25 de fevereiro de 2026
Brasil registra 2.866 aeronaves agrícolas
Relatório referente a 20205 foi lançado nesta quarta (24), durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em Capão do Leão (RS)
O Brasil encerrou 2025 com 2.866 aeronaves agrícolas tripuladas registradas, consolidando crescimento de 5,25% em relação ao levantamento anterior e confirmando uma trajetória consistente de expansão ao longo da última década. O dado integra a Análise da Frota Aeroagrícola Brasileira de Aviões e Helicópteros 2025, lançada oficialmente nesta quarta-feira (24), durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, na Estação Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão (RS).
Elaborado pelo diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, o estudo reafirma a aviação agrícola como infraestrutura estratégica do agronegócio brasileiro. Segundo o diretor-executivo da entidade, Gabriel Colle, os dados vão além do crescimento numérico. “Eles revelam transformações estruturais no setor, como o avanço da profissionalização das operações, a consolidação dos serviços especializados e a modernização gradual da frota”, destacou.
Com o novo levantamento, o Brasil mantém a posição de segunda maior potência mundial da aviação agrícola, atrás apenas dos Estados Unidos, que tem cerca de 3,6 mil aeronaves em operação no segmento. Além disso, o País se consolida como principal mercado internacional de aeronaves agrícolas, conforme relatório recente da General Aviation Manufacturers Association (GAMA).
A série histórica mostra que o crescimento não é recente. Em 2009, o Brasil possuía 1.498 aeronaves agrícolas. Mesmo diante de crises econômicas, instabilidade política e dos impactos da pandemia de Covid-19, o setor manteve expansão gradual. A aceleração mais significativa ocorreu a partir de 2022, acompanhando o fortalecimento do agronegócio e a ampliação da demanda por aplicações aéreas em grandes áreas de cultivo.
O estudo aponta também uma mudança estrutural no perfil operacional da frota. Atualmente, cerca de 62,9% das aeronaves estão vinculadas aos Serviços Aéreos Especializados (SAE), empresas que prestam serviços a produtores rurais. Já aproximadamente 35,7% pertencem a operadores privados (TPP), categoria que engloba agricultores que operam seus próprios aviões em suas fazendas, sem atendimento a terceiros.
Entre 2023 e 2025, houve migração líquida de 119 aeronaves do modelo privado para o sistema de prestação de serviços. O movimento é interpretado como sinal de profissionalização, ganho de escala e adaptação às exigências regulatórias crescentes.
Mato Grosso amplia liderança
A distribuição regional da frota acompanha o mapa da produção agrícola brasileira. Mato Grosso lidera com 803 aeronaves em 2025. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (398), São Paulo (328) e Goiás (320). Juntos, esses quatro estados concentram mais da metade da frota nacional, com Mato Grosso respondendo sozinho por cerca de 27,5% do total.
A expansão acompanha principalmente culturas de larga escala, como soja, milho e algodão, que exigem rapidez na aplicação e alta produtividade por hora de voo.
Do ponto de vista tecnológico, a frota apresenta equilíbrio entre indústria nacional e importada: 51% das aeronaves são produzidas no Brasil e 49% são importadas. A Embraer mantém liderança histórica, sustentada principalmente por modelos movidos a etanol — tecnologia que transformou o Brasil em referência internacional no segmento. Paralelamente, cresce a presença de aeronaves turboélice estrangeiras, especialmente da norte-americana Air Tractor, impulsionadas por maior capacidade de carga e eficiência operacional.
Outro marco de 2025 é o registro do primeiro avião agrícola autônomo no ambiente regulado brasileiro, o Pyka Pelican. Embora represente apenas uma unidade na frota atual, o registro simboliza o início de uma nova etapa tecnológica, marcada pela convivência progressiva entre sistemas tripulados e autônomos em um dos maiores mercados do mundo.

