LIVE: 2026 será um ano longo e duro

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Debate promovido pelo Sindag em seu canal no YouTube discutiu cenários, avaliou riscos e reforçou foco no caixa, na eficiência e na padronização das operações

O setor de aviação agrícola abriu 2026 com um recado direto: o ano tende a ser mais longo e mais duro para as empresas, exigindo atenção redobrada à gestão, eficiência e planejamento. Este foi o tom da live Desafios da gestão das empresas de aviação agrícola em 2026, realizada nesta quinta-feira (5), no canal do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) no YouTube.

A mediação ficou a cargo do diretor-executivo da entidade, Gabriel Colle, com participação da presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, e da conselheira Taylla de Faria — respectivamente, empresárias da Precisa Aeroagrícola (Lagoa da Confusão/TO) e da Jusarah Aeroagrícola (Cerejeiras/RO).

Confira no final do texto o
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Colle abriu o encontro destacando que o setor enfrenta sinais claros de um ciclo mais duro. Segundo ele, a preocupação central não é apenas o crescimento do número de aeronaves ou da área atendida, mas a sustentabilidade financeira do negócio. O dirigente lembrou que o cenário de 2026 combina fatores como ano eleitoral, reforma tributária, instabilidades internacionais e aumento de custos — ao mesmo tempo em que o mercado não consegue absorver reajustes.

A análise foi reforçada por Taylla, que apontou uma mudança perceptível no ritmo do mercado logo no início do ano. Segundo ela, o setor vinha em trajetória de alta, mas passou a sentir com mais força os reflexos da dificuldade do produtor em acessar crédito. “A gente precisou olhar muito para o custo de caixa. Diariamente”, destacou.

 Para a empresária, o que mais afeta o empresário não é apenas o custo operacional, mas o momento em que o produtor “tira o pé”, desacelera ou posterga aplicações. “Isso tira o sono, porque você começa a pensar na sustentabilidade do negócio”, resumiu. Ela também chamou atenção para um efeito dominó: quando o produtor reduz o ritmo ou entra em crise financeira, cresce o risco de inadimplência — cenário que pode comprometer diretamente o prestador de serviço.

Produtor endividado

Com mais de duas décadas de atuação no setor, Hoana reforçou a necessidade de profissionalização da gestão e do planejamento. Para ela, não há mais espaço para empresas que se prendem apenas ao operacional, deixando o preparo estratégico em segundo plano. “Nem tudo que deu certo há 10 anos atrás vai nos levar a 10 anos adiante”, afirmou.

A presidente do Sindag também citou a alta das recuperações judiciais no agronegócio e o risco de inadimplência, alertando que o prestador precisa equilibrar parceria com prudência financeira. Segundo ela, a pressão aumenta quando culturas estratégicas enfrentam dificuldades, atingindo toda a cadeia. “Se o produtor de soja está endividado, imagina nós, que somos prestadores de serviço”, resumiu, mencionando a explosão recente de recuperações judiciais no agro.

Eficiência começa no solo

Outro ponto marcante da live foi a defesa de que eficiência não se ganha apenas no ar, mas no planejamento e no solo. Hoana destacou que o desperdício mais perigoso é aquele que não aparece na planilha: aeronave parada por decisão mal tomada, falha de comunicação ou atraso logístico.

Na avaliação da empresária, o chamado “custo invisível” tem impacto direto na competitividade e no resultado das operações. Para ela, decisões tomadas fora de hora e falhas internas de alinhamento podem representar perdas silenciosas ao longo de toda a safra.

Outro tema recorrente foi a dificuldade crescente de contratar e manter mão de obra qualificada. Hoana afirmou que, mesmo sem conseguir reajustar preços ao nível necessário, empresas têm sido obrigadas a elevar salários e investir mais em qualificação. Para ela, o desafio de formar e reter equipes se tornou central em um setor onde a maioria das empresas é de pequeno porte e os gestores acumulam funções.

Ela relatou que uma das melhores decisões recentes na sua empresa foi fortalecer a cultura organizacional, definir papéis, criar processos e ampliar a comunicação interna, reduzindo a sobrecarga dos gestores. “A gente criou processos e está capacitando pessoas para assumirem mais responsabilidade, tirando muito das nossas costas”, relatou.

DIÁLOGO

Taylla reforçou que a padronização depende de diálogo constante e proximidade com equipes em campo. Para ela, a comunicação é o principal instrumento para manter qualidade e segurança, especialmente quando há operações descentralizadas e equipes em regiões distintas. “Reúna a equipe. Não deixa o pessoal ficar muito tempo sem conversar”, recomendou.

No encerramento, Colle ressaltou que o setor precisa atravessar 2026 com mais união e planejamento, reforçando que a reputação das empresas também entra na conta. Para ele, além do controle financeiro e da eficiência operacional, o empresário precisa manter atenção à comunicação com clientes, vizinhos e comunidade — tanto para responder rapidamente a qualquer ocorrência quanto para evitar ruídos alimentados por mitos ainda presentes em parte da sociedade.

A mensagem que permeou toda a live foi que 2026 exigirá um perfil de empresário ainda mais atento a indicadores, processos e relacionamento com o cliente. Em um cenário de custos altos, demanda instável e produtor mais pressionado, a capacidade de manter segurança, padronização e eficiência deve ser o caminho para preservar competitividade e garantir a continuidade das operações.

Assista a íntegra da live desta quinta-feira