Uma dor chamada distância: os espinhos da profissão de piloto agrícola que estão nas primeiras safras de vossas carreiras

Voar agrícola. Sonho de bastante jovens espalhados por esse rincão verde e amarelo, que frequentam pistas agrícolas num contexto em geral, tudo com a boa intenção de apreciar os procedimentos a serem realizados pelos pilotos em uma simples cabine. Cabine essa denominada “ escritório voador “. É o lugar que eles, na inocência de criança, imaginam como se estivessem no topo mais alto do pódio, querem tirar fotos, vídeos, querem registrar o “ mágico momento “. Fazem duas mil perguntas, inclusive a mais famosa de todas: Você não tem medo de voar assim? Afirmo que o que move esses jovens, são as buscas incansáveis das respostas das perguntas, que vão surgindo em nossa viagem espetacular que a chamamos de vida.

Dentre inúmeros perfis dos pilotos, um dos quais mais se destaca, é o piloto que é apegado a família. Encontrando dificuldades ao longo da carreira, inclusive quando começam vossas carreiras profissionais. A primeira safra parece que não tem fim. Muitos pilotos acordam bastante cedo, e normalmente dormem tarde, o que implica seriamente na segurança de voo. O piloto agrícola Sr. Paulo Henrique Tolomeotti, natural da cidade de Umuarama – Pr, em um bate papo comigo, afirmou sofrer com a saudade de casa, e tem como alternativa, tomar umas cervejas para amenizar tal dor. Quer esteja na base, quer esteja no hotel, sempre destampo uma geladinha para quebrar a tensão, comenta emocionado o jovem que já esta na sua 6º safra.

Outros pilotos lidam com a distância, fazendo uso de uma tecnologia conhecida mundialmente aonde de certo veio para facilitar tudo. Cito a internet, onde através de um único clicar, a tela do aparelho é dividida em partes, possibilitando uma videoconferência. O piloto agrícola Willian da Silva, do Sul do Brasil, é Pai de 2 filhos recém nascidos, onde se formou, e o patrão dele o convocou para uma missão a mais de 1900 km da sua cidade. Relembra emocionado que, essa distancia estava sendo bastante difícil para suportar tal momento, e sempre que podia, ligava para a esposa afim de amenizar. Então quando batia a saudade, ele já sabia o que fazer. Esse “ apelo “ ajuda demasiadamente, visto que conforta, até pelo fato de poder ouvir a voz dos filhos.

Todos nós, envolvidos com a aviação agrícola, sabemos que a pilotagem em si, é totalmente diferenciada. Não podemos descuidar de nada. Além de pilotos de avião, somos aplicador aéreo. Temos tudo ao nosso redor para cuidar, portanto, todo cuidado é pouco. É obstáculos aqui e ali, é fiação elétrica, linhão de força hora esticados, hora embarrigados devido a temperatura do dia. O poder de decisão do piloto agrícola é bastante grande, portanto, recomenda-se seguir fielmente o que foi ensinado no Cavag – Curso de Aviação Agrícola -,e uma das, se não a melhor recomendação é, não aperte o balão. Imagina-se, filhos pequenos, casados recentemente, uma vida pela frente, e você é surpreendido por um estol no balão! Com ficaríamos aqui em solo?. Muitas das vezes, a despedida é tão cruel que nem ao menos podemos nos despedir fisicamente, devido a um paletó de madeira lacrado. Que possamos pensar em segurança de voo, ontem, hoje, e para todo nosso sempre!.

Obrigado a todos vocês leitores, e obrigado Pai Antonio Aparecido Ricci, seu reinado terreno aqui se findou, mas me verás um piloto agrícola num futuro próximo. Que Deus lhe receba de braços abertos.

Tiago Balduino Ricci.

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