Boletim Econômico Especial | IAVAG sobe 7,96% em março e confirma impacto da crise geopolítica sobre os custos da aviação agrícola

Alta dos combustíveis, valorização do dólar e avanço da inflação no Brasil e nos Estados Unidos pressionaram o índice no mês e interromperam o alívio observado em fevereiro

Indicadores de Destaque:

IAVAG – março/2026: ↑ 7,96 %

IAVAG – últimos 12 meses: ↑7,03%

INPC: ↑0,91% | março/2026

INPC dos últimos 12 meses: ↑3,77%

IPCA: ↑ 0,88% | março/2026

IPCA dos últimos 12 meses: ↑4,14%

Inflação EUA (CPI): ↑ 0,9% | março/2026

Câmbio (USD/BRL): ↓R$ 5,37 | Estimativa para final de 2026

Heating Oil: ↑5,22% – US$ 3,81/galão | 15/04/2026

Etanol anidro (SP): ↓-3,47% – R$ 3,1948/litro | média semanal encerrada em 10/04/2026


Resultado oficial do IAVAG

O Índice de Inflação da Aviação Agrícola (IAVAG) registrou alta de 7,96% em março de 2026, confirmando uma forte mudança no ambiente de custos do setor aeroagrícola. Com o resultado, o índice passou a acumular 7,25% no ano e 7,03% em 12 meses, refletindo os efeitos combinados da disparada dos combustíveis, da valorização do dólar e do avanço da inflação doméstica e internacional.

A principal pressão sobre o índice veio do mercado de energia, em um mês marcado pelo agravamento da crise geopolítica envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, além das tensões em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o fluxo global de petróleo e derivados. Esse cenário elevou os custos energéticos internacionais e impactou diretamente a formação do IAVAG.

Combustíveis concentraram a principal pressão sobre o índice

O destaque de março foi o heating oil, principal vetor de pressão sobre o IAVAG no período. O preço médio encerrado do produto passou de US$ 2,596 no final de fevereiro para US$ 4,1138 no final de março, o que corresponde a uma alta de 58,46% no mês. O movimento refletiu o aumento da percepção de risco sobre a oferta internacional de combustíveis diante das incertezas no Oriente Médio e das restrições associadas ao Estreito de Ormuz.

Além do heating oil, o etanol hidratado para outros fins também contribuiu para a alta do índice, com avanço de 3,64% em março. O movimento foi influenciado pela entressafra, pela oferta mais restrita no mercado doméstico e pelo ambiente internacional de petróleo mais caro, que sustentou os preços dos combustíveis no Brasil.

Valorização do dólar ampliou o custo dos componentes dolarizados

Outro fator importante para o resultado de março foi o comportamento do câmbio. O dólar encerrou fevereiro de 2026 em R$ 5,1489 e fechou março em R$ 5,2188, o que representa valorização de 1,35% frente ao real no mês.

Essa alta ampliou a pressão sobre os custos da aviação agrícola, especialmente em itens dolarizados, como peças, componentes, insumos importados e demais despesas ligadas ao mercado externo. Em um ambiente de maior aversão ao risco global, a moeda norte-americana a ganhar força, o que ocasiona o encarecimento da estrutura operacional do setor.

Inflação doméstica reforçou a pressão sobre os custos internos

No Brasil, a inflação também avançou no período. O INPC subiu 0,91% em março, acima dos 0,56% registrados em fevereiro, mostrando aceleração da inflação doméstica. O avanço foi puxado principalmente pelos produtos alimentícios, que passaram de 0,26% em fevereiro para 1,65% em março, e pelo grupo de transportes, com alta de 1,61%, reforçando a pressão sobre os custos internos.

Já o IPCA, principal índice de inflação do país, avançou 0,88% em março, acima dos 0,70% de fevereiro. Com isso, acumulou 1,92% no ano e 4,14% em 12 meses. Os grupos de maior impacto foram Transportes, com alta de 1,64%, e Alimentação e bebidas, com avanço de 1,56%.

Dentro de Transportes, a gasolina subiu 4,59% e o óleo diesel avançou 13,90%, mostrando que a pressão dos combustíveis também atingiu diretamente a inflação ao consumidor no Brasil. Em Alimentação e bebidas, houve destaque para produtos como tomate e leite longa vida, ambos com elevações expressivas no mês.

Inflação dos EUA confirmou a transmissão do choque energético ao cenário internacional

Nos Estados Unidos, o CPI avançou 0,9% em março, após alta de 0,3% em fevereiro, evidenciando a intensificação das pressões inflacionárias no país, enquanto a inflação acumulada em 12 meses subiu de 2,4% para 3,3%. O principal vetor do resultado foi a energia, com destaque para a forte alta da gasolina, de 21,2%, que respondeu por quase três quartos da elevação do índice cheio no mês. Além disso, o índice agregado de commodities energéticas registrou alta de 21,3%, em um contexto de choque nos combustíveis provocado pela crise geopolítica. Esse avanço da inflação em março também contribuiu para ampliar a pressão sobre o IAVAG, ao reforçar o encarecimento dos custos internacionais que influenciam a formação do índice.

O avanço da inflação americana amplia a preocupação dos analistas, pois pode manter os juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, o que tende a sustentar o dólar em patamar mais alto e a prolongar os efeitos do choque energético sobre a economia global. Para o IAVAG, isso é relevante porque reforça tanto a pressão cambial quanto o encarecimento dos custos internacionais.

Comentário final

O resultado oficial de março confirma uma inflexão relevante na trajetória do IAVAG, interrompendo o alívio observado em fevereiro e evidenciando uma forte deterioração do ambiente de custos da aviação agrícola. A alta de 7,96% no mês não decorreu de um fator isolado, mas da convergência de múltiplas pressões, com predominância clara do bloco energético. O agravamento da crise no Oriente Médio, as tensões em torno do Estreito de Ormuz, a disparada do heating oil, a valorização do dólar e o avanço da inflação no Brasil e nos Estados Unidos passaram a impactar de forma concreta a formação do índice e a estrutura operacional do setor. Nesse contexto, o resultado reforça a importância de acompanhar continuamente os indicadores que influenciam direta e indiretamente o IAVAG, especialmente em um cenário internacional ainda instável e sujeito a novos choques sobre energia, câmbio e inflação.

IAVAG nos últimos 12 meses

abr/25↓-0,86%
mai/25↓-0,35%
jun/25↓-0,81%
jul/251,48%
ago/25↓-1,29%
set/25↓-0,68%
out/251,29%
nov/25↓-0,60%
dez/251,58%
jan/26↑0,15%
fev/26↓-0,85%
mar/26↑7,96%
Total:+7,03%

A seguir, os gráficos consolidam os principais movimentos do índice IAVAG e dos indicadores que o compõem, acompanhados ao longo do boletim. A leitura visual facilita a identificação de tendências, pontos de inflexão e períodos de maior volatilidade, complementando as análises apresentadas ao longo do texto.


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Fonte da imagem destacada: AIREDIGITAL

Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, CNN, G1, REUTERS.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG

Dieiriane Flores – Assistente de Economia