Ipanema mira mercado argentino

Memorando entre a Embraer e um holding de bioenergia abre caminho para estudos técnicos e regulatórios e reforça interesse regional pelo modelo brasileiro

A Embraer anunciou nesta semana a assinatura de um memorando com o grupo argentino Essential Energy Holding, controlador da usina Bioenergías Agropecuárias, para avaliar a viabilidade de operar e, consequentemente, vender o avião agrícola Ipanema na Argentina. O acordo prevê estudos técnicos, logísticos e regulatórios para verificar as condições de uso do modelo no país vizinho. E não há confirmação de vendas efetivadas até o momento.

O movimento marca uma mudança relevante na estratégia da fabricante brasileira para um produto historicamente concentrado no mercado interno. Lembrando que o Ipanema abrange hoje cerca de metade da frota aeroagrícola brasileira. O modelo foi lançado nos anos 1970, em 2004 ganhou sua versão a etanol e está hoje em sua sétima geração. Em novembro passado, a empresa comemorou a entrega do Ipanema número 1.700.

Embora o memorando não represente uma negociação comercial direta, ele sinaliza o interesse da Embraer em abrir caminho para a certificação e, futuramente, para a venda da aeronave no mercado argentino. No Brasil, o Ipanema representa mais da metade da frota aeroagrícola do País.

A possibilidade de expansão do modelo para a Argentina envolve, entre outros fatores, a análise da disponibilidade do biocombustível, da infraestrutura de manutenção e da adaptação às normas da autoridade aeronáutica local. O país vizinho tem a terceira maior frota aeroagrícola do planeta, atrás do Brasil (segundo no ranking) e Estados Unidos, que lidera a lista.

Além disso, este não é o primeiro passo internacional do Ipanema. O modelo foi recentemente homologado pela autoridade aeronáutica do Paraguai, o que permitiu o início de operações e entregas. Em 2025, ao menos uma unidade foi exportada para o país, com suporte de representante autorizado da Embraer.

MARCA: Fabricante brasileira comemorou em novembro passado a entrega do exemplar de número 1.700, do avião que é fabricado desde os anos 70 e desde 2004 sai de fábrica com motor a etanol – Foto: Embraer/Divulgação