Recuerdos da participação brasileira no Congresso Mercosul  

Ainda nos ecos do evento ocorrido em julho na Argentina, vale conferir a entrevista do diretor do Sindag Cláudio Júnior Oliveira ao repórter Lucas Torsiglieri, do portal argentino Bichos de Campo

BUENOS AIRES – Com números robustos e uma defesa firme da importância social e ambiental da atividade, o diretor operacional do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola brasileiro (Sindag), Cláudio Júnior Oliveira, destacou em Buenos Aires a relevância do setor não apenas para o campo, mas para toda a sociedade. A fala ocorreu durante entrevista ao portal argentino Bichos de Campo, em paralelo ao 33º Congresso Mercosul e Latino-Americano de Aviação Agrícola, realizado nos dias 21 e 22 de julho, dentro da tradicional exposição La Rural, a 137ª Exposição Pecuária, Agricultura e Indústria do País.

Confira no final do texto o vídeo da entrevista

“O Brasil conta hoje com 2.722 aeronaves agrícolas e mais de 2 mil pilotos, cada avião representando o sustento de cerca de cinco famílias”, afirmou Oliveira. Uma relevância que, segundo ele, vai além do aspecto econômico: a aviação agrícola é ferramenta de sustentabilidade. “Uma aeronave pode tratar até 400 hectares em um único dia – o equivalente ao trabalho de centenas de pessoas com bombas costais. É eficiência e segurança alimentar”, frisou.

O dirigente lembrou ainda que a aviação agrícola atende mais de 29 culturas, entre elas soja, milho, arroz e cana-de-açúcar, e ressaltou o papel crescente dos drones. “A tecnologia não tripulada veio para ficar”, destacou. Frisando a importância dos empresários aeroagrícolas a conhecerem e a avaliarem como possível complemento às frotas de aviões e helicópteros.

Defesa contra incêndios

Outro ponto sublinhado por Oliveira foi o uso de aeronaves no combate a incêndios florestais. Segundo ele, no Brasil apenas no último ano foram aplicados 40 milhões de litros de água contra o fogo, mobilizando mais de 100 aviões e 115 pilotos. “O setor já mostrou sua capacidade. Agora precisamos avançar na formalização de termos de cooperação com o poder público, para que as aeronaves estejam disponíveis em caráter preventivo, não apenas em situações emergenciais”, pontuou.

Em algumas regiões, como explicou, o poder público já mantém contratos de prontidão, mas a estrutura ainda é insuficiente. “Trata-se de reconhecer a aviação agrícola como ferramenta estratégica para proteger vidas, lavouras e reservas naturais”, completou.

União regional e
formação de líderes

O Congresso em Buenos Aires reuniu lideranças da Argentina, Brasil, Uruguai e Bolívia, além de produtores, técnicos e 24 empresas expositoras. O lema – Campo e cidade unidos pelo ar – reforçou a ideia de integração do setor. A conselheira do Sindag, Sílvia Figueredo, representou a entidade na abertura ao lado das coirmãs Fearca (Argentina), Anepa (Uruguai) e Andefa (Bolívia).

Segundo Oliveira, a troca de experiências regionais é decisiva: “A união é o grande segredo em qualquer lugar do mundo. É preciso compartilhar informações e mostrar à sociedade que a aviação agrícola está pronta para ajudar”.

O dirigente ressaltou ainda os investimentos em capacitação: 85 empresários aeroagrícolas já concluíram pós-graduação em gestão, inovação e sustentabilidade, desenvolvida pelo Sindag em parceria com universidades. “O setor está unido, engajado e preparado para crescer de forma responsável”, afirmou.

DESAFIOS

Apesar da expansão, Oliveira reconheceu que persistem desafios ligados à percepção pública e à regulamentação. “Não faz sentido desconsiderar os benefícios de uma atividade que atende 130 milhões de hectares no Brasil por conta de raros incidentes. O caminho é o diálogo e a busca constante por melhorias”, disse.

Em sintonia com o espírito do Congresso, a mensagem final foi clara: a aviação agrícola latino-americana quer ser reconhecida como aliada estratégica da sustentabilidade, da produção de alimentos e da proteção ambiental.

Sobre o portal:

Especializado no universo agro, o Bichos de Campo se destaca em múltiplas plataformas (web, rádio, TV). Seu conteúdo informativo é voltado para o público interessado no setor rural argentino. Tudo isso tendo como lema “periodismo (jornalismo) que pica”. O portal também tem suas reportagens veiculadas aos sábados pela televisão, no Canal Metro (do Grupo Clarin, o maior conglomerado de mídia do país), e pela Rádio Belgrano AM 570 – CNN Rádio Argentina, de Buenos Aires.

Aliás, no mesmo mês da entrevista com o diretor do Sindag, o portal recebeu o Prêmio Martín Fierro na categoria de “melhor site rural” . Promovida pela Associação de Jornalistas de Televisão e Rádio da Argentina (APTRA), o Martin Fierro é um do mais importantes destaques do jornalismo no nosso país vizinho.

Confira abaixo o vídeo da entrevista: