Boletim Econômico | Corte da Selic reforça ciclo de redução dos juros, mas cautela permanece

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):R$ 5,0905| PTAX de 07/08
Inflação EUA (CPI):-0,4% no mês | junho/2026
Juros EUA (Fed):= 3,50% – 3,75% | FOMC – julho/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – estimativa preliminar
Desemprego EUA:4,1% | julho/2026
Selic (Brasil):14,00% | Copom – agosto/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres:↑ 2,0%
Petróleo WTI:3,6% – US$ 81,04 | cotação intradiária de 10/08/2026
Petróleo Brent: 3,5% – US$ 86,50 | cotação intradiária de 10/08/2026
Heating Oil:7,2% – US$ 4,19/galão | cotação intradiária de 10/08/2026
Etanol anidro (SP):↓ 0,22% – R$ 2,3091/litro | média semanal encerrada em 07/08/2026
INPC junho/2026:0,14%
INPC dos últimos 12 meses:4,33%
IAVAG – junho/2026:-0,21%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,74%

Destaque da semana

A semana foi marcada pelo novo corte da taxa Selic, que passou para 14,00% ao ano, dando continuidade ao ciclo de redução dos juros no Brasil. No mercado financeiro, o dólar apresentou oscilações e encerrou a última semana em leve alta, enquanto petróleo e Heating oil voltaram a avançar nesta segunda-feira, em meio às incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

O dólar apresentou oscilações ao longo da última semana, em meio à decisão de juros no Brasil e às mudanças no cenário externo. A PTAX iniciou agosto em R$ 5,0720 no dia 3, avançou para R$ 5,1151 na quarta-feira (5), dia da decisão do Copom, e encerrou sexta-feira (7) em R$ 5,0905.

Na comparação com o fechamento de 31 de julho, quando a PTAX estava em R$ 5,0770, houve uma alta de aproximadamente 0,27% na semana. Embora o movimento tenha sido moderado, a trajetória do câmbio continua sendo um ponto de atenção para o setor aeroagrícola, especialmente pela influência direta sobre os componentes dolarizados acompanhados pelo IAVAG.

A redução da Selic também passa a fazer parte desse cenário. Com juros brasileiros menores, o diferencial em relação às taxas externas diminui gradualmente. Esse fator, isoladamente, pode reduzir parte da atratividade dos ativos domésticos e aumentar a sensibilidade do real aos movimentos internacionais. No entanto, a Selic ainda permanece em nível elevado.

Heating oil e petróleo

O mercado de energia segue apresentando forte volatilidade, principalmente diante das incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e os riscos relacionados à oferta de petróleo e derivados.

Na sexta-feira (7), o petróleo já havia encerrado o dia em alta. O Brent avançou 1,3%, para US$ 83,55 por barril, enquanto o WTI subiu 1,15%, para US$ 78,18 por barril. Apesar da recuperação no final da semana, ambos acumularam perdas no período, após a forte queda registrada na segunda-feira anterior com a expectativa de redução das tensões envolvendo o Irã.

Nesta segunda-feira (10), entretanto, o movimento voltou a ganhar força. Durante a sessão, o Brent avançava cerca de 3,5%, para a região de US$ 86,50 por barril, enquanto o WTI subia aproximadamente 3,6%, negociado próximo de US$ 81 por barril. A valorização ocorreu após o Irã reduzir as expectativas de uma rápida normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz e reforçar condições para a reabertura da rota.

O movimento foi ainda mais intenso entre os derivados. O Heating Oil, componente de peso relevante no cálculo do IAVAG, avançava para aproximadamente US$ 4,19 por galão nesta segunda-feira, com alta superior a 7% no dia, após ter encerrado sexta-feira próximo de US$ 3,90 por galão.

Além das incertezas envolvendo Ormuz, o mercado de derivados passou a incorporar novas preocupações com a oferta após relatos de ataque à refinaria de Jazan, na Arábia Saudita. O cenário ocorre em um momento de restrições adicionais no mercado internacional de combustíveis, incluindo limitações às exportações russas de gasolina e diesel.

A forte valorização observada nesta segunda-feira mostra que, mesmo após o alívio registrado no início da semana passada, o risco energético voltou a ganhar força. Para o IAVAG, o comportamento do Heating Oil permanece como um dos principais pontos de atenção, já que a manutenção das cotações em níveis elevados pode voltar a exercer pressão sobre o índice.

Etanol

No mercado paulista, o Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ ficou em R$ 2,3091 por litro entre 3 e 7 de agosto, com queda de 0,22% frente à semana anterior.

O resultado dá continuidade à trajetória de redução registrada nas últimas semanas. Entre 27 e 31 de julho, o indicador já havia recuado 2,71%, após queda de 2,60% na semana anterior.

A continuidade desse movimento representa um fator de alívio para os custos monitorados pelo IAVAG, embora o resultado mensal dependa da média das cotações apuradas durante todo o mês de agosto.

Inflação e juros no Brasil

Na semana anterior, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização da política monetária. Foi o quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. Desde o início do ciclo de redução, em março, a taxa passou de 15,00% para 14,00% ao ano, acumulando queda de 1 ponto percentual.

A decisão ocorreu em um cenário de desaceleração gradual da inflação e de moderação da atividade econômica. Apesar da nova redução, o Banco Central manteve uma postura cautelosa e indicou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação, das expectativas, da atividade econômica e do cenário externo.

Em junho, o IPCA avançou 0,16%, enquanto o INPC, indicador que integra o cálculo do IAVAG, registrou alta de 0,14%. Nesta semana, as atenções se voltam para a divulgação dos dados de inflação de julho, que ajudarão a definir as expectativas para as próximas decisões do Copom.

Para os próximos meses, a expectativa é de continuidade gradual do ciclo de redução dos juros, embora o ritmo permaneça condicionado ao comportamento da inflação e das expectativas. O mercado projeta a Selic em 13,75% ao final de 2026, o que indicaria espaço para pelo menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual em relação ao patamar atual.

Para as empresas do setor aeroagrícola, a redução gradual dos juros tende a favorecer, ao longo do tempo, as condições de crédito, financiamento de aeronaves e equipamentos e capital de giro. Entretanto, com a Selic ainda em 14,00% ao ano, as condições financeiras permanecem restritivas e os efeitos dos cortes sobre o custo efetivo do crédito devem ocorrer de forma gradual.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

Os indicadores econômicos apresentam sinais mistos. Enquanto alguns setores mostram perda de ritmo, o mercado de trabalho continua relativamente aquecido.

A taxa de desocupação ficou em 5,4% no trimestre encerrado em junho, abaixo dos 6,1% observados no primeiro trimestre de 2026. O resultado mantém o desemprego em patamar historicamente baixo e indica resiliência do mercado de trabalho.

Por outro lado, o mercado financeiro revisou nesta semana a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 1,99% para 1,98%, segundo o Focus. Embora o ajuste seja pequeno, ele reforça a expectativa de desaceleração gradual da atividade econômica diante dos efeitos acumulados do período prolongado de juros elevados.

A redução gradual da Selic tende a aliviar as condições financeiras nos próximos meses, podendo contribuir para a recuperação do consumo e dos investimentos. Contudo, os efeitos da política monetária sobre a atividade ocorrem com defasagem.

Estados Unidos: inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve, em sua reunião de 28 e 29 de julho, a faixa da taxa básica de juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. O banco central norte-americano continua avaliando os riscos associados à inflação e à atividade antes de promover novos ajustes na política monetária.

A inflação norte-americana apresentou queda de 0,4% em junho, principalmente devido à redução de 5,7% nos preços de energia e de 9,7% na gasolina. Em 12 meses, entretanto, o CPI acumulou alta de 3,5%, mantendo a inflação acima do nível considerado compatível com a meta do Federal Reserve.

No mercado de trabalho, os dados de julho mostraram redução de 23 mil postos de trabalho fora do setor agrícola, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%. O resultado mais fraco do emprego aumentou a atenção dos mercados sobre os próximos passos do Fed.

Nesta semana, o principal indicador será o CPI de julho, com divulgação prevista para quarta-feira, 12 de agosto. O resultado poderá alterar as expectativas para a política monetária norte-americana e, consequentemente, influenciar dólar, petróleo e mercados globais.

Impactos para o IAVAG

O cenário desta semana apresenta sinais mistos para os custos acompanhados pelo IAVAG.

Por um lado, a continuidade da queda do etanol anidro e o recuo observado no Heating oil durante parte da última semana atuam como fatores de alívio. O câmbio também permanece relativamente próximo do patamar observado no fechamento de julho.

Por outro lado, a retomada da valorização do petróleo e do Heating oil nesta segunda-feira mostra que o risco energético continua sendo o principal ponto de atenção, especialmente diante das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz.

O corte da Selic, embora positivo para a atividade econômica e para o custo do crédito no médio prazo, também merece acompanhamento sob a ótica cambial. Caso o ciclo de redução dos juros brasileiros avance enquanto os Estados Unidos mantêm suas taxas elevadas, o menor diferencial de juros pode aumentar a volatilidade do real e, consequentemente, dos componentes dolarizados do IAVAG.

Além disso, a divulgação do INPC de julho nesta terça-feira será importante para completar a leitura dos principais componentes domésticos do índice.

IAVAG nos últimos 12 meses

jul/251,48%
ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
Acumulado em 12 meses:+3,74% | ↑

IAVAG — resultado de junho de 2026

O IAVAG registrou queda de 0,21% em junho, completando o terceiro mês consecutivo de recuo. Com o resultado, o acumulado em 2026 passou de 2,16% para 1,95%, enquanto a variação acumulada em 12 meses alcançou 3,74%.

O principal vetor de alívio foi o heating oil, que recuou 7,43%. A inflação dos Estados Unidos também contribuiu para o resultado, com queda mensal de 0,4% em junho.

Em sentido contrário, o dólar apresentou valorização de 2,36%, enquanto o INPC avançou 0,14% e o etanol subiu 0,70%. Esses componentes limitaram uma redução mais intensa do índice.

Comentário final

O novo corte da Selic confirma que o Brasil entrou em uma fase de redução gradual dos juros, apoiada pela melhora recente dos indicadores de inflação e pelos primeiros sinais de desaceleração da atividade econômica.

Apesar disso, a taxa de 14% ao ano ainda representa uma política monetária bastante restritiva. O Banco Central sinaliza que pretende conduzir esse processo com cautela, especialmente diante das expectativas de inflação ainda acima da meta e das incertezas fiscais e externas.

Para o setor da aviação agrícola, o cenário combina uma perspectiva mais favorável para as condições de crédito com a necessidade de atenção redobrada ao câmbio e, principalmente, ao mercado de energia. Neste momento, a evolução das negociações no Oriente Médio e o comportamento do Heating oil continuam sendo os principais riscos para os custos operacionais acompanhados pelo IAVAG.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Money Times.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia