A lei cearense é “um erro que não deve ser seguido”, destacou Amilcar Silveira, em entrevista no programa Conexão Rural, onde ainda disparou que a medida foi “uma mistura de insanidade com ideologia política”
Um relato franco e esclarecedor sobre as consequências da proibição da aviação agrícola no Ceará, a partir de 2019. Assim foi a entrevista do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, ao programa Conexão Rural na manhã desse sábado (28). “Foi um erro, que não deve ser esquecido por ninguém e nem seguido nenhum Estado”, enfatizou Amilcar, na conversa com o jornalista Alex Soares. O dirigente lembrou ainda que, como lei de proibição cita “a pulverização aérea de agrotóxicos”, ela acabou valendo até para defensivos biológicos – também considerados “agrotóxicos” pela Lei Federal 7802/89.
Confira a íntegra da entrevista no final do texto:
Para ilustrar o que ele chamou de resultado da “mistura de insanidade com ideologia política”, o presidente da Faec citou o exemplo do cultivo da banana, dominante na região da Chapada do Apodi, no sudoeste do Estado. “O Equador (segundo maior produtor mundial da fruta) utiliza 50 aplicações áreas por ano – para proteger suas bananeiras contra pragas em um clima úmido. “No Ceará (de clima semiárido) se utilizava uma ou duas (aplicações aéreas) por ano. Aí, veio a proibição das pulverizações (que começou a valer em 2019) e, ao invés de se aplicar (por aviões) apenas 20 litros de calda de defensivos por hectare, passou a ser necessário aplicar 400 litros de calda (com aplicações terrestres). Um absurdo.”
“E as bananeiras aqui são grandes, de quatro e cinco metros de altura”, sublinha Amilcar. “Aí piora, porque como colocar (o defensivo) na copa da das plantas (já que a sigatoka ataca as folhas)? Vai com pulverizador costal”, completa, referindo-se aos equipamentos onde o tanque de produto vai em uma espécie de mochila nas costas do aplicador a pé e o lançamento é feito à mão, com uma bomba ligada a uma mangueira com o esguicho na ponta.
RETORNO
Amilcar também relatou na entrevista que a Federação da Agricultura aposta no retorno das aplicações aéreas para o trato de lavouras no Ceará. Mas do que isso, está trabalhando para que isso ocorra imediatamente a partir da liberação uso de drones de pulverização no Estado. O que já tem até projeto de lei tramitando na Assembleia Legislativa cearense – PL 609/23, do deputado Osmar Baquit (PDT). Para isso, a Faec tem conversado com parlamentares e com o próprio governador Emano Freitas (PT).
Confira abaixo a íntegra da entrevista: