Boletim Econômico | Dólar recua enquanto mercado avalia PIB e aguarda inflação no Brasil e nos EUA

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑ R$ 5,0856 | (PTAX)
Inflação EUA (CPI):0,1% no mês | julho/2026
Juros EUA (Fed):3,50% – 3,75% | FOMC – julho/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – segunda estimativa
Desemprego EUA:4,1% | Agosto/2026
Selic (Brasil):↓ 14,00% | Copom – agosto/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:↑ 1,43% – US$ 92,79/barril | 08/09/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: ↑ 0,83% – US$ 97,97/barril |  08/09/2026 – Trading Economics
Heating Oil:↑ 2,06% – US$ 4,63/galão | 08/09/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↑ 6,85% – R$ 2,7829/litro | média semanal encerrada em 04/09/2026
INPC julho/2026:-0,01%
INPC dos últimos 12 meses:4,10%
IAVAG – julho/2026:1,14%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,39%

Destaque da Semana

O dólar recuou em relação ao fechamento de agosto, enquanto o mercado repercute o crescimento de 0,5% do PIB brasileiro no segundo trimestre e aguarda novos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.

No cenário externo, os dados mais fortes do mercado de trabalho norte-americano aumentaram a atenção sobre a próxima decisão do Federal Reserve. Paralelamente, petróleo e derivados permanecem em patamares elevados diante das tensões no Oriente Médio.

Confira nos blocos a seguir os principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

Câmbio | Dólar recua para a faixa de R$ 5,08

O dólar apresentou recuo em relação aos níveis observados no final de agosto. A PTAX passou de aproximadamente R$ 5,18 no encerramento de agosto para R$ 5,0856 nesta terça-feira (8), representando queda próxima de 2% no período.

Na semana passada, a moeda norte-americana reagiu à divulgação de dados mais fortes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que elevaram as apostas em uma possível alta dos juros pelo Federal Reserve. Parte desse movimento perdeu força à medida que os investidores passaram a aguardar os novos indicadores de inflação norte-americanos.

No Brasil, a manutenção dos juros em patamar elevado contribui para um diferencial de taxas ainda favorável ao real. Em sentido contrário, as tensões geopolíticas e a valorização do petróleo permanecem como fontes de volatilidade para os mercados.

Segundo o Boletim Focus, a projeção para o dólar no encerramento de 2026 permanece em R$ 5,20, indicando que o mercado ainda projeta alguma depreciação da moeda brasileira em relação ao nível atual.

Para o IAVAG, a valorização recente do real representa um movimento favorável. Caso seja mantida até o fechamento de setembro, o câmbio poderá exercer pressão de baixa sobre o índice.

Heating oil e petróleo | Tensões mantêm cotações elevadas

O mercado internacional de energia continua sob influência das tensões no Oriente Médio, embora deixe de ser o principal destaque desta edição.

Nesta terça-feira (8), o WTI era negociado a US$ 92,79 por barril, alta de 1,43%, enquanto o Brent alcançava US$ 97,97 por barril, avanço de 0,83%.

O heating oil, componente diretamente utilizado no cálculo do IAVAG, estava próximo de US$ 4,63 por galão, com alta de 2,06%.

As preocupações relacionadas à oferta e ao transporte de petróleo na região continuam sustentando um prêmio de risco nas cotações. Ao mesmo tempo, a utilização de rotas alternativas e a expansão da produção fora da Opep ajudam a limitar uma escalada ainda maior dos preços.

Para o setor aeroagrícola, o heating oil continua sendo o principal indicador de energia a ser acompanhado. Sua permanência em níveis elevados até o encerramento do mês poderá representar pressão de alta sobre a próxima apuração do IAVAG.

Etanol | Hidratado e anidro registram valorização

O mercado paulista de etanol apresentou forte valorização na semana encerrada em 4 de setembro.

O indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado avançou 3,79%, passando de R$ 2,3116 para R$ 2,3991 por litro. O etanol anidro apresentou alta ainda maior, de 6,85%, passando de R$ 2,6046 para R$ 2,7829 por litro.

A alta simultânea dos dois indicadores sinaliza recuperação dos preços no mercado paulista e merece acompanhamento nas próximas semanas.

Para o IAVAG, a atenção está principalmente no etanol hidratado, utilizado diretamente no cálculo do índice. O anidro funciona como referência complementar para compreender o comportamento mais amplo do mercado de etanol. Caso o movimento de valorização persista ao longo de setembro, o componente poderá voltar a exercer pressão de alta sobre o índice.

Inflação e juros no Brasil | Mercado aguarda dados de agosto

A atenção do mercado doméstico se volta nesta semana para os novos resultados de inflação, que serão importantes para avaliar a trajetória dos preços e os próximos passos da política monetária.

O último resultado disponível do INPC, referente a julho, apresentou variação de -0,01%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses ficou em 4,10%.

Para o IPCA, as expectativas apontam para possibilidade de deflação em agosto, influenciada principalmente pelo comportamento dos preços de energia elétrica.

No Boletim Focus, a projeção para o IPCA de 2026 recuou de 5,01% para 5,00%, sinalizando pequena melhora nas expectativas de inflação.

A Selic está atualmente em 14,00% ao ano, após a redução promovida pelo Copom em agosto. Para o encerramento de 2026, o Focus mantém a expectativa de 13,75%, o que indica expectativa de espaço limitado para uma nova redução dos juros até o final do ano.

Os próximos números de inflação serão, portanto, importantes para avaliar se o processo de desinflação continua avançando e qual poderá ser o ritmo da política monetária nos próximos meses.

Atividade econômica | PIB cresce 0,5%, acima das expectativas

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, superando a expectativa de aproximadamente 0,4% do mercado.

Apesar da surpresa positiva, o resultado representa desaceleração frente ao crescimento de 1,1% registrado no primeiro trimestre.

Entre os setores, a agropecuária avançou 2,8%, apresentando desempenho relevante para a atividade econômica, enquanto indústria e serviços registraram crescimento mais moderado.

Pela ótica da demanda, um dos principais pontos de atenção foi o recuo de 0,4% no consumo das famílias. O resultado sinaliza que os juros ainda elevados começam a produzir efeitos mais evidentes sobre consumo e crédito.

No acumulado dos quatro trimestres encerrados em junho, o PIB cresceu 1,9%.

Após a divulgação dos novos dados, o Boletim Focus elevou ligeiramente a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, de 1,92% para 1,93%.

O resultado mostra que a economia brasileira continua crescendo, mas em ritmo mais moderado. Para o setor aeroagrícola, o desempenho positivo da agropecuária também merece destaque diante de sua importância para a demanda e para a atividade econômica ligada ao agronegócio.

Estados Unidos | Mercado de trabalho surpreende e aumenta atenção sobre os juros

O mercado de trabalho norte-americano apresentou resultado significativamente mais forte que o esperado em agosto.

A economia dos Estados Unidos criou 162 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola, muito acima das aproximadamente 56 mil esperadas pelo mercado e o maior avanço dos últimos cinco meses.

A taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, mesmo com a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho. A força de trabalho aumentou em aproximadamente 683 mil pessoas, enquanto a taxa de participação passou de 61,4% para 61,6%. O número de pessoas ocupadas também cresceu em cerca de 569 mil.

Os salários, por outro lado, apresentaram comportamento mais moderado. O rendimento médio por hora avançou 3,1% em 12 meses, abaixo dos 3,2% registrados anteriormente, reduzindo parte das preocupações com pressões inflacionárias provenientes do mercado de trabalho.

Os números reforçaram a percepção de resistência da economia norte-americana. Após a divulgação, o mercado passou a atribuir cerca de 60% de probabilidade a uma elevação de 0,25 ponto percentual dos juros pelo Federal Reserve, ante uma probabilidade próxima de 50% antes do relatório.

Atualmente, os Fed Funds permanecem no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.

A decisão, entretanto, ainda está em aberto. Nesta semana, os investidores aguardam os novos resultados do PPI e do CPI de agosto, que serão as últimas grandes referências de inflação antes da próxima reunião do Federal Reserve.

Caso a inflação surpreenda para cima, o mercado poderá reforçar as apostas em nova elevação dos juros. Uma leitura mais moderada, por outro lado, poderá favorecer a manutenção da taxa atual.

A decisão do Fed também é relevante para o Brasil. Juros norte-americanos mais elevados tendem a aumentar a atratividade dos ativos denominados em dólar e podem limitar a recente valorização do real, com possíveis reflexos sobre o câmbio.

Impactos para o IAVAG | Componentes apresentam movimentos distintos

Os primeiros movimentos de setembro mostram forças em direções opostas entre os principais componentes do IAVAG.

O heating oil permanece em patamar elevado, enquanto o etanol hidratado avançou 3,79% na última semana, configurando potenciais vetores de pressão de alta.

Em sentido contrário, o recuo do dólar para R$ 5,0805 representa um importante fator de compensação. Caso a valorização do real seja mantida até o fechamento de setembro, o componente cambial poderá reduzir parte da pressão proveniente dos custos de energia e etanol.

Os novos resultados do INPC brasileiro e do CPI norte-americano também serão importantes para completar a leitura dos componentes de inflação.

Neste momento, ainda é cedo para estabelecer uma direção definitiva para a próxima apuração. O comportamento e, principalmente, os valores de fechamento mensal do dólar, heating oil e etanol serão determinantes para definir a intensidade do movimento do índice.

IAVAG nos últimos 12 meses

ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
Acumulado em 12 meses:+3,39%

IAVAG | Índice avançou 1,14% em julho

O IAVAG registrou alta de 1,14% em julho de 2026, interrompendo três meses consecutivos de queda.

No acumulado de 2026, o índice registra alta de 3,09%, enquanto nos últimos 12 meses acumula 3,39%.

Os primeiros movimentos de setembro mostram uma composição diferente entre os principais componentes. Enquanto energia e etanol permanecem pressionados, a valorização recente do real pode atuar como fator de compensação.

A evolução desses componentes até o fechamento do mês será determinante para avaliar a direção da próxima apuração.

Comentário final

A semana apresenta um cenário mais equilibrado entre sinais favoráveis e fatores de risco. A valorização recente do real e a continuidade do crescimento da economia brasileira contrastam com sinais de desaceleração da demanda doméstica e com um ambiente internacional ainda marcado por incertezas relacionadas à inflação, juros e geopolítica.

Os próximos dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos ganham importância por poderem alterar as expectativas de política monetária e, consequentemente, influenciar o comportamento do câmbio e dos custos internacionais nas próximas semanas.

Para o setor aeroagrícola, esse cenário reforça a importância de acompanhar não apenas as oscilações pontuais dos indicadores, mas a persistência desses movimentos e seus efeitos sobre a estrutura de custos do setor.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: InfoMoney.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia