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Workshop promovido pela FAO e Senasa vai até sexta com diversos países abordando a praga cujo arsenal para combater inclui aviação e tem o Brasil na zona de alcance
Técnicos e lideranças das Américas do Sul e Central participam até sexta-feira (10), na Argentina, do Workshop Internacional sobre Gestão de Emergências de Gafanhotos. A promoção é do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar do país (Senasa) e da Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). A movimentação começou nesta terça (8), com roteiro nas províncias de Tucumán e Catamarca, no norte argentino. O evento tem a participação ainda do Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (Cosave), do qual o Brasil faz parte.

VARIEDADE: entre as diversas espécies existentes no mundo, a que normalmente migra pelo continente com potencial de alcançar o Brasil é a do gafanhoto sul-americano (Schistocerca cancelatta) – Foto: Senasa/divulgação
Entre os palestrantes, está o líder mundial da Equipe de Gafanhotos e Pragas e Doenças Transfronteiriças de Plantas da FAO, Shoki Al-Dobai, e o secretário executivo para o controle do gafanhoto do deserto nas regiões da África Ocidental e o Noroeste africano, Mohamed Lemine Hamouny. O evento deve abordar desde a importância dos sistemas de vigilância sobre os insetos até a troca de experiências sobre ações de manejo da praga e eventuais gargalos que ainda existem quanto a canais de comunicação e protocolos de resposta para evitar danos à produção agrícola.
Apesar de serem insetos típicos de cada região do mundo – com variedades diferentes em cada continente, quando põem em risco a produção agrícola os gafanhotos representam um flagelo que há décadas tem a aviação agrícola como uma das principais ferramentas para seu controle. Mais do que isso, ataques de nuvens de gafanhotos foram determinantes para o surgimento do setor aeroagrícola em países como Brasil (1947), Uruguai (1946) e Argentina (1926). A própria FAO tem a tecnologia aeroagrícola como uma aliada importante para evitar que gafanhotos dizimem produção de alimentos na África e Oriente Médio, por exemplo.
AMÉRICA DO SUL
No Brasil, o episódio mais recente de risco de ataque de gafanhotos ocorreu em 2020, quando a migração de insetos que ocorre praticamente todos os anos na América do Sul chegou perto da fronteira do Rio Grande do Sul. Foi, então, a primeira vez em mais de 70 anos que uma nuvem de insetos chegou tão perto do Sul do País. Colocando a aviação agrícola brasileira em alerta e fazendo com que as autoridades revisassem e atualizassem todos os protocolos de manejo da praga.
Enquanto isso, no ano passado o Senasa lançou um alerta fitossanitário na Argentina, que valeria até dezembro de 2025. Medida que acabou suspenso em março deste ano, quando próprio órgão editou uma medida anulando de uma só vez diversas iniciativas suas.
A espécie que põe em risco o Brasil é a do gafanhoto sul-americano (Schistocerca cancelatta), uma variedade nativa de nosso continente, tendo seu habitat principalmente na Região do Chaco, na tríplice fronteira entre Argentina, Paraguai e Bolívia. Por isso os três países têm um acordo de monitoramento e troca de informações sobre o comportamento dos insetos. Quando formam nuvens migratórias, os gafanhotos se deslocam aproveitando correntes de ar quente, chegando a percorrer mais de 150 quilômetros por dia.
Segundo o Sistema Regional de Alerta de Gafanhotos do Cosave, outras duas espécies também estão no radar das entidades sanitárias do continente: a Schistocerca pinceinfrons (gafanhoto centro-americano), que ocorre na América Central e norte da América do Sul, e a Schistocerca interrita (gafanhoto peruano). Entre todas as quase 30 espécies do mundo, a que mais tem potencial de causar fome (em termos de vulnerabilidade população dependente das colheitas em risco) é a do gafanhoto do deserto (Schistocerca gregaria) – que ocorre no continente africano e Oriente Médio.

FERRAMENTAS: historicamente, a aviação agrícola integra o arsenal para controle de nuvens de insetos que eventualmente migram para áreas de produção agrícola em anos de grande incidência da praga – Foto: Senasa, em treinamento promovido em 2023 para controle de insetos