Diretor Gabriel Colle conversou com o jornalista Valdecir Cremon sobre a falta de lógica do projeto da bancada do PT e o seu risco para a economia e a própria segurança no campo no Estado
O esforço do Sindag para levar racionalidade ao debate sobre o uso de agrotóxicos (sejam eles químicos ou biológicos) nas lavouras do Mato Grosso do Sul e os mitos por trás do projeto de lei (PL) que tenta proibir as ferramentas aéreas (aviões e drones) no Estado. Esses foram temas abordados na entrevista do diretor-executivo do sindicato aeroagrícola, Gabriel Colle, ao jornalista Valdecir Cremon, para o portal Agro BR. Em uma matéria que foi ao ar ainda no final de dezembro.
Confira no final do texto a íntegra do vídeo
Colle destacou o cunho ideológico do PL 201/23, da banca do PT na Assembleia Legislativa do Estado, lembrando que o documento é, na verdade, um copia-e-cola de projetos semelhantes, apresentados em outros Estados (e já derrubados em diversos deles). E que têm por trás, na verdade, uma luta contra o agronegócio, onde a aviação agrícola foi escolhida como bandeira. O que explica, por exemplo, o fato do projeto basear a justificativa em dados gerais sobre uso de agrotóxicos, informações genéricas sobre casos de intoxicação (com números que não têm a ver com a forma de aplicação em si) e atribuindo tudo à aviação.
O dirigente aeroagrícola também chamou a atenção para “um verdadeiro terrorismo”, com dados apresentados de forma mentirosa e inclusive usando falsamente o nome da Embrapa como fonte das informações. Quando não só as informações mencionadas já foram desmentidas e, mais do que isso, a própria Embrapa já emitiu uma Nota Técnica destacando a segurança das ferramentas aéreas – nota essa resultado de um estudo de três anos em parceria com o Sindag e que foi a maior pesquisa até hoje realizada no País sobre tecnologias de aplicação.
“A aviação é classificada como aplicação de precisão. Usa entre três cinco litros de produto para cobrir uma área de 10 mil metros quadrados”, destacou Colle. Que ainda reiterou que, na prática, “o fim da pulverização aérea acarretaria o uso de mais produtos químicos”. Lembrando ainda que o uso de aviões também abre espaço para o maior uso de produtos biológicos, quando possível. “O Sindag tem falado com deputados, apresentando material de universidades e rebatendo (com fontes originais) as alegações contra o setor”, reiterou Colle. Boa parte das informações, aliás, contidas também o documento Aviação Agrícola: segurança e importância x fatos e mitos, acessível no site do Sindag – confira clicando AQUI .
ENTIDADES
Presidente da Associação dos Criadores do Estado (Acrisul), Guilherme Bumlai, também conversou com Cremon. Ele destacou que o projeto tende a prejudicar muito o agronegócio no Estado. “O avião é ferramenta indispensável no agro para o combate de pragas em situações de emergência, tendo em vista a facilidade e a velocidade com que as aplicações aéreas são feitas”, ponderou. Bumlai falou ainda que a entidade está reforçando aos deputados a necessidade de ampliar o debate. Lembrando que, além de atuar na semeadura de pastagens (inclusive recuperando áreas degradadas), a aviação agrícola tem forte atuação em lavouras como soja e milho – que, além de comodities importantes para o próprio Estado, são produtos presentes em grande parte da ração de aves e rebanhos bovinos e suínos.
O jornalista tentou conversar sobre o tema també02m com o autor do projeto, deputado Pedro Kemp (que assinou a proposta junto com os parlamentares petistas Gleice Jane e Zeca do PT), mas ele não respondeu ao pedido de entrevista. Já a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul) respondeu por nota ao Agro BR, dizendo que “acompanha com preocupação o caso”. A entidade havia participado, em agosto, de uma reunião com o relator do PL 201/23 na Comissão de Constituição, Justiça e Redação da Assembleia (CCJR), Pedro Pedrossian Neto (PSD). Na ocasião, a comitiva – que teve o Sindag, Associações de Produtores de Bioenergia (Biosul), dos Produtores de Algodão (Ampasul) e de Soja do Estado (Aprosoja-MS), além do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea/MS), Fundação MS para a Pesquisa e Difusão de Tecnologias Agropecuárias e da Mossmann Assessoria e Consultoria Aeroagrícola – apresentaram estudos comprovando o evento catastrófico que uma eventual aprovação do projeto teria sobre lavouras essenciais ao Estado.
Confira abaixo a íntegra do programa:
https://youtu.be/ww94KkjSzIU