BOLETIM ECONÔMICO | DÓLAR SE MANTÉM ELEVADO E PETRÓLEO DESPENCA COM SINAIS DE DIPLOMACIA

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↑R$ 5,4929     | (PTAX) 03/11
Inflação EUA (CPI):0,6% no mês | setembro/2026
Juros EUA (Fed):3,75% – 4,00% (mantida) | FOMC – outubro/2026
PIB EUA:↑ 3,4% | 3º trimestre/2026 – estimativa preliminar
Desemprego EUA:4,2% | setembro/2026
Selic (Brasil):13,75% | Copom – setembro/2026
PIB Brasil trimestral:↑0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:↓ 7,99% – US$ 88,41/barril | 04/11/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: ↓ 8,44% – US$ 94,86/barril | 04/11/2026 – Trading Economics
Heating Oil:↓ 6,75% – US$ 4,2246/galão | 04/11/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↑ 0,14% – R$ 3,3997/litro | média semanal encerrada em 30/10/2026
INPC setembro/2026:+0,82%
INPC dos últimos 12 meses:4,29%
IAVAG – setembro/2026:+2,84%
IAVAG – últimos 12 meses:+11,03%

DESTAQUE DA SEMANA

O dólar voltou a subir após o feriado: a PTAX de compra fechou a terça-feira (3) em R$ 5,4929, alta de 1,33% sobre sexta-feira (30). Já o petróleo cai pela terceira sessão seguida e recua cerca de 8% nesta quarta-feira (4), com a perspectiva de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. O etanol anidro ficou estável (+0,14%) na semana encerrada em 30 de outubro, e o Focus elevou as projeções para o dólar, a inflação e a Selic.

O Copom anuncia nesta quarta-feira (4), às 18h30 (horário de Brasília), a decisão sobre a Selic, hoje em 13,75% ao ano. A próxima decisão do Federal Reserve será em 9 de dezembro.

Confira nos blocos a seguir os detalhes dos principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

CÂMBIO | DÓLAR RETOMA ALTA E FOCUS ELEVA PROJEÇÃO PARA R$ 5,34

A taxa de câmbio PTAX de compra registrou R$ 5,4929 por dólar em 3 de novembro, alta de 1,33% em relação aos R$ 5,4206 de sexta-feira (30) e praticamente estável (−0,13%) frente aos R$ 5,4998 da segunda-feira anterior (26), primeiro pregão após o segundo turno. Durante a manhã de terça, o dólar à vista chegou a se aproximar de R$ 5,50. Nesta quarta-feira (4), a moeda opera próxima de R$ 5,49, com leve alívio após o resultado das eleições americanas, à espera do Copom.

A alta de terça reflete o ajuste após o feriado, a expectativa pela decisão do Copom e as notícias sobre a composição da equipe econômica do novo mandato. No exterior, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e a incerteza sobre um acordo entre Washington e Teerã mantêm os investidores cautelosos.

No Focus de 3 de novembro, a projeção para o dólar ao final de 2026 subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34, e a de 2027, de R$ 5,15 para R$ 5,40. A pesquisa foi coletada até sexta-feira (30) e já incorpora a alta pós-eleição, mas a cotação de hoje segue acima dessas projeções.

Para o setor aeroagrícola, o real mais desvalorizado encarece peças, equipamentos e outros insumos vinculados à moeda americana, o que exige atenção nas compras e na renegociação de contratos dolarizados.

ENERGIA | PETRÓLEO SOBE CERCA DE 15% EM OUTUBRO, MAS DEVOLVE OS GANHOS NO INÍCIO DE NOVEMBRO

Segundo o Trading Economics, o petróleo encerrou outubro em forte alta: na sexta-feira (30), o Brent fechou a US$ 113,43 por barril e o WTI, a US$ 104,12, com valorização de cerca de 15% no mês. Em novembro, o movimento se inverteu, com três sessões seguidas de queda. Nesta quarta-feira (4), o Brent era cotado a US$ 94,86 por barril (−8,44%) e o WTI, a US$ 88,41 (−7,99%), cerca de 16% e 15% abaixo do fechamento de outubro, respectivamente. A queda reflete a perspectiva de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã e a retomada dos embarques no Golfo, que elevou a oferta do Oriente Médio acima da demanda de curto prazo.

O heating oil, componente utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, fechou outubro a US$ 4,6761 por galão, praticamente estável (−0,26%) em relação ao fechamento de setembro, de US$ 4,6881. Nesta quarta-feira, é cotado a US$ 4,2246 (−6,75%), 9,66% abaixo do fechamento de outubro. As oscilações internacionais não são repassadas de forma imediata ou proporcional aos combustíveis adquiridos pelas empresas.

ETANOL | ANIDRO FICA ESTÁVEL NA SEMANA ENCERRADA EM 30/10, APÓS FORTE ALTA

O etanol anidro registrou alta de 0,14% na semana de 26 a 30 de outubro, passando de R$ 3,3950 para R$ 3,3997 por litro, conforme o indicador CEPEA/ESALQ para São Paulo. Foi a terceira alta semanal consecutiva, mas em ritmo bem menor que o da semana anterior (+10,14%).

Com esse resultado, o anidro encerrou outubro cerca de 11% acima do valor da semana encerrada em 2 de outubro (R$ 3,0579 por litro). O mercado segue sustentado pelas chuvas que atrasam a moagem da cana no Centro-Sul, restringindo a oferta, e pela demanda aquecida.

Para o setor aeroagrícola, o comportamento do etanol é um sinal de atenção sobre os custos dos combustíveis, embora as variações do mercado não sejam repassadas de forma imediata ou proporcional aos preços pagos pelas empresas.

INFLAÇÃO E JUROS NO BRASIL | MERCADO ELEVA PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO E SELIC ÀS VÉSPERAS DO COPOM

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,82% em setembro, após queda de 0,32% em agosto. Segundo o IBGE, o indicador acumulou 4,01% no ano e 4,29% nos últimos 12 meses. Os alimentos passaram de recuo de 0,34% para alta de 0,80%, e os itens não alimentícios, de queda de 0,31% para aumento de 0,83%.

O IPCA, índice oficial de inflação do país, também subiu 0,82% em setembro e acumulou 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta de 4,50%.

No Focus de 3 de novembro, o primeiro com projeções coletadas após a eleição (a edição de 26 de outubro havia sido coletada até a sexta-feira anterior ao segundo turno), a projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,19% para 5,22%, e a de 2027, de 4,34% para 4,76%, terceira alta seguida. A expectativa para a Selic ao final de 2026 passou de 13,25% para 13,50% ao ano, e a de 2027, de 11,75% para 12,50%.

A Selic está em 13,75% ao ano desde setembro. O Copom se reúne nos dias 3 e 4 de novembro, com decisão anunciada nesta quarta-feira (4), às 18h30; a última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro. Com a projeção de 13,50% para o fim do ano, o mercado passou a prever apenas um corte de 0,25 ponto até dezembro.

Para a aviação agrícola, o INPC integra diretamente o cálculo do IAVAG, e a Selic influencia o custo do capital de giro e dos financiamentos.

ATIVIDADE ECONÔMICA BRASILEIRA | FOCUS REDUZ PIB E DESEMPREGO CAI A 5,2% NO 3º TRIMESTRE

No Focus desta semana, a projeção de crescimento do PIB em 2026 foi reduzida de 1,80% para 1,76%, e a de 2027, de 1,31% para 1,20%, terceira queda seguida. O último resultado do IBGE, referente ao 2º trimestre, mostrou alta de 0,5% sobre o trimestre anterior e de 1,9% no acumulado em quatro trimestres, com a agropecuária crescendo 2,8% no período.

No mercado de trabalho, a PNAD Contínua do IBGE, divulgada na sexta-feira (30), mostrou taxa de desocupação de 5,2% no 3º trimestre de 2026, abaixo dos 5,4% do 2º trimestre (período de referência do último PIB) e dos 5,6% do mesmo trimestre de 2025. É o menor nível para o período desde o início da série, em 2012. O número de desocupados caiu para 5,63 milhões, e a população ocupada chegou a 103,6 milhões, recorde da pesquisa.

O mercado de trabalho aquecido sustenta a renda e o consumo, mas as revisões para baixo no crescimento reforçam a importância de avaliar novos investimentos considerando a demanda prevista, o custo do crédito e a disponibilidade de caixa.

ESTADOS UNIDOS | FED MANTÉM JUROS, MAS DEIXA PORTA ABERTA PARA ALTA EM DEZEMBRO

O Federal Reserve manteve, na quarta-feira (28), a taxa de juros entre 3,75% e 4,00% ao ano, em decisão por 10 votos a 2. Os dois votos divergentes defendiam alta de 0,25 ponto percentual. O comunicado indicou que a inflação segue elevada e que novos aumentos podem ocorrer, dependendo dos próximos dados. A próxima decisão está marcada para 9 de dezembro.

O BEA informou que o PIB americano cresceu 3,4% (taxa anualizada) no 3º trimestre, na estimativa preliminar, acima dos 2,2% do 2º trimestre e das expectativas. O PCE, índice de inflação usado pelo Federal Reserve como principal referência, subiu 0,5% em setembro e 3,6% em 12 meses. O CPI, índice que entra no cálculo do IAVAG, subiu 0,6% em setembro, segundo o BLS.

Para a aviação agrícola brasileira, juros elevados nos Estados Unidos tendem a sustentar o dólar, com reflexos sobre os custos vinculados ao câmbio. A inflação americana persistente também pressiona o componente CPI do IAVAG.

IMPACTOS PARA O IAVAG | OUTUBRO FECHA COM PRESSÃO DO CÂMBIO; NOVEMBRO COMEÇA COM DÓLAR EM ALTA E HEATING OIL EM QUEDA

Com o encerramento de outubro, três componentes de mercado já têm suas referências definidas. A PTAX de compra fechou o mês em R$ 5,4206, 4,64% acima da referência de setembro (R$ 5,1803). O heating oil fechou em US$ 4,6761 por galão, 0,26% abaixo dos US$ 4,6881 de setembro. O Etanol Hidratado Outros Fins (CEPEA/ESALQ – SP) registrou R$ 2,7681 por litro na semana de 26 a 30 de outubro, alta de 2,34% sobre os R$ 2,7049 da última semana de setembro (21 a 25/09). Faltam o INPC (IBGE) e o CPI (BLS) de outubro, que entram pela variação mensal.

Na parcial de novembro, a PTAX de compra de R$ 5,4929 (03/11) está 1,33% acima da referência de outubro, enquanto o heating oil, cotado a US$ 4,2246 nesta quarta-feira (4), está 9,66% abaixo.

O IAVAG de outubro deve indicar pressão de alta concentrada no câmbio, com contribuição menor do etanol e neutralidade do heating oil; o resultado final depende do INPC, do CPI e da aplicação dos pesos de cada componente.

IAVAG | ÚLTIMO RESULTADO APONTA ALTA DE 11,03% EM 12 MESES

Conforme o último resultado apresentado, o Índice de Inflação da Aviação Agrícola registrou alta de 2,84% em setembro, acumulando 8,76% em 2026 e 11,03% nos últimos 12 meses.

Na apuração mensal, o etanol apresentou a maior valorização percentual entre os componentes, com avanço de 16,53%, seguido pelo heating oil, com alta de 6,29%. O INPC e o CPI americano também registraram aumentos, enquanto o dólar permaneceu praticamente estável.

O resultado de setembro permanece como a referência mais recente do índice até a apuração de outubro.

out/251,29%
nov/25-0,60%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
ago/262,83%
Set/262,84%
Acumulado em 12 meses:+11,03%

COMENTÁRIO FINAL

Outubro terminou com o câmbio como principal vetor de pressão sobre os custos da aviação agrícola, e o início de novembro mantém o dólar elevado, enquanto o petróleo segue em correção, dependente do rumo das negociações no Oriente Médio. A decisão do Copom pode alterar o comportamento do dólar e dos juros.

Para as empresas aeroagrícolas, acompanhar as despesas vinculadas ao dólar, o custo efetivo dos abastecimentos e as condições de financiamento ajuda a preservar as margens. O IAVAG oferece uma referência para essa avaliação e deve ser analisado em conjunto com a estrutura de custos de cada empresa.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola.

Fonte da imagem destacada: CPG – Click petróleo e gás.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, Reuters, Bloomberg, CNBC e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia