Diretor Cláudio Júnior Oliveira conversou com o jornalista Alex Soares sobre os mecanismos econômicos que influenciam os custos do setor
Os fatores inflacionários na aviação agrícola e o cenário econômico por trás de suas variações foram o tema da entrevista do diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, no programa Conexão Rural do último sábado (4 de fevereiro). No bate-papo com o comunicador Alex Soares (transmitido ao vivo pela rádio Acústica FM, de Camaquã/RS), Oliveira esmiuçou a composição do índice de Inflação da Aviação Agrícola (Iavag). Composto em 40% de variação cambial (dólar e, indiretamente, a inflação norte-americana), 40% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e 20% pelo fator combustíveis.
Confira abaixo no final do texto o vídeo com a íntegra da entrevista
“O Iavag nasceu de um problema grave ocorrido entre 2019 e 2021 – quando a moeda americana partiu de R$ 3,87 em janeiro de 2019 para R$ 5,38 em agosto 2021. Uma alta de 40%, onde o empresário que comprou aeronave norte-americana, tinha uma parcela (fixa em dólar) que pulou, por exemplo, de R$ 300 mil passou para R$ 417 mil”, recordou o dirigente aeroagrícola. Lembrando que, além da aquisição de aeronaves, a moeda americana serve de referência para as peças de aeronaves (que são importadas mesmo nos modelos nacionais).
Oliveira também explicou o alcance do fator combustíveis, destacando que, além de 35% da frota aeroagrícola do País ser movida a etanol, boa parte da frota presta serviços para usinas sucroenergéticas. “Só em São Paulo, são 300 milhões de toneladas”, destacou. Já no caso do INPC, por ser o índice que afeta as famílias com renda de um a quatro salários mínimos reflete diretamente nas convenções coletivas dos funcionários das empresas aeroagrícolas.
POLÍTICA
A entrevista também abordou a relação entre a economia e política e ações que têm influenciado negativamente na confiança do empresariado. Por exemplo, a transferência, ocorrida em janeiro, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf, que integra a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção) do Banco Central (que é um órgão neutro) para o Ministério da Fazenda (que é do governo federal).
O que, abalando a independência do controle, abala também a confiança na capacidade do governo de antecipar mudanças econômicas, como foi, no ano passado, a retirada do Pis/Cofins dos combustíveis e redução do ICMS enquanto os países produtores de petróleo diminuíram a oferta (o que subiu o preço) mundial do óleo bruto – paralelo ao cenário de guerra na Ucrânia.
Tendo, agora, pano de fundo de um questionamento oficial sobre as metas de inflação e taxa de juros – que gera reflexos negativos na confiança do mercado, que, por sua vez, aumenta inflação. Ou seja, o remédio mal aplicado que piora o problema.