Projeto do Instituto em parceria com a Universidade Atitus aposta em base acadêmica para elevar segurança e qualificação no setor
O Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) deve lançar em breve o seu Curso de Formação de Pilotos Agrícolas, em uma iniciativa que aposta na formação acadêmica dos profissionais como eixo central para elevar o padrão do setor. O projeto tem apoio do Sindag e está sendo desenvolvido em parceria com a Universidade Atitus, no Rio Grande do Sul, como um novo estágio na qualificação da mão de obra aeroagrícola no País. Segundo o presidente do Ibravag, Júlio Augusto Kämpf, o curso já está estruturado e com o processo de certificação em fase avançada — faltando apenas o sinal verde da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para a abertura da primeira turma.
A proposta parte de um diagnóstico claro: o crescimento da frota aeroagrícola brasileira — hoje a segunda maior do mundo e a que mais voa — vem acompanhado de um desafio crescente na formação de novos pilotos. Ao mesmo tempo, o setor enfrenta a saída de profissionais experientes e uma atividade cada vez mais exigente em termos técnicos, ambientais e regulatórios.

OPERAÇÃO: avião agrícola aterrissa em pista no interior de Pantano Grande, no Rio Grande do Sul – foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress
Nesse contexto, o novo curso traz como diferencial a integração com o ambiente universitário, com a formação teórica realizada dentro da estrutura acadêmica e conteúdo desenvolvido pelo próprio Ibravag. A carga horária será ampliada em relação aos modelos tradicionais, incorporando temas como tecnologia embarcada, gestão de risco, fatores humanos e exigências ambientais — refletindo a complexidade atual da operação aeroagrícola.
Outro ponto estratégico é a conexão direta com a realidade do campo. A proposta inclui levar para a sala de aula a experiência prática de pilotos e empresários, aproximando o ensino das situações reais enfrentadas nas operações.
Já a etapa prática seguirá um modelo flexível: após concluir a formação teórica, o aluno poderá escolher onde realizar o treinamento de voo, entre escolas credenciadas pelo Ibravag. A ideia é criar um sistema integrado, que eleve o padrão da formação sem substituir as estruturas já existentes, mas oferecendo uma qualificação mais robusta e alinhada às demandas do mercado.
A iniciativa também responde a um ponto sensível do setor: a segurança operacional. De acordo com Kämpf, parte dos acidentes recentes está associada a fatores humanos, como distrações e uso inadequado de tecnologias embarcadas — o que reforça a necessidade de uma formação mais completa e atualizada. Conforme o dirigente, mais do que preparar novos pilotos, o projeto busca fortalecer a própria aviação agrícola brasileira, garantindo qualidade na prestação de serviços, maior segurança nas operações e uma imagem mais sólida perante a sociedade. Kämpf também lembrou que o Ibravag mantém, desde
Aprimoramento contínuo
Desde os anos 1960, para se tornar piloto agrícola o candidato precisa primeira ter a licença de piloto comercial. Os requisitos da Anac também exigem que o candidato tenha somado 400 horas de voo em sua carreira, além de ter sido aprovado em Curso de Piloto Agrícola ministrado por escola certificada pelo órgão regular. O que inclui grade curricular mínima – que, no caso do projeto do Ibravag, está ampliada pela entidade.
Aliás, além do curso para formação de novos pilotos, o Instituto também mantém (desde 2023) o seu Curso de Atualização de Pilotos Agrícolas. Neste caso, com foco em profissionais que já atuam no mercado. Além de reforçar e ampliar matérias como boas prática nas aplicações e segurança operacional, a iniciativa também traz atualizações sobre tecnologias embarcadas e aborda ainda o planejamento de carreira e qualidade de vida.