Sindag projeta retrato sobre drones agrícolas

Levantamento preliminar apresentado no Green Farm Brasil aponta 10.357 drones agrícolas registrados na Anac e será confrontado com dados do Siscomex para medir o tamanho real do mercado brasileiro

O Brasil encerrou 2025 com 10.357 drones agrícolas registrados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas o tamanho real da frota nacional pode ser ainda maior. É o que busca determinar um estudo sobre as Perspectivas Econômicas e de Sustentabilidade do Setor Aeroagrícola, que será concluído nas próximas semanas – após o cruzamento dos registros da Anac com dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), do governo federal.  Já que a maior parte dos drones agrícolas comercializados no País é importada, o cruzamento permitirá comparar os equipamentos que entraram oficialmente no Brasil com aqueles já cadastrados nos órgãos reguladores

O levantamento está a cargo do diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, que espera concluir o estudo até o final deste mês. Segundo ele, a expectativa é se ter um panorama real de quantos drones agrícolas atuam no mercado brasileiro.

E, então, apresentar o estudo completo à imprensa.

A prévia do estudo Perspectivas foi mostrada durante a Green Farm Brasil, ocorrida na última semana em Cuiabá, no Mato Grosso. Isso dentro do Summit Pensar Agro, que movimentou toda a sexta-feira (29) – segundo dos três dias de evento.

Os números apresentados em Cuiabá mostram uma expansão impressionante da frota nacional cadastrada na Anac. Em 2021 eram apenas 355 drones agrícolas registrados. O total passou para 652 em 2022, saltou para 3.605 em 2023, chegou a 7.828 em 2024 e bateu as 10 mil unidades em 2025.

Ou seja, um crescimento de quase 30 vezes em quatro anos, o que reflete a consolidação dos drones como uma ferramenta importante dentro do universo da aplicação aérea. Tanto em complemento às aeronaves tripuladas, como pelo fator de inclusão – possibilitando o acesso à agricultura de precisão inclusive para pequenos produtores.

Lembrando que, enquanto a Green Farm Brasil é uma das principais feiras de agronegócio do Centro-Oeste, o Summit Pensar Agro é o principal espaço de debates estratégicos dentro do evento, reunindo produtores, empresários, diplomatas, especialistas e lideranças do setor.

Migração para aparelhos maiores

Outra tendência observada por Oliveira  é a migração para aeronaves maiores e mais sofisticadas. Modelos de 25, 50, 70 e até 100 litros de capacidade estão liderando o crescimento do mercado, impulsionados por recursos de automação, planejamento inteligente, integração RTK e maior produtividade operacional.

Durante sua apresentação em Cuiabá, o diretor do Sindag destacou que os números preliminares já colocam o Brasil entre os maiores mercados mundiais de drones agrícolas. Citando ainda uma estimativa internacional que aponta cerca de 12 mil aeronaves não tripuladas em operação no País.

O dado vem do estudo Can the global drone revolution make agriculture more sustainable?, publicado na revista científica Science por pesquisadores ligados ao Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFPRI, na sigla em inglês). Que, por sua vez, coloca a frota brasileira de drones agrícolas atrás apenas da China, Japão e Tailândia no ranking internacional.

AERONAVES TRIPULADAS

A apresentação também trouxe dados atualizados da aviação agrícola tripulada. O Brasil Setor fechou 2025 com 2.866 aviões e helicópteros aeroagrícolas, crescimento de 5,25% em relação ao ano anterior e manutenção da posição de segunda maior frota mundial do segmento.

Para o diretor do Sindag, o avanço simultâneo das duas tecnologias reforça uma tendência já observada internacionalmente: a integração entre aviões, helicópteros e drones dentro de uma mesma estratégia de aplicação aérea. Não por acaso, a convivência entre essas plataformas aparece entre os principais desafios estratégicos do setor para os próximos anos, ao lado da regulamentação dos drones, da segurança operacional e da formação de mão de obra especializada.