Pesquisa do Sindag aponta queda na demanda e pressão de custos, mas com inadimplência sob controle e aposta em gestão e tecnologia para atravessar o novo cenário
O setor aeroagrícola brasileiro iniciou 2026 em um cenário de desaceleração, marcando uma mudança de ciclo após anos de expansão. É o que indica o Termômetro Econômico da Aviação Agrícola, divulgado na última semana pelo Sindag. Segundo o levantamento, 86% das empresas registraram retração superior a 15% na safra 2025/2026 — e, destas, 61% tiveram recuos acima de 30%. O movimento é generalizado e atinge as principais regiões produtoras do País, com destaque para Centro-Oeste e Sul.
O levantamento foi elaborado pelo economista e diretor operacional da entidade, Cláudio Júnior Oliveira. A pesquisa ouviu 28 empresas do setor, situadas no Sul, Centro-Oeste, Sudeste e Norte do País. Os resultados refletem o atual cenário econômico no agro, num ambiente de crédito mais caro, juros elevados e maior cautela por parte dos produtores rurais. Situação que, segundo os operadores aeroagrícolas, ainda deve persistir nos próximos meses: 57% dos entrevistados projetam nova queda na demanda, enquanto apenas 7% esperam crescimento.
RESILIÊNCIA
A boa notícia é que a inadimplência segue controlada para 71% das empresas, indicando uma base estrutural ainda sólida. Diante desse contexto, as empresas avançam em estratégias de adaptação. Ganham espaço medidas como o controle mais rigoroso de custos, a revisão de contratos e a busca por maior previsibilidade de receitas.
Até porque o cenário observado na aviação agrícola não ocorre de forma isolada. Indicadores recentes de outros segmentos do agronegócio mostram um movimento semelhante de desaceleração, especialmente em áreas mais dependentes de investimento e crédito. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) – que são utilizados pelo Ministério da Fazenda – apontam retração recente no mercado de máquinas agrícolas. Refletindo ainda um ambiente de juros elevados e maior rigor na concessão de financiamento, conforme estatísticas do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Essa tendência de maior seletividade nos investimentos tecnológicos por parte dos produtores aparece também em análises da Embrapa e da FGV Agro. O que, por outro lado, aumenta a importância das empresas aeroagrícolas apostarem nas soluções tecnológicas que ampliem a eficiência operacional.
A isso se soma o fortalecimento da relação com os clientes, em um contexto em que decisões de investimento estão mais criteriosas. Ou seja, a proximidade com o produtor e a oferta de soluções integradas tendem a ganhar peso na sustentação da demanda.
Em síntese, os dados do Termômetro Econômico do Sindag indicam que a aviação agrícola atravessa um momento de desaceleração, com redução do volume operacional, mas sem sinais de fragilidade estrutural. Ou seja, um ajuste de ciclo que tende a exigir mais eficiência no curto prazo e pode preparar o setor para uma retomada mais consistente adiante.
