BOLETIM ECONÔMICO | ETANOL MUDA DE DIREÇÃO E PETRÓLEO SEGUE SOB TENSÃO INTERNACIONAL

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):↓R$ 5,0558     | (PTAX) 19/10
Inflação EUA (CPI):0,6% no mês | setembro/2026
Juros EUA (Fed):↑3,75% – 4,00% | FOMC – setembro/2026
PIB EUA:2,2% | 2º trimestre/2026 – terceira estimativa
Desemprego EUA:4,2% | setembro/2026
Selic (Brasil):↓13,75% | Copom – setembro/2026
PIB Brasil trimestral:↑0,5% | 2º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres: 1,9%
Petróleo WTI:↑2,16% – US$ 103,56/barril | 19/10/2026 – Trading Economics
Petróleo Brent: ↓0,94% – US$ 109,34/barril | 19/10/2026 – Trading Economics
Heating Oil:↑0,54% – US$ 4,93/galão | 19/10/2026 – Trading Economics
Etanol anidro (SP):↑0,96% – R$ 3,0824/litro | média semanal encerrada em 16/10/2026
INPC setembro/2026:+0,82%
INPC dos últimos 12 meses:4,29%
IAVAG – setembro/2026:+2,84%
IAVAG – últimos 12 meses:+11,03%

DESTAQUE DA SEMANA

O etanol voltou a subir no mercado paulista, enquanto as tensões internacionais mantêm a volatilidade do petróleo e dos derivados, renovando a atenção sobre os custos da aviação agrícola.

No Brasil, o Focus manteve a projeção de inflação e reduziu a expectativa de crescimento econômico para 2026, reforçando a importância do planejamento financeiro das empresas.

Confira nos blocos a seguir os detalhes dos principais movimentos da semana e seus possíveis impactos sobre o IAVAG.

CÂMBIO | DÓLAR PERMANECE PRÓXIMO DE R$ 5,05

A taxa de câmbio PTAX de compra registrou R$ 5,0558 por dólar em 19 de outubro. Essa referência deve ser mantida nas comparações do boletim, assegurando consistência com a série acompanhada no cálculo do IAVAG.

No Focus de 19 de outubro, a projeção para o dólar ao final de 2026 recuou de R$ 5,15 para R$ 5,13.

Para o setor aeroagrícola, as oscilações cambiais influenciam os gastos com peças, equipamentos e outros insumos vinculados à moeda americana. A evolução do câmbio até o encerramento de outubro será relevante para a próxima apuração do IAVAG.

ENERGIA | PETRÓLEO E DERIVADOS SEGUEM SOB INFLUÊNCIA DAS TENSÕES INTERNACIONAIS

O mercado internacional de energia iniciou a semana com volatilidade, diante das preocupações com possíveis interrupções no fornecimento de petróleo e das restrições ao transporte marítimo no Oriente Médio.

Na consulta realizada nesta segunda-feira (19), o petróleo WTI era cotado próximo de US$ 103,56 por barril, enquanto o Brent registrava aproximadamente US$ 109,34 por barril, conforme o Trading Economics. As tensões na região e os riscos às rotas de exportação continuam influenciando os preços.

O heating oil, componente utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, apresentava cotação próxima de US$ 4,93 por galão. O comportamento dos derivados permanece relevante para o setor aeroagrícola, embora as oscilações internacionais não sejam repassadas de forma imediata ou proporcional aos combustíveis adquiridos pelas empresas.

ETANOL | PREÇOS VOLTAM A SUBIR NO MERCADO PAULISTA

O etanol anidro apresentou alta de 0,96% na semana de 12 a 16 de outubro, passando de R$ 3,0532 para R$ 3,0824 por litro, conforme o indicador CEPEA/ESALQ para São Paulo. O movimento reverteu o pequeno recuo registrado na semana anterior.

O Indicador Semanal do Etanol Hidratado Outros Fins CEPEA/ESALQ — São Paulo, utilizado diretamente no cálculo do IAVAG, também avançou. A cotação passou de R$ 2,6163 para R$ 2,6772 por litro, registrando valorização de 2,33%.

A alta interrompeu duas semanas consecutivas de queda. Apesar da recuperação, o indicador permaneceu abaixo dos R$ 2,7049 por litro registrados na semana encerrada em 25 de setembro.

A retomada da valorização dos dois indicadores mostra que a acomodação recente dos preços ainda não representa uma tendência consolidada para outubro, mantendo a atenção sobre os custos dos combustíveis no setor aeroagrícola.

INFLAÇÃO E JUROS NO BRASIL | EXPECTATIVAS DE INFLAÇÃO E JUROS PERMANECEM ESTÁVEIS PARA 2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 0,82% em setembro, após queda de 0,32% em agosto. Segundo o IBGE, o indicador acumulou 4,01% no ano e 4,29% nos últimos 12 meses.

O resultado refletiu a reversão das quedas observadas no mês anterior. Os alimentos passaram de recuo de 0,34% para alta de 0,80%, enquanto os itens não alimentícios passaram de queda de 0,31% para aumento de 0,83%. Assim, os dois segmentos contribuíram para a aceleração do índice.

No Focus de 19 de outubro, a projeção para o IPCA de 2026 permaneceu em 5,22%, e a expectativa para a Selic ao final do ano foi mantida em 13,25% ao ano. Esses números representam projeções do mercado, enquanto o resultado do INPC corresponde à inflação já observada em setembro.

Para a aviação agrícola, o INPC integra diretamente o cálculo do IAVAG. As condições de juros também influenciam o capital de giro e os custos de financiamento das empresas.

ATIVIDADE ECONÔMICA BRASILEIRA | MERCADO REDUZ EXPECTATIVA DE CRESCIMENTO

A projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026 foi reduzida de 1,85% para 1,83% no Focus desta semana. Para 2027, a estimativa passou de 1,40% para 1,32%.

As revisões apontam para uma expansão mais moderada da economia. Para as empresas, esse cenário reforça a importância de avaliar novos investimentos considerando a demanda prevista, as condições de crédito e a disponibilidade de caixa.

ESTADOS UNIDOS | INFLAÇÃO MANTÉM ATENÇÃO SOBRE OS JUROS

A inflação americana continua sendo um dos principais fatores acompanhados pelos mercados. O CPI avançou 0,60% em setembro e acumulou alta de 3,70% em 12 meses, acima dos 3,40% registrados em agosto.

O resultado mantém a atenção sobre as próximas decisões do Federal Reserve. A persistência da inflação pode sustentar condições monetárias restritivas, com possíveis reflexos sobre o dólar e os fluxos internacionais de capital.

Para a aviação agrícola brasileira, esses efeitos podem alcançar tanto os custos vinculados ao câmbio quanto o mercado internacional de combustíveis.

IMPACTOS PARA O IAVAG | OUTUBRO APRESENTA MOVIMENTOS DISTINTOS

A recuperação semanal do Etanol Hidratado Outros Fins reduz parte do alívio observado no início de outubro. Contudo, uma alta semanal não significa, por si só, variação positiva no fechamento mensal.

O mesmo cuidado se aplica ao câmbio e ao heating oil. Suas oscilações ao longo do mês ajudam a acompanhar o cenário, mas a apuração deve considerar os valores de referência do encerramento de outubro em comparação com os utilizados no fechamento de setembro.

Dessa forma, ainda não há elementos suficientes para antecipar o sinal ou a magnitude do próximo IAVAG. O resultado dependerá da evolução conjunta dos componentes e da aplicação dos respectivos pesos.

IAVAG | ÚLTIMO RESULTADO APONTA ALTA DE 11,03% EM 12 MESES

Conforme o resultado apresentado na edição anterior, o Índice de Inflação da Aviação Agrícola registrou alta de 2,84% em setembro, acumulando 8,76% em 2026 e 11,03% nos últimos 12 meses.

Na apuração mensal, o etanol apresentou a maior valorização percentual entre os componentes, com avanço de 16,53%, seguido pelo heating oil, com alta de 6,29%. O INPC e o CPI americano também registraram aumentos, enquanto o dólar permaneceu praticamente estável.

O resultado de setembro permanece como a referência mais recente do índice. Os movimentos observados durante outubro ainda são parciais e não constituem um novo resultado do IAVAG.

out/251,29%
nov/25-0,60%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
jul/261,14%
ago/262,83%
Set/262,84%
Acumulado em 12 meses:+11,03%

COMENTÁRIO FINAL

A recuperação dos preços do etanol reforça a importância de atualizar os orçamentos operacionais durante o mês. Para as empresas aeroagrícolas, acompanhar o custo efetivo dos abastecimentos, os prazos de recebimento e as despesas vinculadas ao dólar contribui para preservar as margens e organizar o fluxo de caixa.

O IAVAG oferece uma referência para essa avaliação e deve ser analisado em conjunto com a estrutura de custos e as condições de operação de cada empresa.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Click petróleo e gás.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia