Boletim Econômico | Dólar chega à casa dos R$ 5,20 e etanol anidro mantém trajetória de valorização

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑  R$ 5,21 | (PTAX)
Inflação EUA (CPI):0,4% no mês | agosto/2026
Juros EUA (Fed):↑ 3,75% – 4,00% | FOMC – setembro/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – segunda estimativa
Desemprego EUA:4,1% | agosto/2026
Selic (Brasil):↓ 13,75% | Copom – setembro/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:↑0,66% – US$ 93,02/barril | 28/09/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: ↑1,44% – US$ 105,82/barril |  28/09/2026 – Trading Economics
Heating Oil:↑2,16% – US$ 4,79/galão | 28/09/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↑ 4,77% – R$ 3,0516/litro | média semanal encerrada em 25/09/2026
INPC agosto/2026:-0,32%
INPC dos últimos 12 meses:3,98%
IAVAG – agosto/2026:2,83%
IAVAG – últimos 12 meses:+7,52%

Destaque da Semana

A última semana de setembro começa com novos movimentos nos indicadores acompanhados pelo setor. O dólar voltou a ganhar força e ultrapassou R$ 5,21 na PTAX, enquanto o etanol anidro manteve a trajetória de valorização no mercado paulista. No mercado internacional de energia, petróleo e derivados seguem bastante voláteis em meio às tensões no Oriente Médio, embora o heating oil esteja abaixo das máximas registradas ao longo do mês.

No cenário doméstico, a prévia da inflação acelerou em setembro e o Boletim Focus voltou a elevar a expectativa para o IPCA de 2026, ao mesmo tempo em que reduziu a projeção de crescimento da economia.

Confira nos blocos a seguir os detalhes dos principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

Câmbio | Dólar volta a superar R$ 5,21

O dólar voltou a ganhar força nos últimos pregões. A PTAX de venda encerrou esta segunda-feira (28) em R$ 5,2132, acima dos R$ 5,1991 registrados na sexta-feira (25). Na comparação com o encerramento de agosto, de aproximadamente R$ 5,18, a moeda norte-americana também se encontra em patamar superior.

O movimento representa uma mudança importante em relação ao início da semana passada, quando a PTAX chegou a R$ 5,1117. Desde então, o dólar recuperou terreno e voltou a representar um ponto de atenção para o acompanhamento dos custos dolarizados.

No Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, a expectativa para o dólar no encerramento de 2026 permaneceu em R$ 5,20, projeção que está estável há várias semanas.

Para o IAVAG, o comportamento recente do câmbio merece acompanhamento principalmente nos últimos pregões de setembro. A cotação atual está acima da referência do encerramento de agosto, mas o resultado definitivo dependerá do fechamento mensal da série cambial adotada no cálculo do índice.

Energia | Heating oil recua das máximas, mas permanece acima de agosto

O mercado internacional de energia continua apresentando elevada volatilidade. Nesta segunda-feira (28), os dados mais recentes do Trading Economics mostravam o WTI próximo de US$ 93,02 por barril e o Brent em torno de US$ 105,82, enquanto as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã seguem influenciando as cotações.

O heating oil, componente diretamente utilizado no cálculo do IAVAG, estava em aproximadamente US$ 4,79 por galão nesta segunda-feira, segundo o Trading Economics. O patamar representa forte redução frente às máximas superiores a US$ 5 observadas durante setembro, mas permanece acima dos US$ 4,4106/galão registrados no encerramento de agosto.

A diferença entre a cotação atual e o encerramento do mês passado está próxima de 8%, indicando que parte da forte pressão observada anteriormente foi devolvida. Com poucos pregões restantes em setembro, o fechamento do heating oil será determinante para estabelecer a contribuição efetiva do componente na próxima apuração do IAVAG.

Etanol | Anidro avança 4,77% e mantém trajetória de valorização

O etanol anidro, principal referência para a leitura do mercado, manteve a trajetória de valorização na última semana. Segundo o indicador CEPEA/ESALQ, o preço passou de R$ 2,9128 para R$ 3,0516 por litro entre 21 e 25 de setembro, avanço de 4,77%, dando continuidade ao movimento de alta observado nas últimas semanas.

A valorização ocorre em um período de menor ritmo de processamento da cana no Centro-Sul, com as chuvas interferindo nas atividades de colheita e moagem e trazendo maior atenção para a disponibilidade do produto no mercado.

Para o cálculo do IAVAG, a referência utilizada é o Indicador Semanal do Etanol Hidratado Outros Fins CEPEA/ESALQ – São Paulo. Na semana de 21 a 25 de setembro, o indicador ficou em R$ 2,7049 por litro, alta de 0,17% frente aos R$ 2,7004 por litro da semana anterior.

Embora a variação semanal tenha sido pequena, o indicador permanece em patamar elevado quando comparado ao encerramento de agosto, quando estava em R$ 2,3212 por litro. Entre as duas referências, a valorização é de aproximadamente 16,5%, mantendo o componente como um importante ponto de atenção para a próxima apuração do IAVAG.

A continuidade da valorização do anidro reforça a leitura de firmeza no mercado de etanol, enquanto o indicador de hidratado outros fins, utilizado diretamente no IAVAG, apresenta estabilidade na última semana, mas permanece significativamente acima do nível observado no fechamento de agosto.

Inflação e juros | Prévia da inflação acelera e Focus eleva projeção para 2026

A prévia da inflação brasileira voltou ao campo positivo. O IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, depois da queda de 0,40% registrada em agosto. O indicador acumula 3,82% em 2026 e 4,47% em 12 meses. A energia elétrica residencial, com alta de 7,42%, foi o principal impacto individual do resultado, influenciada pelo fim do efeito do Bônus de Itaipu observado no mês anterior.

O dado contribuiu para nova revisão das expectativas de inflação. No Focus desta segunda-feira, a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, segunda elevação consecutiva.

A Selic permanece em 13,75% ao ano, após o corte realizado pelo Copom em setembro. Para o encerramento de 2026, o Focus manteve a expectativa em 13,50% ao ano. Na ata da última reunião, o Banco Central destacou a moderação gradual da atividade, mas ressaltou que as expectativas de inflação continuam acima da meta e que os riscos permanecem elevados.

Para o IAVAG, o INPC continua sendo o indicador doméstico diretamente considerado no cálculo. O último resultado disponível é o de agosto, de -0,32%; portanto, ainda será necessário aguardar a divulgação do dado de setembro para completar a próxima apuração.

Atividade econômica | Focus reduz novamente projeção para o PIB

As expectativas para a atividade econômica brasileira foram novamente revisadas para baixo. O Focus reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026 de 1,88% para 1,86%, terceira revisão negativa consecutiva. Há quatro semanas, a expectativa estava em 1,92%.

Nos dados realizados, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, desacelerando frente ao avanço de 1,1% observado no primeiro trimestre. O crescimento acumulado em quatro trimestres ficou em 1,9%. O Banco Central também avalia que os indicadores recentes mostram moderação gradual da atividade, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.

No mercado de trabalho, o último resultado disponível aponta taxa de desemprego de 5,4% no segundo trimestre. Uma nova divulgação da PNAD Contínua está prevista para esta terça-feira (29).

Estados Unidos | Juros maiores e inflação seguem no centro das atenções

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou em setembro a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. Na decisão, o banco central norte-americano avaliou que a atividade econômica segue em ritmo sólido, enquanto a inflação permanece elevada.

Entre os indicadores mais recentes, o CPI avançou 0,4% em agosto, após alta de 0,1% em julho, e acumulou 3,4% em 12 meses. A energia contribuiu para a aceleração, com a gasolina registrando alta de 3,9% no mês.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego permaneceu em 4,1% em agosto, enquanto foram criados 162 mil postos de trabalho no período. Os números de setembro ainda não estão disponíveis e serão divulgados nos próximos dias.

Em relação à atividade econômica, a estimativa mais recente aponta crescimento anualizado de 1,5% do PIB no segundo trimestre, abaixo dos 2,1% registrados no primeiro trimestre. Uma nova estimativa para o segundo trimestre será divulgada nesta semana, em 30 de setembro, podendo atualizar essa leitura.

O cenário norte-americano permanece relevante para o acompanhamento do IAVAG, principalmente pelos possíveis reflexos dos juros, da inflação e da atividade econômica sobre o dólar e os mercados internacionais de energia.

Impactos para o próximo resultado do IAVAG

Os movimentos mais recentes mostram diferentes intensidades de pressão entre os componentes acompanhados pelo IAVAG. No bloco de energia, o heating oil perdeu parte da forte valorização registrada ao longo de setembro, reduzindo a pressão observada anteriormente, embora ainda permaneça acima do nível registrado no encerramento de agosto.

No etanol, o cenário continua exigindo atenção. O anidro mantém trajetória de valorização, sinalizando firmeza no mercado, enquanto o Etanol Hidratado Outros Fins CEPEA/ESALQ – São Paulo, componente utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, apresentou pouca variação na última semana, mas permanece cerca de 16,5% acima do nível observado no encerramento de agosto.

O câmbio também voltou a atuar no sentido de pressão nos últimos pregões. Depois de recuar durante boa parte de setembro, o dólar retornou à casa dos R$ 5,20 e a PTAX desta segunda-feira ficou acima da referência do encerramento de agosto.

Com setembro próximo do encerramento, os próximos fechamentos serão importantes para consolidar os movimentos de heating oil e câmbio, enquanto a evolução do etanol já indica uma pressão mais consistente em relação ao mês anterior. O resultado do INPC de setembro ainda será divulgado posteriormente e completará os dados necessários para a próxima apuração. Assim, os movimentos atuais permitem identificar pressões principalmente vindas do etanol e, mais recentemente, do câmbio, enquanto o heating oil devolveu parte da forte alta observada durante o mês. Ainda assim, é necessário aguardar os valores de fechamento para determinar a contribuição efetiva de cada componente e o resultado final do próximo IAVAG.

IAVAG | Índice acumula 7,52% em 12 meses

O último resultado consolidado permanece o de agosto. O IAVAG avançou 2,83% no mês, levando o acumulado de 2026 para 5,91%.

Em 12 meses, o índice passou de 3,39% em julho para 7,52% em agosto, refletindo tanto o avanço mensal quanto a alteração da base de comparação.

O resultado reforçou a influência dos movimentos de energia, etanol, câmbio e inflação sobre os custos acompanhados pelo setor aeroagrícola.

IAVAG nos últimos 12 meses

set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
Ago/262,83%
Acumulado em 12 meses:+7,52%

Comentário final

A reta final de setembro mostra um cenário mais equilibrado do que aquele observado no meio do mês, mas ainda marcado por elevada volatilidade. A redução da pressão sobre os derivados de petróleo trouxe algum alívio, enquanto a valorização do dólar e a firmeza do mercado de etanol passaram a exigir maior atenção.

No ambiente macroeconômico, a elevação das expectativas de inflação e a redução das projeções para o crescimento brasileiro acrescentam cautela à leitura dos próximos meses. No exterior, juros mais elevados nos Estados Unidos e as incertezas geopolíticas continuam capazes de provocar mudanças rápidas no câmbio e nas commodities.

Com setembro próximo do encerramento, os próximos pregões serão decisivos para consolidar os movimentos que efetivamente entrarão na próxima apuração do IAVAG, especialmente no câmbio e no heating oil.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Iprofesional.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia