Estado decreta emergência ambiental e alinha estratégias, enquanto brigadas aeroagrícolas entram na nona temporada de combate às chamas
Enquanto o governo de Goiás reunia, nesta terça-feira (28), órgãos públicos e instituições integrantes do Comitê Estadual de Gestão de Incêndios Florestais (CEGIF), aviões agrícolas permaneciam de prontidão no interior. O encontro, em Goiânia, alinhou estratégias para proteger reservas naturais e áreas produtivas durante os meses mais críticos da estiagem.
Nas regiões de Rio Verde, Montividiu e Quirinópolis, as brigadas organizadas pela Aerotex e pela Aerotek já receberam cerca de dez acionamentos nesta temporada. Na segunda-feira (27), foram identificados três novos focos no sudoeste goiano. As aeronaves chegaram a ser colocadas em alerta, mas não houve necessidade de decolagem.
Segundo o empresário aeroagrícola e piloto Tiago Textor, da Aerotek, o número de ocorrências ainda é considerado baixo, mas tende a aumentar com o avanço da estiagem. “A tendência é de que agosto e setembro sejam os meses mais críticos”, destaca.
As duas empresas, associadas Sindag, atendem cerca de 170 produtores rurais. A estrutura das brigadas está distribuída em três bases no Sul e no Sudoeste goiano e envolve aeronaves, veículos, pilotos, técnicos de solo e equipamentos de apoio.
Os produtores participantes dividem os custos de manutenção dessa estrutura em prontidão. Quando ocorre um acionamento, o responsável pela área atendida arca com as horas voadas.
Resposta rápida
A iniciativa das brigadas aéreas chega, em 2026, à nona temporada. Para Textor, o acúmulo de experiência entre produtores, pilotos, brigadistas e profissionais de apoio tornou a resposta mais organizada e eficiente. “O pessoal tem sido muito consciente em combater rápido, mobilizar rápido e acionar rapidamente os aviões”, afirma.

Com isso, segundo o empresário, aproximadamente 90% das ocorrências atendidas nesta temporada foram controladas em até uma hora de operação aérea. “Isso mostra a eficiência das brigadas terrestres, da união dos produtores e do apoio aéreo”, completa Textor, que também integra o Conselho de Administração do Sindag.
A estratégia é atacar as chamas ainda no início, antes que o vento, a baixa umidade e o acúmulo de vegetação seca — inclusive a palhada das lavouras — transformem pequenos focos em incêndios de grandes proporções. Os lançamentos realizados pelos aviões reduzem a intensidade do fogo e permitem que as equipes em terra se aproximem com maior segurança para concluir o combate. Em algumas situações, também ajudam a proteger os próprios brigadistas contra o avanço das chamas.
A operação conta ainda com o apoio do Corpo de Bombeiros, de associações, sindicatos rurais e moradores das regiões abrangidas. As entidades colaboram principalmente na comunicação, na identificação dos focos e na rápida mobilização dos recursos disponíveis.
Emergência ambiental
A reunião desta terça-feira, em Goiânia, foi a primeira do Comitê Estadual de Gestão de Incêndios Florestais depois da publicação do Decreto Estadual nº 10.962, na sexta-feira (24). A norma declarou emergência ambiental em todo o território goiano pelo prazo de 120 dias, com possibilidade de prorrogação.
O encontro reuniu secretarias estaduais, Corpo de Bombeiros, representantes dos municípios e instituições parceiras. Entre as medidas apresentadas pelo governo estão o reforço operacional, a compra de equipamentos, o emprego de novas tecnologias, a ampliação do monitoramento e o fortalecimento da logística destinada às regiões de maior risco.
O decreto permite a adoção de medidas emergenciais para acelerar a resposta do poder público durante o período mais seco. A norma também suspende o uso do fogo em vegetação até 31 de outubro, ressalvadas as exceções previstas na legislação.
A mobilização ocorre diante da combinação de estiagem, temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação seca, fatores que aumentam o risco de propagação das chamas. No interior, a estratégia das brigadas aeroagrícolas é impedir que um foco isolado se transforme em uma grande frente de incêndio: detectar, mobilizar e atacar o fogo o mais rapidamente possível.