Boletim Econômico | Shutdown nos EUA e o “apagão estatístico”: impactos no IAVAG e nos mercados globais

Confira as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

 

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): = R$ 5,40 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | setembro2025

Juros EUA (Fed): = 3,75% – 4,00% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↑3,8% | 2º trimestre – Terceira Estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑4,4% | setembro/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑2,2% | 2º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↑1,00% – US$ 59,30| 01/12/2025

Petróleo Brent: ↑1,20% – US$ 63,13| 01/12/2025

Heating Oil: ↓-0,27% – US$ 2,34/galão | 01/12/2025

Etanol anidro (SP): ↑1,76% R$ 3,3004/litro | média semanal – 28/11/2025

INPC outubro/2025: ↓0,03%

INPC dos últimos 12 meses: ↓4,49%

IAVAG outubro/2025: ↑1,29 %

IAVAG dos últimos 12 meses: 1,53%

 

Resumo do impacto

O shutdown do governo americano desencadeou um verdadeiro apagão estatístico, interrompendo a divulgação de indicadores essenciais como inflação (CPI) e emprego (Payroll). A ausência desses dados reduziu significativamente a visibilidade sobre a economia dos Estados Unidos, ampliando a incerteza dos mercados financeiros globais.

Essa falta de informações trouxe reflexos diretos para o Brasil e para o setor aeroagrícola:

No câmbio, a incerteza levou investidores a adotar uma postura defensiva, contribuindo para a estabilidade do dólar ao redor de R$ 5,33. A queda recente das bolsas americanas reforçou o movimento de cautela.

Na formação do IAVAG, a ausência do CPI de outubro impediu o uso do dado mais recente, obrigando a inclusão do CPI de setembro para manter a série, o que limita a precisão do cálculo do índice neste mês.

Na política monetária global, o Federal Reserve segue sem indicadores-chave para calibrar suas decisões, favorecendo uma postura mais conservadora e prolongando o ambiente de juros elevados, fator que mantém o dólar sensível a variações de fluxo financeiro e apetite ao risco.

O cenário reforça a importância de monitorar os dados de novembro, que devem ser divulgados entre os dias 16 e 18 de dezembro, trazendo finalmente atualização sobre inflação e emprego nos EUA e reduzindo as incertezas que hoje dominam o mercado.

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar iniciou dezembro cotado a R$ 5,3397, com leve alta de 0,12%, mas mantendo estabilidade em torno de R$ 5,33. Segundo análises recentes, o movimento reflete a combinação entre a falta de novos dados econômicos dos EUA devido ao shutdown, a queda das bolsas americanas, que aumenta a cautela dos investidores, e um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes. Mesmo com a oscilação diária, o real segue fortalecido no ano, com o dólar acumulando desvalorização de –14,76% frente à moeda brasileira.

Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda feira (01/12) pelo Banco Central, a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2025 permanece em R$ 5,40, enquanto as estimativas para 2026, 2027 e 2028 seguem em R$ 5,50. As projeções permanecem inalteradas em relação à semana anterior, indicando expectativa de câmbio estável no médio prazo.

 

Inflação nos EUA (CPI)

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos registrou alta de 0,3% em setembro, conforme dados do Bureau of Labor Statistics (BLS). Em termos anuais, o índice alcançou 3,0%, permanecendo acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve. Esse desempenho foi influenciado, sobretudo, pelos aumentos nos preços da gasolina (+4,1%) e dos alimentos (+3,1%), que seguem elevando o custo de vida das famílias.

No entanto, o shutdown parcial do governo americano comprometeu o calendário regular de divulgação dos indicadores econômicos, impossibilitando a publicação dos dados referentes a outubro. Assim, o CPI de novembro está previsto para divulgação em 18 de dezembro de 2025, no período da manhã.

 

Taxa de Juros – EUA

O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros no intervalo de 3,75% a 4,00%, após um corte recente de 0,25 ponto percentual. A decisão reflete sinais de desaceleração no mercado de trabalho e inflação ainda acima da meta. O shutdown também suspendeu importantes divulgações, como emprego e inflação, aumentando a incerteza sobre os próximos passos da política monetária.

 

PIB – Estados Unidos

No segundo trimestre de 2025, o PIB real dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 3,8%, segundo estimativa revisada pelo órgão oficial de estatísticas. O resultado marcou retomada significativa após contração de 0,6% no primeiro trimestre, impulsionado pelo consumo das famílias, pela queda das importações e pelo avanço das vendas finais privadas (+2,9%).

 

Desemprego – EUA

Em setembro de 2025, a taxa de desemprego subiu para 4,4%, ante 4,3% em agosto. A criação líquida foi de 119 mil vagas, com destaque para saúde, alimentação e assistência social.

O shutdown interrompeu a coleta dos dados de outubro, levando ao cancelamento do relatório. O próximo boletim completo será divulgado em 16 de dezembro de 2025, incluindo informações de outubro (sem taxa) e de novembro.

 

Selic – Brasil

O Copom decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano na reunião de 5 de novembro de 2025, marcando o terceiro encontro consecutivo sem alteração. A decisão reflete o ambiente de incertezas externas, sobretudo em relação à política monetária dos Estados Unidos, e a permanência de pressões inflacionárias internas. O Banco Central reforçou que seguirá atuando com cautela e está disposto a manter os juros em patamar elevado por mais tempo, caso seja necessário para garantir a convergência da inflação à meta.

De acordo com o Boletim Focus, a expectativa é de que a Selic encerre 2025 em 15,00%, iniciando um ciclo de queda gradual nos próximos anos: 12,00% em 2026, 10,50% em 2027 e 9,50% em 2028, após revisão recente. A próxima reunião do Copom está agendada para 09 e 10 de dezembro de 2025, quando o Comitê revisará o cenário econômico e reavaliará o nível adequado da taxa básica de juros.

 

PIB – Brasil (2º Trimestre de 2025)

A economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025 e 2,2% em comparação com o mesmo período de 2024, segundo o IBGE. O desempenho foi sustentado pelo consumo das famílias, favorecido pelo mercado de trabalho aquecido, e pelo forte resultado da agropecuária, impulsionada pelas exportações e por uma safra recorde. No acumulado de 12 meses, o PIB avançou 3,2%, demonstrando resiliência mesmo em um cenário de juros elevados. As projeções do Boletim Focus apontam para um crescimento de 2,16% em 2025, sugerindo um ritmo moderado de expansão nos próximos trimestres.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desocupação caiu para 5,6% no 3º trimestre de 2025, o menor nível desde o início da PNAD Contínua. O contingente fora da força de trabalho permanece elevado, e a subutilização segue em 13,9%.

Analistas apontam robustez do mercado, mas alertam para maior informalidade e baixa produtividade em parte das ocupações.

 

Heating Oil

Nesta segunda-feira, o preço do heating oil recuou para US$ 2,34 por galão, queda de 0,27% em relação ao dia anterior. O movimento reflete ajustes do mercado após recentes altas, em meio à volatilidade típica do período que antecede o inverno no hemisfério norte.

 

Etanol Anidro

O etanol anidro registrou alta de 1,76% na última semana de outubro (24 a 28), alcançando R$ 3,3004 por litro nas usinas de São Paulo, segundo o CEPEA/ESALQ. Este foi o sexto avanço semanal consecutivo, refletindo a combinação de menor oferta nas usinas, ajustes no ritmo de moagem da cana e custos de produção mais elevados, além da demanda firme das distribuidoras para mistura obrigatória à gasolina. Esse conjunto de fatores sustentou a elevação dos preços no período.

 

INPC – outubro/2025

O INPC registrou alta de apenas 0,03% em outubro de 2025, uma forte desaceleração em relação a setembro (0,52%), refletindo um ambiente de preços mais estável para as famílias de menor renda. O resultado foi influenciado pela estabilidade dos alimentos, pelo recuo dos itens não alimentícios e pela queda no grupo Habitação após a redução da bandeira tarifária de energia. Apesar do alívio mensal, o acumulado em 12 meses permanece em 4,49%, ainda exigindo atenção diante das possíveis pressões do câmbio e de custos industriais. Para o setor aeroagrícola, o dado ajuda a reduzir pressões indiretas, mas não altera a sensibilidade do setor aos insumos importados.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses.

nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70%
abri/25↓-0,86%
maio/25↓-0,35%
Jun/2025↓-0,81%
Jul/20251,48%
Ago/25↓-1,29%
Set/2025↓-0,68%
Out/251,29%
Total1,53%

 

 

IAVAG – outubro/2025

O IAVAG avançou 1,29% em outubro, pressionado pela valorização do dólar (+1,24%), pela alta do heating oil (+3,20%) e do etanol hidratado (+1,95%). Mesmo com o aumento mensal, o índice desacelerou para ↓1,53% em 12 meses e acumula –3,69% no ano. O shutdown nos EUA impediu a divulgação do CPI de outubro, levando ao uso do dado de setembro no cálculo do índice.

 

Fonte da imagem: Blockworks

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, BRINVESTING, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, IPEA, CNN, G1, REUTERS.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia