Edição 2026 do relatório Perspectivas Econômicas e de Sustentabilidade Aeroagrícola, divulgado pelo Sindag, vai além da frota e reforça dados sobre sustentabilidade e mercado
A edição 2026 do estudo Perspectivas Econômicas e de Sustentabilidade Aeroagrícola, divulgada neste mês pelo Sindag, chega menos como uma simples atualização de frota e mais como um raio-x ampliado do setor. O documento foi divulgado na Assembleia Geral do Sindag, realizada via internet no último dia 1º. A apresentação ficou a cargo do diretor operacional da entidade, Cláudio Júnior Oliveira, que elaborou o documento.
A novidade do estudo, agora, está na forma como ele organiza e amplia a leitura sobre outros dados da atividade: drones, economia de água, impacto econômico, mercado, inflação setorial, regulação e legitimidade pública. O uso racional de recursos hídricos, por exemplo, surge como um dos pontos de maior apelo público da edição 2026.
O relatório estima que a economia de água proporcionada pela aplicação aérea no campo pode chegar a 12,6 bilhões de litros de água em um cenário de 100 milhões de hectares – na comparação com a aplicação terrestre. Mensurando finalmente a eficiência hídrica que já era mencionada em edições anteriores do relatório. Fortalecendo a comunicação do setor em uma agenda cada vez mais marcada por sustentabilidade, uso racional de recursos e cobrança por comprovação técnica.

FROTA
O número de 2.866 aeronaves aeroagrícolas tripuladas em 2025 já havia sido anunciado em fevereiro, durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, no Rio Grande do Sul. O relatório também detalha ranking por Estados, modelos de aeronaves e perfil da frota.
No caso dos drones, o estudo de agora traz a informação de o número de equipamentos chegou em 2025 a 10.357 aparelhos operando no trato de lavouras no Brasil. O tema não é novo nas publicações do Sindag: a edição de 2024 do Perspectivas também já tratava da expansão dos equipamentos não tripulados a partir de dados de importação.
Em 2025, o estudo avançou para uma leitura mais estruturada da frota registrada. Porém, em 2026 o que muda aí é a interpretação da curva: ritmo de crescimento diminuiu porque o mercado começou a se acomodar. Depois de altas expressivas nos anos anteriores, o avanço foi de 32,31% em 2025. Ou seja, passada a fase de explosão inicial, o mercado passou ser mais seletivo: com equipamentos de maior capacidade, mais marcas, modelos mais robustos e maior exigência técnica. Em outras palavras: o drone deixa de aparecer apenas como promessa ou novidade tecnológica e agora se consolidou na infraestrutura de aplicação no campo.
ECONOMIA
Outro salto qualitativo no relatório 2026 é o maior peso dado ao capítulo Mercado Aeroagrícola e ao Índice de Inflação da Aviação Agrícola (Iavag), sinalizando uma tentativa de mensurar não apenas o tamanho e crescimento da frota, mas também os custos, pressões econômicas, ambiente regulatório e tendências que afetam a tomada de decisão dos operadores. Sejam eles empresas de aviação agrícola ou produtores rurais que tem suas próprias aeronaves para o trato de lavouras.
Ainda sobre economia, o estudo 2026 estima que a aviação agrícola tripulada tenha atendido cerca de 143,3 milhões de hectares em 2025, considerando a média de 50 mil hectares pulverizados por aeronave a cada safra. O faturamento estimado apenas com aplicações tripuladas foi de R$ 8,17 bilhões. Mantidas as condições atuais, a projeção é que o setor possa ultrapassar R$ 10 bilhões anuais em prestação de serviços até 2029.
Outro dado de peso no Perspectivas deste ano é a estimativa de impacto em caso de restrição à pulverização aérea. Segundo o relatório, a perda poderia superar R$ 125 bilhões por ano apenas em cinco culturas: soja, cana-de-açúcar, milho, arroz irrigado e algodão. Na edição anterior, com base em dados de 2023, essa conta era de R$ 114,8 bilhões. O avanço reforça o papel da aplicação aérea em cadeias produtivas estratégicas e dá dimensão econômica a uma discussão frequentemente travada no campo político e regulatório.