Jornalista Cláudio Correia conversou com o assessor jurídico do Sindag, Ricardo Vollberecht, destacando o esforço do setor pela racionalidade no primeiro programa Campo Aberto de 2024
A agricultura brasileira é uma indústria a céu aberto. Sem controle automático de umidade e temperatura e, por isso, sujeita permanentemente ao ataque de pragas e doenças – além das intempéries. Para a qual a aviação agrícola é uma ferramenta segura e necessária, mas acaba sofrendo pela praga da desinformação. Esse foi o contexto da entrevista deste sábado (6) do assessor Jurídico do Sindag, Ricardo Vollbrecht, para o jornalista Cláudio Correa. Foi no quadro Hora da Prosa, do primeiro programa Campo Aberto de 2024, pela rádio CBN Grandes Lagos, de São José do Rio Preto/SP.
Clique abaixo para ouvir a íntegra da entrevista:

Vollbrecht ressaltou o trabalho incessante do sindicato aeroagrícola em promover a racionalidade em discussões sobre a segurança no trato de lavouras. Além do esforço de levar informações corretas sobre o setor para autoridades, políticos e a própria sociedade. Ao mesmo tempo, o advogado destacou a falta de conhecimento de causa que ainda existe por parte de quem julga e quem legisla na área do agronegócio.
Sobre os desafios jurídicos desse cenário (que foram tema principal do programa), o representante do Sindag ainda advertiu: “Não podemos ser ingênuos em acreditar que isso ocorre apenas por uma vontade de proteger o meio ambiente”. Referindo-se, neste caso, a ações de cunho ideológico ou meramente político. A cultura da “lacração”, completou Correia, referindo-se à gíria popular para definir a ânsia por populismo na carona de temas polêmicos – e, portanto, sem a devida preocupação do político ou autoridade em colocar luzes sobre o assunto.
O que acaba sendo um risco não só ao País, mas também para a segurança alimentar mundial. Dado o protagonismo brasileiro da “indústria a céu aberto” brasileira para suprir boa parte das nações do Globo. “Lembrando que aqui a ‘indústria’ funciona em três turnos. Diferente, por exemplo, dos Estados Unidos (outro país com agricultura importante e que tem a maior frota aeroagrícola do planeta), onde a agricultura só consegue funcionar em dois turnos”, destacou Correia, numa alusão aos invernos longos e rigorosos do Hemisfério Norte.
CEARÁ
A entrevista trouxe à baila vantagens das aplicações aéreas, como a redução do uso de agrotóxicos. Proporcionada pela tecnologia de precisão das aeronaves, aliada à alta capacitação exigida do pessoal que opera a ferramenta (tanto pilotos quanto pessoal de solo).
E abordou ainda o exemplo do Ceará, onde a aviação agrícola foi proibida em 2019 – por uma lei cujos baseada em um suporto risco de contaminação, mas que tinha por trás uma questão fundiária. Mas cuja justificativa acabou desmontada pelo relatório da própria Secretaria de Saúde cearense: segundo o documento, os casos de intoxicações locais por agrotóxicos no aumentaram após saída da aviação agrícola.
Vollbrecht também lembrou de outro exemplo da falta de racionalidade à qual levam o discurso baseado em estereótipos sobre o setor: os relatórios da própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A série de estudos sobre contaminação de alimentos, que normalmente é citada levianamente como atestando o risco das ferramentas aéreas, prova o contrário: justamente os produtos oriundos de culturas atendidas pela aviação são os com índice zero de contaminação. Isso em toda sua série histórica.