Uso irregular de equipamento agrícola expõe riscos operacionais, reforça fiscalização global e levanta debate sobre papel da indústria na regulação
Um episódio ocorrido no interior da China, envolvendo o uso de um drone agrícola para içar uma pessoa a mais de 10 metros de altura, causou cassação da licença do operador. Isso além dele ficar no mínimo 12 meses proibido de requerer uma nova permissão para operar. O caso ocorreu em dezembro de 2025, em um pomar de cítricos no distrito de Fengjie, no município de Chongqing, sudoeste do país. Mas foi detectado agora em um processo de inspeção pela empresa DJI. E aí vem um fato curioso: a própria fabricante de drones aplicou a punição ao operador, identificado publicamente apenas como Zheng.
Isso porque, diferente dos regulamentos ocidentais – onde a punição é prerrogativa apenas de agências específicas de regulação, na China o sistema é mais integrado, com a própria indústria participando da certificação e fiscalização dos operadores. A suspensão, segundo o portal chinês, foi baseada no Artigo 62, Ponto 8 do Regulamento Provisório do Conselho de Estado da China sobre Gestão de Voos de Drones.
Na prática, o documento determina queequipamentos remotos agrícolas devem ser utilizados exclusivamente em atividades produtivas, sendo proibido seu uso para transporte de pessoas ou qualquer operação que represente risco à segurança pública. Além de proibida, a atitude de Zheng foi extremamente perigosa, já que os drones agrícolas são desenvolvidas para transportar líquidos com distribuição uniforme de peso, e não cargas humanas – o que compromete o equilíbrio, o centro de gravidade e a estabilidade em voo.
REPERCUSSÃO
O caso foi divulgado originalmente pelo portal chinês NewUAS – em publicação na última quinta-feira (19). Mas ganhou projeção global após ser repercutido pelo portal norte-americano DroneXL. O portal estadunidense ainda contextualizou a ocorrência, lembrando o recente episódio brasileiro, no Pará, em que um operador chegou a voar embarcado em um drone agrícola.
Fato, que na época resultou em denúncia do Sindag à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de uma Nota Oficial da entidade aeroagrícola em sua página, repudiando o fato. Tanto o caso chinês quanto a ação do Sindag no episódio brasileiro evidenciam uma tendência global de endurecimento na fiscalização, com aplicação de sanções mais severas para usos indevidos. Além de um esforço crescente (como no caso da entidade aeroagrícola brasileira) para conscientizar operadores sobre limites técnicos e riscos operacionais.
