Esta terça-feira marca a data nacional do setor, celebrando aeronaves, tecnologia e profissionais que semeiam e protegem as lavouras e protegem biomas contra as chamas
O dia de hoje marca os 78 anos do nascimento da Aviação Agrícola Brasileira. Justamente por isso, é também o dia Nacional da Aviação Agrícola, relembrando o feito realizado em 19 de agosto de 1947, na cidade gaúcha de Pelotas. Era pouco mais quatro horas da tarde, quando o biplano Muniz M-9 prefixo PP-GBF, do Aeroclube de Pelotas, começou o roncar seu motor Havilland Gipsy Six de 200 hp. O objetivo: combater uma nuvem de gafanhotos, no meio de uma sequências de ataque da praga, que havia entrado pelo Uruguai, vindo da Argentina.
No comando estava Clóvis Candiota, então com 26 anos de idade e um dos mais experientes pilotos da região – “filho” da campanha Dê Asas ao Brasil, que equipou aeroclubes nos anos 40 e veterano dos voos de patrulha na costa gaúcha na Segunda Guerra Mundial. Junto com ele, o agrônomo Leôncio de Andrade Fontelles, então chefe do posto local do Ministério da Agricultura. Fonteles estava a bordo se preparando para em funcionamento o sistema de pulverização feito em uma funilaria local, com em imagens em uma publicação técnica estrangeira.
VALOR
As operações ainda seguiram nas semanas seguintes para proteger os agricultores dos insetos – a praga de gafanhotos entre 1946 e 47 foi uma das maiores da história do País. Com as autoridades percebendo o valor da ferramenta – que já existia no mundo desde 1921, surgida nos Estados Unidos; 1926 na Argentina, e 1946 no Uruguai, Candiota e Fontelles criaram uma empresa de aviação agrícola.
Ao mesmo tempo em que a técnica foi replicada menos de seis meses depois em São Paulo e, nos anos 1950, o próprio ministério da Agricultura passou a adquirira aeronaves para o combate a pragas. Hoje, o País tem uma das maiores e melhores aviações agrícolas do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos – berço mundial do setor.
São mais de 2,7 mil aeronaves em operação nas lavouras brasileira, com mais de 100 milhões de hectares tratados por via aérea (no somatório das operações em todas as fases das plantações. Como uma atividade altamente regulamentada desde os anos 1960 e que exigência de profissionais altamente qualificados e é essencial para pelo menos 22 culturas.
Lembrando que a aviação também atua em semeadura, adubação, bem como no combate a incêndios florestais (foram 40,1 milhões de litros de águas lançados contra as chamas em 2024), além de ter a capacidade de repovoar rios e lagos e ainda combater mosquitos.

ESSENCIAL: com quase oito décadas de história no Brasil, setor aeroagrícola tem como marca a precisão e alta tecnologia – foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress