Boletim Econômico | Tarifas de Trump elevam risco global e pressionam o setor aeroagrícola

Confiram as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL): ↓ R$ 5,65 | Estimativa/2025

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,1% | maio/2025

Juros EUA (Fed): = 4,25% – 4,50% | Estimativa/2025

PIB EUA: ↓ -0,5% | 1º trimestre – Terceira estimativa/2025

Desemprego EUA: ↑ 4,1% | junho/2025

SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2025

PIB Brasil: ↑ 2,9% | 1º trimestre/2025

Petróleo WTI: ↓1,5% – US$ 67,6 | 14/07/2025

Petróleo Brent: ↓ 1,2 – US$ 70,00 | 14/07/2025

Heating Oil: ↓ US$ 2,44/galão | 14/07/2025

Etanol anidro (SP): ↓ -1,33% R$ 2,9598/litro | média semanal – 11/07/2025

INPC (jun/2025): ↑ 0,23% | 12 meses: 5,18%

IAVAG de maio: ↓ -0,35%

IAVAG em 12 meses: ↑ 7,75%

 

Destaque do Boletim

Donald Trump anunciou novas tarifas de 30% a 50% sobre importações de vários países incluindo EUA vs. UE, México e Canadá, além de 50% sobre produtos do Brasil, com implementação prevista para 1º de agosto de 2025, caso não sejam fechados novos acordos.

O anuncio de novas tarifas impõe riscos concretos à aviação agrícola, um setor altamente dependente de insumos importados, estabilidade cambial e demanda agroexportadora.

 

Câmbio (Dólar/Real)

O dólar fechou na sexta-feira (11/07) cotado a R$ 5,55, refletindo a fuga de capital estrangeiro diante de incertezas fiscais no Brasil e o anuncio do presidente dos EUA Donald Trump de impor tarifas de 50% nos produtos brasileiros.

Nesta segunda feira a moeda norte americana opera tento bastante oscilações, por volta das 11hrs teve uma leve queda de 0,04% cotado a R$ 5,5457, o mercado segue acompanhando o desdobramento das novas tarifas anunciadas pelo governo dos EUA, o governo brasileiro tem até agosto para negociar, mas não descartou o uso da lei de reciprocidade caso não tenha sucesso nas negociações.

Apesar da valorização recente do dólar, o boletim Focos divulgado pelo branco central nesta segunda feira reduziu a projeção até o final de 2025 de R$ 5,70 para R$ 5,65 na média, tendo uma expectativa mais otimista.

A valorização da moeda norte americana impacta diretamente o setor aeroagrícola contribuindo com o encarecimento de produtos e insumos importados, o que contribui com a inflação no período.

 

Inflação EUA (CPI)

A inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) subiu 0,1% em maio. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 2,4%, sinalizando que os preços seguem pressionados, especialmente nos setores de habitação, alimentação e serviços. O núcleo da inflação segue acima da meta de 2%, sustentando a expectativa de manutenção da taxa de juros. A inflação controlada nos EUA reduz riscos de aperto monetário global, favorecendo o real e o cenário para commodities. A inflação americana é um componente indireto, mas decisivo na formação dos custos do setor no Brasil.

 

Taxa de Juros – EUA

A taxa básica de juros dos EUA permanece em 4,50% com projeções de que chegue a 4,25% ate o final deste trimestre. As autoridades monetárias reforçaram que continuará adotando uma postura cautelosa, avaliando a trajetória da inflação e do mercado de trabalho antes de qualquer corte.

 

PIB EUA

A terceira estimativa do Departamento de Comércio dos EUA apontou uma queda de 0,5% no PIB do 1º trimestre de 2025 em relação ao trimestre anterior, em termos anualizados. O resultado representa uma revisão negativa em relação à estimativa anterior, que indicava uma queda de 0,2%.

A retração da economia foi puxada por uma queda nos investimentos público, e aumento das importações (resultado da tentativa de empresas de antecipar compras e evitar custos adicionais do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump),  e um desempenho mais fraco das exportações, refletindo os efeitos dos juros elevados e da desaceleração global. O consumo das famílias — principal motor da economia americana — ainda mostrou resiliência, mas com sinais de moderação.

Para o setor aeroagrícola uma economia americana mais fraca pode reduzir a demanda global por commodities, afetando preços agrícolas internacionais. Além disso, a combinação de desaceleração econômica com inflação persistente complica o cenário para cortes nos juros, o que mantém o dólar valorizado e pressiona os custos de importação no Brasil. Para o setor da aviação agrícola, isso significa maior atenção na formação de preços e planejamento financeiro.

 

Desemprego EUA

A taxa de desemprego nos Estados Unidos ficou em 4,1% em junho, levemente abaixo dos 4,2% de maio, e permanece dentro de uma faixa estreita entre 4,0% e 4,2%, sugerindo estabilidade no mercado de trabalho.

O número de desempregados se manteve em cerca de 7 milhões, enquanto a participação na força de trabalho e a faixa etária mantiveram-se estáveis, apontando um mercado ainda sólido.

 

SELIC – Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 15% ao ano, marcando o maior nível desde maio de 2006. De acordo com o Boletim Focus de 14 de julho, o mercado mantém a previsão de que a Selic permanecerá em 15% até o final de 2025, sem cortes esperados até 2026.

Uma taxa Selic alta representa um cenário de custo elevado de capital para o setor, inibindo investimentos e elevando custos financeiros. Como não se espera corte até janeiro de 2026, a aviação agrícola deve focar em estratégias de compra antecipada, renegociação de contratos, e na diversificação das fontes de financiamento.

 

PIB Brasil

Segundo o IBGE o Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 1,4% na comparação com o último trimestre de 2024, acrescido de 2,9% em relação ao mesmo período de 2024, atingindo um total de R$ 3,5 trilhões. Esse crescimento permanece robusto com destaque para os setores agropecuário com crescimento de 12,2% e o setor de serviços com crescimento de 0,3%.

 

Desemprego – Brasil

A taxa de desemprego do primeiro trimestre de 2025 segue em 7%, obtendo um total de 7.714 mil pessoas desocupadas.

Na taxa de desocupação por grandes regiões segue em destaque o Nordeste com 9,8%, o Norte com 8,2%. O Sul é a região com a menor taxa de desocupação, tendo uma taxa de 4,2%.

 

Heating Oil

O preço do heating oil nos EUA caiu ligeiramente para US$ 2,43 por galão em 14 de julho de 2025, recuando 0,79% em relação ao dia anterior, e acumula uma leve queda de 0,85% no mês. Essa retração ocorre em meio a estoques adequados e uma demanda sazonalmente moderada durante o verão do hemisfério norte. A recente queda nos preços do petróleo WTI e Brent, a demanda sazonal reduzida são fatores que também contribuíram para esta queda.

 

Etanol Anidro

O preço do Etanol anidro caiu 1,33% em relação à semana anterior, de R$ 2,9996 para R$ 2,9598/litro, ainda com reflexo do aumento da oferta devido a colheita da cana de açúcar, e a diminuição na demanda pelo etanol. Essa queda pode ser revertida nas próximas semana devido ao aumento da mistura obrigatória na gasolina de 27% para 30%, anunciado pelo Governo Federal e válido a partir de 1º de agosto, a expectativa é de que essa medida aumente a demanda já nesta safra, o que pode pressionar o preço do etanol.

 

INPC

INPC registrou alta de 0,23% em junho, acumulando 3,08% no ano e 5,18% em 12 meses, segundo os dados divulgados pelo IBGE. Esse resultado indica uma leve desaceleração no ritmo da inflação oficial, na comparação com o 5,20% acumulado até maio. Essa desaceleração foi puxada pela queda os preços da Alimentação e bebidas (-0,19) e saúde e cuidados pessoais (-0,17).

O INPC é base para reajustes de salários e serviços contratados no setor, impactando custos fixos operacionais. A desaceleração é sinal positivo, mas permanece acima do teto da meta inflacionária (4,5%), o que exige cautela na gestão de contratos e revisões orçamentárias.

 

IAVAG nos Últimos 12 Meses

jun/243,33%
jul/242,12%
ago/24-0,84%
set/24-2,54%
out/244,15%
nov/242,35%
dez/242,86%
Jan/25-2,20%
fev/25↑ 0,43%
mar/25-0,70
abri/25↓-0,86
maio/25↓-0,35
Total7,75%

 

Comentário Final sobre o IAVAG

O IAVAG registrou queda de 0,35% em maio, no acumulado de 12 meses o índice segue com alta de 7,75%. A queda no índice foi favorecida por fatores como a leve retração nos preços do heating oil no final do período e a queda nos preços do etanol, consequência do aumento na oferta devido ao início da colheita de cana-de-açúcar.

O setor da aviação agrícola enfrenta um segundo semestre desafiador. Apesar da recente sequência de quedas no IAVAG, os movimentos de alta no dólar, possível aumento nas taxas em produtos brasileiros pelos EUA, e o aumento no preço do petróleo indicam uma provável inversão dessa tendência nos próximos meses. A elevação dos custos globais de energia e a pressão cambial devem impactar diretamente a estrutura de preços do setor.

 

Fontes: Fontes: BCB, IBGE, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, BRINVESTING, REUTERS, BARRON’S, WSJ, CNN BRASIL.

 

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

 

 

 

 

 

 

 

 

Dieiriane Flores – Estagiária em Economia