Diretor da entidade aeroagrícola Gabriel Colle abordou o tema com dirigentes da cooperativa de crédito durante 26ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque/RS
Em um movimento com foco em ampliar a segurança e boas práticas em campo, o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, propôs a diretores da Cresol que os drones agrícolas financiados pela cooperativa tenham a liberação do crédito condicionada ao cumprimento de exigências legais e à capacitação dos operadores. A sugestão foi colocada em encontro durante a 26ª Expodireto Cotrijal, que terminou na sexta-feira (13), em Não-Me-Toque, no noroeste gaúcho.
A reunião foi na terça, dia10, no estande da instituição financeira, onde Colle conversou com o diretor-executivo da Cresol Central Brasil, Antônio Carlos Soares, e o presidente da Confederação Cresol, Cledir Magri. Também participou o diretor da Safe Carbon, Edio Schrander. Para o diretor do Sindag, foi um dos pontos altos da participação da entidade na feira.
A iniciativa responde à crescente demanda por financiamento de drones por parte de pequenos e médios produtores — público predominante da Cresol, que atua em 19 estados, possui mais de mil agências físicas e ultrapassa 1 milhão de cooperados. Segundo o dirigente, a cooperativa seria uma aliada importante para conscientizar os produtores e operadores sobre as especificidades técnicas e regulatórias da operação dessas aeronaves.
“A Cresol tem tido muita procura para financiar drones. Daí nossa ideia, é alinharmos um trabalho conjunto sobre as particularidades do setor. Na prática, criarmos um modelo em que o financiamento já venha acompanhado de orientação, capacitação e formalização”, destacou o dirigente aeroagrícola.

ARTICULAÇÃO: Conversa entre Soares, Colle, Magri e Schrader foi o ponto alto da participação do Sindag na feira no noroeste gaúcho
ORIENTAÇÕES
A proposta prevê a construção de um convênio de cooperação em nível nacional entre Sindag e Cresol. Pelo modelo discutido, produtores e empresas que adquirirem drones com financiamento da cooperativa passariam a receber, já no momento da contratação, orientações sobre os pré-requisitos legais para operação.
O Sindag ficaria responsável por estruturar um canal de capacitação e suporte técnico, com base em sua cartilha de boas práticas — que deverá ser distribuída nas agências da Cresol como guia para aquisição e operação dentro das normas vigentes. Além disso, a entidade pretende atuar diretamente no processo de formalização dos operadores.
“A ideia é que esse drone já saia financiado com garantia de que quem vai usar tenha capacitação e esteja formalizado corretamente. Nós queremos ajudar nesse processo”, afirmou Colle, ressaltando que a proposta ainda será analisada pela cooperativa.
Sustentabilidade certificada
Outro ponto discutido foi a criação de um pacote que una crédito, regularização e sustentabilidade. A proposta inclui a possibilidade de concessão de um selo para produtores e empresas que cumprirem os requisitos estabelecidos, com certificação potencialmente emitida por parceiros como o grupo SafeWeb – que também participou do encontro.
“Temos ainda um fator de convergência importante: tanto Sindag quanto Cresol integram o Pacto Global da ONU, o que reforça o alinhamento com práticas ESG”, destacou Colle. Na prática, o modelo prevê que o produtor encontre, dentro da própria agência, um pacote completo: financiamento, orientação técnica, regularização e certificação. “A ideia é que, ao adquirir o drone, o produtor já tenha tudo estruturado: financiamento, capacitação, formalização e até o selo de sustentabilidade”, resumiu.