Dado completa notícia dos 149 novos aviões na frota do País em 2023, em meio ao anúncio pelo governo brasileiro de lavouras atendidas pelo setor tendo contribuído com crescimento histórico do PIB
O Brasil foi o destino de mais de um terço (36,7%) dos aviões agrícolas fabricados no ano passado nos Estados Unidos, pela Air Tractor e pela Thrush Aircraft. O cálculo leva em conta os números finais de entregas de aeronaves de 2023, fechados na última semana de fevereiro pela Associação dos Fabricantes de Aviação Geral (GAMA, na sigla em inglês). E confirmam a importância do setor aeroagrícola brasileiro como o segundo maior mercado das fabricantes estrangeiras.
Na divisão na ponta da linha, a marca texana entregou 196 aviões para seus clientes domésticos e no restante do mundo (38% deles enviados no Brasil). Já a fabricante do Estado da Georgia entregou 33 aeronaves (37% delas para operadores daqui). Os números confirmam a importância do setor aeroagrícola brasileiro como o segundo maior mercado das fabricantes estrangeiras turboélices.
Os dados também completam as informações divulgadas em janeiro pelo Sindag, quando a entidade anunciou a entrada de 149 aviões agrícolas novos no País. Conta que inclui 65 aviões modelo Ipanema 203, de motor a pistão, entregues pela fabricante brasileira Embraer.
INTERESSE
O desempenho das fabricantes estrangeiras no Brasil aumentou pelo menos desde 2011, quando operadores aeroagrícolas daqui intensificaram a busca por aeronaves turboélices – maiores e de maior desempenho. Por sua vez, sensíveis a uma tendência de maior aposta em tecnologia aeroagrícola por parte dos produtores. Com foco em produtividade – maior rendimento na lavoura em avançar a fronteira agrícola.
Essa conjuntura aparece em dados da Embrapa. Segundo os quais foi a partir de 2000 que o agro brasileiro passou a garantir o suprimento interno regularmente e passou a avançar significativamente para conquista do mercado internacional. Tanto que, em 2001, o País atingiu a marca de 100 milhões de toneladas de grãos, cultivando 38 milhões de hectares.
No setor aeroagrícola, em 2004 a Embraer (que no início dos anos 1970 já fabricava o avião agrícola Ipanema) lançou a versão EMB-202 A, sexta geração do modelo. Desde então, o Ipanema (que está em sua sétima geração) sai de fábrica movido etanol.
Não por acaso, foi em 2010 que a frota aeroagrícola do país passou de 1 mil aeronaves (1.021 aparelhos). De lá para cá, enquanto os turboélices seguem entrando em maior número, o Ipanema continua respondendo por mais da metade de todas as marcas na frota brasileira e é responsável direto por cerca de um terço dos aviões em lavouras do País serem movidos a etanol.
Paralelo a isso, ainda segundo a Embrapa, 2023 fechou rompendo a marca das 300 milhões de toneladas de grãos colhidas, em 77 milhões de hectares – produção triplicou e área produzida dobrou. Sem o avanço de tecnologias (como a aviação), seriam necessários 114 milhões de hectares para atingir a mesma produção.
No mesmo ano, segundo dados divulgados na última quinta-feira (1º de março), pelo Ministério da Agricultura, o setor agropecuário cresceu 15,1% em 2023. Uma riqueza de R$ 677,6 bilhões, a maior alta entre as atividades econômicas e que refletiu diretamente no incremento de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do País. Mais do que isso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o crescimento do agro foi o maior desde o início da série histórica da pesquisa, em 1995.
Aliás, ainda segundo o IBGE, alta que veio principalmente do crescimento da produção e ganho de produtividade da atividade Agricultura. Conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), várias culturas registraram crescimento de produção no ano de 2023, tendo como destaque a soja (27,1%) e o milho (19,0%), que alcançaram produções recordes na série histórica – e são historicamente atendidas pela aviação agrícola.


