Estado do Paraná em Situação de Emergência contra o greening

Doença é a principal praga da citricultura, já chegou a 148 municípios no Estado e tem a aviação agrícola como uma ferramenta importante para o combate eficiente ao seu inseto transmissor

O Estado do Paraná está em Situação de Emergência Fitossanitária por conta do greening, a principal doença da cultura de cítricos e que desde o primeiro semestre de 2023 vem devastando pomares no Estado. O Decreto nº 4.502/23, assinado pelo governador Ratinho Júnior e pelos secretários estaduais de Desenvolvimento Sustentável, Valdemar Jorge, e pede Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, foi publicado no dia 26 de dezembro, no Diário Oficial do Estado. O objetivo é dar maior abrangência e agilidade no combate à doença e seu vetor, o Diaphorina citri Kuwayama, um inseto psilídeo (espécie de cigarrinha).

O greening, ou huanglongbing (HLB) é causado pela bactéria Candidatus Liberibacter spp., que é inoculada na planta quando o psilídeo se alimenta de sua seiva. As ações de combate ao problema abrangem o monitoramento de  plantios para identificação precoce da doença, erradicação das plantas hospedeiras, aplicação de defensivos químicos e controle biológico do vetor. Lembrando que, no caso da aplicação de defensivos, a aviação agrícola acaba assumindo papel importante justamente pela sua velocidade e precisão. Já que consegue cobrir em poucas horas grandes propriedades e realizar todo o tratamento antes que os insetos possam migrar para áreas vizinhas. Com estudos já comprovando também a eficiência dos drones agrícolas nesse tipo de operação.

A doença greening não tem cura, nem variedade resistente de planta resistente. Quando contaminadas, as plantas novas não chegam a produzir e as plantas adultas tornam-se improdutivas dentro de 2 a 5 anos. Além da eliminação do inseto transmissor (pelas aplicações de defensivos), as ações de combate à doença abrangem a erradicação de plantas doentes – seja pomares em áreas produtivas ou plantas isoladas em propriedades particulares ou públicas. E, segundo o decreto de Emergência, inclusive em áreas de preservação.

O aumento anormal da incidência de greening no Paraná havia sido detectado ainda no primeiro semestre de 2023. Em julho, o Estado chegou a uma Nota Técnica para orientar os produtores sobre como prevenir e combater a doença. No mês seguinte, começou a Operação Big Citros, com foco em conscientização, fiscalização e reforço de ações no campo, o que incluiu a publicação do folder Todos Contra o Greening. Em dezembro, a doença já tinha sido confirmada em 148 municípios paranaenses, especialmente nas regiões norte e nordeste do Estado.   

PRODUÇÃO

Para se ter uma ideia da importância da cultura, a área ocupada pela citricultura no Estado abrange cerca de 29,2 mil hectares (20,7 mil ha de laranjas, 7 mil ha de tangerinas e 1.500 ha de limão), com uma produção de 842,4 mil toneladas e atingindo o Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 826,8 milhões – segundo dados no próprio Decreto de Emergência do Estado. Destacam-se na produção (também segundo o governo estadual) os municípios de Paranavaí, Alto Paraná, Guairaçá, Nova Esperança e Cruzeiro do Oeste, com produção de laranja; Altônia, com produção de limão, e os municípios de Cerro Azul e Doutor Ulisses, com a produção de tangerina.

O Paraná é o terceiro maior produtor brasileiro de frutas cítricas, atrás de São Paulo e Minas Gerais. Já o Brasil é o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da China e à frente da união Europeia. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab, ligada ao Ministério da Agricultura), na safra de 2020/21, o Brasil foi responsável por 32,8 % da produção mundial de citros e por 62% do volume global de suco de laranja.

POMARES: doença coloca em risco uma cultura que responde no Paraná por um valor bruto de produção de R$ 826,8 milhões – foto: Gilson Abreu (AEN-PR)