Diretor do Sindag explica que Air Tractor aponta expansão com reajustes à frente, enquanto especialista da Purdue University orienta olho no mercado, na tecnologia e precisão para manter competitividade
A aviação agrícola global atravessa um momento em que, de um lado, a indústria de aeronaves amplia produção e atende a uma demanda aquecida, enquanto, de outro, a própria agricultura passa por mudanças profundas impulsionadas por tecnologia, volatilidade econômica e novas exigências de gestão. Porém, sobrando desafios para todos. Em linhas gerais, esta é a avaliação do diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, a partir de palestras que acompanhou durante a 59ª Ag Aviation Expo, realizada neste mês em Reno, no Estado norte-americano de Nevada
O evento norte-americano é promovido pela Associação Nacional de Aviação Agrícola dos Estados Unidos (NAAA) e teve mais uma vez a participação de uma missão do Sindag. Para ilustrar o tema, Oliveira destacou duas das seis apresentações da Sessão Geral da NAAA, na manhã da terça-feira dia 17. Mais precisamente, no painel Navegando no Cenário Econômico – Insights sobre a Economia da Aviação Agrícola:
Confira os comentários nos
dois vídeos no final desta matéria
A primeira palestra destacada foi a fabricante norte-americana de aviões agrícolas Air Tractor (maior do mundo no segmento). Onde o presidente da empresa, Jim Hirsh, abordou dados sobre a produção, novos produtos, atendimento ao cliente e planos da empresa para 2026.
Segundo Oliveira (que é também economista), Hirsh destacou que a Air Tractor deve encerrar 2025 com mais de 190 aeronaves em carteira, sendo 70% das vendas destinadas ao mercado internacional. O Brasil, principal cliente da marca no mundo, deverá receber mais de 85 aviões no próximo ano. A produção prevista é de 191 unidades, com destaque para os modelos AT-502B e AT-802A.
“Os números reforçam a liderança da empresa, que responde por 7,4% de toda a aviação geral mundial e por 43% dos turboélices, percentual que chega a 54,9% nos Estados Unidos. No entanto, o cenário positivo convive com desafios relevantes: pressão na cadeia de suprimentos, aumentos de até 35% em materiais críticos e a previsão de reajuste de 5% a 6% nos preços das aeronaves em 2026”, pontua o diretor do Sindag.
Também foram citados desafios como riscos de cibersegurança, atrasos em certificações devido ao shutdown do governo norte-americano e os efeitos da elevação de tarifas, que já impactam grandes fabricantes do agro. “Ainda assim a forte demanda global segue impulsionando a expansão da empresa, com foco em eficiência, qualidade e inovação”, observa Oliveira.

COMITIVA: como ocorre desde 2016, o Sindag esteve oficialmente no evento da NAAA, nesta edição novamente pela presidente Hoana Almeida, além de Oliveira, junto com conselheiros da entidade, empresários aeroagrícolas, especialistas e parceiros do setor
Mudanças aceleradas por
cenários e não discursos
A outra palestra destacada pelo dirigente foi a do professor Allan Gray, diretor executivo do Laboratório de Inovação Digital em Sistemas Agroalimentares (DIAL Ventures) da Purdue University – onde também é titular da disciplina de Economia Agrícola. Conforme Oliveira, Gray destacou no evento aeroagrícola que as mudanças aceleradas na agricultura impulsionadas estão ocorrendo por mercado, tecnologia, reorganização produtiva e comportamento do consumidor, e não por discursos ideológicos.
Segundo ele, a atividade no setor tornou-se um sistema altamente conectado, em que clima, preços, mão de obra e inovação impactam diretamente as decisões no campo. “A volatilidade passa a ser regra — com janelas de aplicação mais curtas — o que amplia a importância da aviação agrícola pela sua rapidez e precisão”.
Oliveira reforça que um ponto destacado pelo professor na AgAviation Expo foi o processo de consolidação: menos produtores, porém maiores e mais tecnológicos, integrados a grandes redes industriais e varejistas. “Nesse cenário, a aviação agrícola precisa estar alinhada a esses grupos e integrada às suas plataformas digitais, oferecendo não apenas aplicação, mas também dados, rastreabilidade e inteligência operacional”, pondera o dirigente aeroagrícola brasileiro.
Confira abaixo os comentários de Oliveira sobre a apresentação da Air Tractor: …
…. e sobre a fala do professor Allan Gray, da Purdue University: