Além da planta que entra em operação este ano em Santiago, no centro do Estado, outro projeto deve sair do papel até 2025 em Passo Fundo, no norte gaúcho, barateando o custo do biocombustível
A aviação agrícola gaúcha pode ser um dos principais setores beneficiado pela entrada em funcionamento (prevista para este neste início de 2024) da primeira usina de etanol feito a partir de trigo no Brasil. A unidade tem capacidade de produzir 12 milhões de litros anuais do biocombustível, também a partir de centeio, cevada e milho. Ela foi construída no Município de Santiago, na região central do Estado, em um investimento de R$ 75 milhões da empresa CB Bioenergia, com R$ 35 milhões em incentivos fiscais por parte do governo Estadual
Atualmente, o Rio Grande do Sul produz apenas 1% do etanol que consome. Com isso, a compra do biocombustível de outros Estados torna o produto mais caro para os gaúchos, eliminando a vantagem econômica de seu uso tanto em aeronaves agrícolas quanto em automóveis. O que se espera que possa ser revertido a partir de agora – aliás, com a meta de que pelo menos 50% dessa demanda esteja sendo atendida até o final da década.
Expectativas sobre o qual o próprio prefeito de Santiago, Tiago Gorski Lacerda, havia que havia conversado em 2022 com o diretor-operacional do Sindag, Gabriel Colle. Isso durante uma visita do dirigente municipal (no início daquele ano) à sede do sindicato aeroagrícola, em Porto Alegre. Na ocasião, Lacerda ressaltou que o projeto da usina prevê possibilidade de se expandir a produção para até 80 milhões de litros anuais de etanol.
Além disso, o empreendimento deve impulsionar a produção de grãos no Estado. Lembrando que o Rio Grande do Sul já é o maior produtor de trigo, com 1,5 milhão de hectares de área plantada e produção de 4,5 milhões de toneladas do grão. Além de ser estar em sétimo lugar no ranking do milho, mas com uma produção de mais de 7 milhões de toneladas do grão em pouco menos de 840 mil hectares da cultura. E, de quebra, a usina em Santiago deve beneficiar também a pecuária, pelo aproveitamento dos resíduos e moagem de grãos na fabricação de ração animal.

EMPREENDIMENTO: usina em Santiago deve ajudar a baratear custo do etanol no RS, além de incentivar o aumento da produção de grãos no Estado
FROTA E SEGUNDA PLANTA
No caso da aviação, vale lembrar que o Rio Grande do Sul possui a segunda maior frota aeroagrícola do Brasil, com mais de 400 aeronaves, segundo registros na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A apesar de em nível nacional pelo menos um terço de frota ser movida a etanol, esse percentual não se reflete entre os operadores gaúchos. Justamente por causa do custo maior do biocombustível em relação a Estados com grande quantidade de usinas e produção de cana-de-açúcar, como São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Aliás, não só o empreendimento de Santiago, já que há outro empreendimento ainda maior, previsto para sair do papel até 2025 em Passo Fundo, no Norte gaúcho. Neste caso, o projeto é da empresa gaúcha Be8 (antiga BSBios), que no último mês de agosto havia anunciado a intenção de investir R$ 556 milhões em uma planta com capacidade para produzir até 220 milhões de litros de etanol por ano. Tendo como matérias-primas culturas de inverno como milho, trigo, triticale, arroz e sorgo.