, a expectativa de crescimento do PIB para 2025 permanece em 2,16%. Para 2026, o mercado projeta uma expansão de 1,80%, e para 2027, de 1,83%.

O desempenho futuro dependerá da estabilidade fiscal e dos efeitos das tensões externas sobre exportações e câmbio, fatores que seguem no radar dos analistas.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desemprego caiu para 5,8% no segundo trimestre de 2025, o menor patamar desde o início da série histórica em 2012. A queda reflete a retomada da atividade econômica e a geração de vagas em serviços, construção civil e agronegócio. Apesar do cenário favorável, a informalidade e a subutilização da mão de obra ainda representam desafios estruturais para o mercado de trabalho brasileiro.

 

Heating Oil

Nesta quarta-feira, o contrato futuro do heating oil foi negociado a aproximadamente US$ 2,20 por galão, registrando queda diária de -0,10% nos mercados internacionais. O preço do heating oil já acumula uma queda de 8,14% no último mês. Apesar desta queda, o preço está 0,85% acima do valor registrado no ano anterior para este mesmo período.

 

Etanol Anidro

Segundo os dados mais recentes do CEPEA/ESALQ, o Indicador Semanal do etanol anidro para o estado de São Paulo fechou na faixa de R$ 3,1126/litro, apresentando variação negativa de –0,36 % na semana entre 6 e 10 de outubro de 2025. Na semana imediatamente anterior (29 de setembro a 3 de outubro), o valor havia sido R$ 3,1238/litro, com variação positiva de +0,17 %.

Esse recuo modesto no preço do etanol anidro sugere uma leve dissipação do efeito de alta recente. Mesmo assim, trata-se de um patamar elevado, e o comportamento semanal reflete as tensões entre oferta, demanda e custos logísticos/importados.

 

INPC – julho/2025

O INPC registrou alta de 0,52% em setembro de 2025, mostrando aceleração em relação ao mês anteriores e refletindo reajustes concentrados em grupos como habitação (+3,28%) e vestuário (+0,60%), enquanto alimentação e bebidas (–0,33%) atuaram como fator de contenção. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 5,10%, reforçando a persistência das pressões inflacionárias no consumo das famílias de menor renda.

Para o IAVAG, a elevação do INPC contribui para manter o custo operacional interno em patamar elevado, limitando o espaço para desaceleração do índice no curto prazo. Em síntese, o resultado de setembro reforça um ambiente de inflação de serviços persistente, que se soma a outros fatores externos — câmbio e combustíveis — na formação do custo médio da aviação agrícola monitorado pelo IAVAG.

 

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Total2,52%

 

IAVAG – agosto/2025

O IAVAG registrou uma deflação de –1,29% em agosto. No acumulado de 12 meses, o índice passou de 2,97% para 2,52%, refletindo principalmente a influência de variáveis externas sobre os custos do setor aeroagrícola. A desvalorização do dólar (–3,12%), a redução nos preços do heating oil (–5,26%) e a deflação do INPC (–0,21%) foram os principais vetores desse resultado.

Embora o recuo no índice represente um alívio pontual nos custos operacionais, o cenário permanece volátil, especialmente diante das incertezas geradas pelas tensões comerciais internacionais, que podem voltar a pressionar os preços de insumos importados nos próximos meses.

Os dados do IAVAG de setembro estão previstos para serem divulgados a partir do dia 27 de outubro.

 

Fonte da imagem: Seeking Alpha.

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia