Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG.
Indicadores de Destaque:
| Câmbio (USD/BRL): | R$ 5,0998 | PTAX de 27/07 |
| Inflação EUA (CPI): | -0,4% no mês | junho/2026 |
| Juros EUA (Fed): | = 3,50% – 3,75% | FOMC – junho/2026 |
| PIB EUA: | 2,1% | 1º trimestre/2026 – 3ª estimativa |
| Desemprego EUA: | ↓ 4,2% | junho/2026 |
| Selic (Brasil): | ↓ 14,25% | Copom – junho/2026 |
| PIB Brasil trimestral: | ↑ 1,1% | 1º trimestre/2026 |
| PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: | ↑ 2,0% |
| Petróleo WTI: | ↓ 9,41% – US$ 81,96 | cotação intradiária de 27/07/2026 |
| Petróleo Brent: | ↓ 10,72% – US$ 87,83 | cotação intradiária de 27/07/2026 |
| Heating Oil: | ↓ 2,04% – US$ 4,14/galão | cotação intradiária de 27/07/2026 |
| Etanol anidro (SP): | ↓ 2,60% – R$ 2,3786/litro | média semanal encerrada em 24/07/2026 |
| INPC junho/2026: | 0,14% |
| INPC dos últimos 12 meses: | 4,33% |
| IAVAG – junho/2026: | -0,21% |
| IAVAG – últimos 12 meses: | +3,74% |
Análise dos principais indicadores
Câmbio
O dólar iniciou esta segunda-feira próximo de R$ 5,08, depois de acumular queda de aproximadamente 0,6% na semana anterior, quando passou da região de R$ 5,11 para R$ 5,08. A redução das tensões internacionais e a queda do petróleo favoreceram moedas de países emergentes e contribuíram para a valorização do real. Apesar do comportamento mais favorável no curto prazo, o câmbio continua sujeito às decisões dos bancos centrais brasileiro e norte-americano. Uma postura mais cautelosa do Federal Reserve pode sustentar os juros dos Estados Unidos em patamar elevado por mais tempo, limitando uma queda mais consistente do dólar. Para o setor aeroagrícola, a permanência da moeda norte-americana próxima de R$ 5,00 representa algum alívio sobre custos vinculados à importação, como peças, equipamentos, componentes e combustíveis. Entretanto, movimentos de valorização do dólar podem rapidamente anular parte da redução observada nos preços internacionais da energia.
Heating oil e petróleo
Os preços internacionais do petróleo apresentaram forte queda durante as negociações de 27 de julho, após a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã reduzir temporariamente o risco de novas interrupções na oferta. O Brent era negociado a US$ 87,83 por barril, com recuo de 10,72%, enquanto o WTI operava a US$ 81,96, queda de 9,41%. O heating oil, componente energético diretamente incorporado ao cálculo do IAVAG, era cotado a aproximadamente US$ 4,14 por galão, apresentando redução intradiária de 2,04%. Embora o movimento sinalize menor pressão imediata, o derivado ainda permanece em patamar elevado após as valorizações observadas nas semanas anteriores. A queda do petróleo não é necessariamente transmitida de forma imediata e proporcional aos derivados, pois os preços também dependem das condições de refino, dos estoques, da demanda e dos custos logísticos. Caso a redução das tensões geopolíticas seja mantida, o heating oil poderá exercer pressão menor sobre os próximos resultados do IAVAG. Uma retomada dos confrontos, entretanto, pode provocar nova elevação das cotações.
Etanol
O Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ – São Paulo ficou em R$ 2,3786 por litro no período de 20 a 24 de julho, com queda de 2,60% em relação à semana anterior, quando havia sido cotado a R$ 2,4421 por litro. Já o Indicador Semanal do Etanol Hidratado Outros Fins CEPEA/ESALQ – São Paulo, utilizado no cálculo do IAVAG, alcançou R$ 2,1723 por litro, apresentando recuo de 2,11% no mesmo período. Na semana anterior, esse indicador já havia registrado queda de 6,61%. A redução dos preços do etanol anidro e do hidratado sinaliza menor pressão no mercado paulista. Para o IAVAG, a sequência de quedas do etanol representa um fator de alívio, embora o resultado mensal dependa da média das cotações registradas durante todo o mês de julho.
Inflação e juros no Brasil
O IPCA avançou 0,16% em junho, acumulando alta de 3,36% no ano e de 4,64% em 12 meses. O INPC, indicador utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, apresentou variação de 0,14% no mês. Embora os resultados mensais tenham mostrado desaceleração, a inflação acumulada continua acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira reduziu pela quarta semana consecutiva a projeção do IPCA de 2026, de 5,15% para 5,12%. Mesmo com a revisão, a expectativa permanece acima do limite superior de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. A taxa Selic está atualmente em 14,25% ao ano, após a redução promovida pelo Copom em junho. A próxima reunião do Comitê ocorrerá nos dias 4 e 5 de agosto. A continuidade do ciclo de cortes dependerá da evolução da inflação, das expectativas do mercado, da atividade econômica e do comportamento do câmbio.
Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil
A taxa de desemprego foi de 6,1% no primeiro trimestre de 2026, ante 5,1% no quarto trimestre de 2025 e 7,0% no mesmo período do ano anterior. Já no trimestre móvel encerrado em maio, a taxa ficou em 5,6%, estatisticamente estável frente aos 5,8% do trimestre encerrado em fevereiro e abaixo dos 6,2% registrados um ano antes. Os resultados indicam a permanência de um mercado de trabalho resiliente, com efeitos positivos sobre a renda e o consumo. Na atividade econômica, o IBC-Br avançou 0,1% em maio, na comparação com abril. Entre janeiro e maio, o indicador acumulou crescimento de aproximadamente 1,24% em relação ao mesmo período de 2025, sinalizando que a economia brasileira continua em expansão, embora em ritmo mais moderado. Para 2026, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central aponta expectativa de crescimento de 1,99% do PIB, projeção que permaneceu estável pela quarta semana consecutiva. Os indicadores setoriais permanecem mistos: o comércio varejista cresceu 0,1% em maio, enquanto o setor de serviços recuou 0,4% e a produção industrial caiu 0,2%. O cenário reforça a percepção de desaceleração gradual da atividade econômica, com desempenhos ainda desiguais entre os diferentes setores.
Estados Unidos: inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor recuou 0,4% em junho, mas a inflação acumulada em 12 meses permaneceu em 3,5%, acima da meta de 2% do Federal Reserve. O núcleo da inflação ficou estável no mês e acumulou alta de 2,6% em 12 meses. Nesse cenário, o Fed mantém a taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, com expectativa de manutenção na reunião desta semana, diante dos riscos de novas pressões causadas pela energia. No mercado de trabalho, foram criadas cerca de 57 mil vagas em junho, com desemprego de 4,2%, sinalizando desaceleração nas contratações. Apesar disso, a economia segue em crescimento: o PIB avançou 2,1% em ritmo anualizado no primeiro trimestre, enquanto a produção industrial cresceu 0,1% em junho. O conjunto dos dados reforça o desafio do Fed de controlar a inflação sem provocar uma desaceleração mais intensa da atividade, enquanto a manutenção dos juros elevados pode fortalecer o dólar e pressionar os custos do setor aeroagrícola brasileiro.
Impactos para o IAVAG
O cenário para o IAVAG tornou-se menos pressionado no curto prazo, principalmente pela correção recente dos preços da energia. A estabilidade do câmbio e o recuo dos indicadores de etanol também contribuem para moderar os custos acompanhados pelo índice. Entretanto, o resultado de julho será determinado pelas médias mensais e ainda refletirá as cotações mais elevadas observadas nas primeiras semanas. Dessa forma, o alívio registrado nos últimos dias pode reduzir a pressão sobre o índice, mas seus efeitos dependerão da continuidade desse movimento até o encerramento do período de apuração. A perspectiva permanece condicionada ao comportamento do heating oil, do dólar e do etanol, além da evolução das tensões geopolíticas, que ainda podem provocar mudanças rápidas nas cotações.
IAVAG nos últimos 12 meses
| jul/25 | 1,48% |
| ago/25 | -1,29% |
| set/25 | -0,68% |
| out/25 | 1,29% |
| nov/25 | -0,61% |
| dez/25 | 1,58% |
| jan/26 | 0,15% |
| fev/26 | -0,85% |
| mar/26 | 7,96% |
| abr/26 | -3,98% |
| mai/26 | -1,12% |
| jun/26 | -0,21% |
| Acumulado em 12 meses: | +3,74% | ↑ |
IAVAG — resultado de junho de 2026
O IAVAG registrou queda de 0,21% em junho de 2026, completando o terceiro mês consecutivo de recuo. Com o resultado, o acumulado do ano passou para 1,95%, enquanto a alta em 12 meses ficou em 3,74%. O principal fator de alívio em junho foi a queda de 7,43% do heating oil, que reduziu a contribuição do componente energético para o índice. O recuo de 0,4% do CPI norte-americano também exerceu influência baixista, refletindo principalmente a redução dos preços da gasolina e de outros itens de energia. Por outro lado, a valorização de 2,36% do dólar, o avanço de 0,14% do INPC e a alta de 0,70% do etanol limitaram uma queda mais intensa do índice. O resultado mostra que, embora os componentes externos tenham contribuído para o recuo do IAVAG, a pressão cambial e os preços domésticos reduziram parte desse alívio.
Comentário final
O resultado de junho confirma uma acomodação dos custos após a forte elevação registrada em março. Entretanto, o cenário de julho combina movimentos em direções opostas: o petróleo e o heating oil atingiram níveis elevados durante parte do mês, mas passaram a recuar com a redução temporária das tensões no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o câmbio relativamente estável e a queda recente do etanol representam fatores de alívio. A intensidade desses efeitos dependerá das médias mensais e da permanência dos movimentos observados nos últimos dias. Para as empresas de aviação agrícola, o cenário recomenda cautela no planejamento financeiro. Embora a pressão imediata tenha diminuído, os principais componentes do IAVAG continuam sujeitos a mudanças rápidas, especialmente diante das incertezas geopolíticas e das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim, permitindo visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados ajuda a identificar os períodos de maior volatilidade e os pontos de pressão sobre os custos da aviação agrícola.






Fonte da imagem destacada: InfoMoney.
Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

