Após aquisição pela Air Tractor, fabricante anunciou em live nesta terça (28) investimentos na fábrica, reforço no estoque de peças e aumento da produção em 2027
Mais peças disponíveis, maior previsibilidade nas entregas e uma linha de produção preparada para colocar mais aviões no mercado. Essa foi a sinalização da Thrush Aircraft aos operadores brasileiros nesta terça-feira (28), durante a segunda live da série Pré-Congresso AvAg, transmitida pelo canal do Sindag no YouTube.
O presidente da fabricante norte-americana, Mark McDonald, destacou que a empresa já emitiu ordens de compra aos fornecedores e de produção à fábrica para elevar em 50% o estoque de peças de reposição. A Thrush também definiu o calendário industrial de 2027, que prevê aumento na fabricação do modelo 510, embora o percentual de expansão não tenha sido especificado.
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a íntegra da apresentação
A conversa teve ainda a participação do presidente da Thrush do Brasil, Jim Cable; do vice-presidente de Financiamento de Produtos da fabricante, Arthur Lorga; e do diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle. A mediação ficou a cargo da coordenadora administrativa da entidade, Marília Schüller, que falou diretamente de Goiás, onde acompanha a montagem do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg).
Os executivos procuraram afastar dúvidas sobre o futuro da Thrush após a aquisição pela Air Tractor. Segundo McDonald, os investimentos indicam uma estratégia de longo prazo. Além do reforço nos estoques e da ampliação da produção, a fábrica de Albany, no Estado norte-americano da Geórgia, teve aprovado um orçamento superior a US$ 5 milhões para novos equipamentos industriais.
“A Air Tractor está investindo na Thrush para o longo prazo. Não se faz tudo isso para, pouco depois, promover uma grande mudança estratégica”, afirmou. McDonald contou ainda que Jim Hirsch, da Air Tractor, passou a semana anterior na fábrica de Albany e circulou pela linha de produção vestindo uma camiseta da Thrush.
CONCORRENTES
Apesar de estarem sob o mesmo controle, as duas fabricantes continuarão concorrendo diretamente, inclusive no mercado brasileiro. As equipes comerciais não compartilham estratégias de vendas, mas as empresas cooperam em áreas como cadeia de fornecedores, equipamentos, métodos de fabricação, treinamento e redução de custos.
Na prática, a Air Tractor agrega à Thrush escala industrial, capital e estrutura financeira. Já a fabricante de Albany deve preservar uma característica histórica: a capacidade de adaptar as aeronaves às necessidades de cada missão e cliente, com configurações diferenciadas de sistemas de aplicação e dispersão, motorização, aviônicos, pintura e outros opcionais.
McDonald citou o amplo espectro de trabalho dos aviões agrícolas. Em uma ponta estão aplicações para o controle de mosquitos, realizadas com volumes extremamente baixos. Na outra, operações com fertilizantes, que podem exigir elevadas taxas de aplicação e grande capacidade de dispersão. “A Thrush conquistou mercados historicamente porque estava disposta a modificar o avião para atender aos requisitos específicos de uma missão. Isso não vai mudar”, garantiu.
Brasil como prioridade
Ao responder sobre a importância do mercado brasileiro, o executivo foi direto: “Eu não posso ter uma Thrush grande se o Brasil não for grande para a Thrush.” Por isso, segundo ele, o foco está na maior rapidez no fornecimento de peças, na previsibilidade das entregas e na ampliação das opções de financiamento.
O braço financeiro Air Tractor Capital já está disponível para os clientes da Thrush e deverá oferecer alternativas também para a conversão dos aviões equipados com o motor GE H80. A fabricante não comercializa mais aeronaves novas com essa motorização. Para os modelos já em operação, oferece um kit de conversão para a configuração 510P2, com motor Pratt & Whitney PT6A-34AG e hélice de quatro pás. O serviço pode ser executado no Brasil por oficinas treinadas e autorizadas pela fábrica.
Questionada pelo público sobre combustíveis alternativos, a empresa informou que não mantém atualmente um programa específico nessa área. McDonald explicou que esse tipo de pesquisa costuma ser liderado pelos fabricantes de motores, cabendo à fabricante da aeronave adaptar e certificar os demais componentes quando necessário.
Indagado também sobre o desenvolvimento de aviões autônomos ou remotamente pilotados, os executivos não anunciaram produtos nem prazos. O presidente lembrou, no entanto, que Thrush e Air Tractor já trabalhavam separadamente com tecnologias nessa direção antes da aquisição e decidiram manter os projetos em caminhos independentes.
Segurança além da aeronave
Ao responder a uma pergunta sobre ações para ampliar a segurança das operações aeroagrícolas, McDonald afirmou que, em seus sete anos à frente da Thrush, nunca foi chamado para participar de uma investigação de acidente em que houvesse suspeita de falha da aeronave. O executivo ponderou, porém, que a segurança do equipamento não basta.
Segundo ele, o setor precisa avançar na redução da carga sobre os pilotos, no planejamento das operações, na comunicação com as equipes de solo e nos fatores humanos. “Quando um piloto atinge um fio, muitas vezes ele sabia que o fio estava lá. O que não funcionou foi a preparação da operação”, destacou.
McDonald chegará ao Brasil no dia 12 de agosto e permanecerá no País durante o Congresso AvAg, que ocorrerá de 18 a 20 de agosto, no Condomínio Aeronáutico Liberty, em Goianápolis. O dirigente convidou o público a procurá-lo durante o encontro (no estande da Thrush) para conversar diretamente e esclarecer dúvidas. Jim Cable aproveitou para destacar que a Thrush pretende promover uma atividade de treinamento em simulador durante o encontro aeroagrícola.
CALENDÁRIO
A série de lives Pré-Congresso AvAg funciona como um “esquenta” para o Congresso AvAg, com transmissões às terças-feiras nas quatro semanas que antecedem o principal encontro do setor aeroagrícola brasileiro, considerado pelo Sindag o maior do gênero no mundo. A estreia, no dia 21, foi com o tema Formação de pilotos e mecânicos, com o economista Lucas Furtado e o mecânico e professor de Ciências Aeronáuticas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, André Luiz Fernandes.
Na próxima terça-feira, 4 de agosto, o tema será EPIs e Segurança em Voo, com o diretor comercial da Delta EPIs Especiais, Clairton Viana Cleto, tenente-coronel do Exército e piloto de helicóptero. A rodada será encerrada no dia 11 de agosto, com o tema A importância da homologação do aeródromo — itens básicos para a segurança operacional, apresentado pela Flight Consultoria.
O Congresso AvAg segue com inscrições abertas e gratuitas pelo site congressoavag.org.br. Para o cadastro, é necessário um código-convite, que pode ser solicitado, também gratuitamente, junto ao Sindag ou a qualquer um dos expositores confirmados para o evento. A lista com os contatos está disponível no próprio site, onde também vale confeir a programação completa, serviços e várias outras informações sobre o evento.
Veja como foi a live: