Programa da NAAA e da NAAREF vai reforçar a capacitação prática, após mudar de nome e consolidar uma tendência de educação continuada que também vem ganhando espaço no Brasil
A principal certificação profissional voluntária de pilotos agrícolas dos Estados Unidos terá novos requisitos a partir do ano que vem. Os pilotos que desejarem obter o selo de Certified Aerial Applicator (CAA) precisarão comprovar pelo menos duas horas de treinamento prático de voo com instrutor ou em simulador certificado, além de outras seis horas de capacitação em segurança operacional. As mudanças foram anunciadas neste mês pela Associação Nacional de Aviação Agrícola do país (NAAA, na sigla em inglês).
As mudanças se somam às atualizações implantadas neste ano no programa, lançado em 2023 pela NAAA em parceria com a Fundação Nacional de Pesquisa e Educação em Aviação Agrícola (NAAREF). A nova sigla é uma simplificação do antigo C-PAASS, de Certified Professional Aerial Applicator Safety Steward, que pode ser traduzido como Aplicador Aéreo Profissional Certificado em Segurança Operacional.
Segundo a NAAA, a mudança busca tornar a credencial mais facilmente reconhecida por produtores rurais, seguradoras, fabricantes de insumos, autoridades regulatórias e pelo próprio mercado, valorizando a imagem dos pilotos certificados. As novas regras marcam também uma mudança de enfoque da certificação, que até agora se concentrava principalmente na participação periódica em cursos e programas de aperfeiçoamento técnico.
Outra novidade a partir de janeiro será a validade da certificação, que passará a ser bianual (hoje é anual). Permanecerá obrigatória, porém, a participação anual em programas considerados estratégicos pela entidade, como o Professional Aerial Applicators’ Support System (PAASS), principal programa de educação continuada da aviação agrícola norte-americana, além da filiação tanto à NAAA quanto à entidade aeroagrícola de seu Estado.
REQUISITOS
Os requisitos para que os pilotos obtenham o selo CAA incluem ainda treinamentos específicos para prevenir colisões com fios e obstáculos, além de temas ligados a fatores humanos e condições meteorológicas adversas. Outro requisito é a participação no Operation S.A.F.E. (Self-Regulating Application and Flight Efficiency).
Trata-se de um programa de avaliação técnica — com tecnologia semelhante à existente no Brasil — em que o operador leva sua aeronave para uma verificação com equipamentos de alta precisão. Especialistas analisam a qualidade da pulverização, a uniformidade da faixa aplicada, o espectro de gotas e outros parâmetros do sistema de aplicação, orientando eventuais ajustes e validando o desempenho do equipamento.
Todas essas exigências são baseadas no Agricultural Airman Guidelines (AAG), elaborado pela NAAA para servir como referência de competências para pilotos agrícolas, tanto em relação aos requisitos do regulamento federal norte-americano (Part 137) quanto à atualização profissional ao longo da carreira.
Como é no Brasil
No Hemisfério de cá do planeta, além do mercado brasileiro também dispor de tecnologias como a empregada no Operation S.A.F.E. dos norte-americanos, o País tem a segunda maior frota do segmento no mundo, mas a que mais voa — já que aqui o clima permite até três safras ao ano. Nesse cenário, o equivalente institucional mais próximo ao CAA norte-americano é a Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS), criada em 2013 e coordenada pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf), com apoio de universidades e entidades como o Sindag e o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag).
Assim como a iniciativa norte-americana, trata-se de uma certificação voluntária voltada à promoção das boas práticas, da segurança operacional e da melhoria contínua no setor. A principal diferença é que o CAA reconhece individualmente o piloto que cumpre um conjunto de requisitos de qualificação profissional, enquanto o CAS certifica a empresa aeroagrícola, avaliando o cumprimento da legislação, a adoção de boas práticas, a capacitação das equipes, o uso de tecnologias de aplicação e procedimentos voltados à segurança e à sustentabilidade.
Embora certifiquem objetos diferentes — o CAA reconhece o piloto e o CAS a empresa aeroagrícola, ambos compartilham o mesmo objetivo: estimular, de forma voluntária, uma cultura permanente de qualificação, segurança operacional e boas práticas no setor.
Além do CAS, o Sindag e o Ibravag também desenvolvem outras ações voltadas ao aperfeiçoamento contínuo dos profissionais e das empresas. Caso do Curso de Atualização de Pilotos Agrícolas, lançado em 2023 — no mesmo ano em que surgiu o C-PAASS nos Estados Unidos. Em 2026, o programa ganhou sua primeira versão online, reunindo, em uma única turma, cerca de 10% dos pilotos agrícolas com licença válida no País.
Ensino e pesquisa
Da mesma forma, o Sindag promove desde 2022 quatro turmas do MBA em Gestão, Inovação e Sustentabilidade Aeroagrícola. Desenvolvido em parceria com universidades, o curso tem duração de 13 meses e carga horária de 360 horas, abrangendo temas como gestão, liderança, sustentabilidade e inovação. A entidade também realiza as Academias de Segurança Operacional na Manutenção e de Segurança de Voo Aeroagrícola, além de seminários voltados à gestão financeira, tecnologia de aplicação, drones, combate a incêndios e atualização regulatória.
Outro destaque é o Congresso Científico da Aviação Agrícola, que incentiva a produção de pesquisas acadêmicas sobre o setor por especialistas de todo o País. Os trabalhos são apresentados e premiados durante o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (Congresso AvAg), que terá sua próxima edição de 18 a 20 de agosto, em Goianápolis (GO). Reunindo empresários, pilotos, pesquisadores, fabricantes, autoridades e especialistas de toda a cadeia aeroagrícola brasileira.
