Estudantes da UFPR visitaram o Cavag de Ponta Grossa para conhecer a formação de pilotos, as tecnologias e os cuidados que orientam as operações aeroagrícolas
Do tamanho das gotas lançadas sobre a lavoura aos instrumentos que orientam o piloto, a aplicação aérea envolve decisões que começam muito antes da decolagem. Foi para conferir isso de perto que cerca de 30 estudantes de Agronomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) tiveram uma atividade diferente na segunda-feira (19). A aula foi no Aeroclube de Ponta Grossa, com uma visita ao Curso de Piloto Agrícola (Cavag) da instituição, que está com a última turma de 2026 em formação. A programação ocupou a manhã e se estendeu até perto das 13 horas, reunindo palestra, contato com aeronaves e apresentação dos recursos utilizados no treinamento dos pilotos.
Coordenada pelo professor Vitor Carvalho Ribeiro de Araújo, da área de Fitossanidade e Tecnologia de Aplicação da UFPR, a turma foi recebida pelo professor Wellington Pereira Alencar de Carvalho e pelo piloto agrícola Walisson Faria, instrutor-chefe do Cavag. Como a visita ocorreu durante uma turma do curso, permitiu também a aproximação entre futuros engenheiros agrônomos e profissionais que se preparam para atuar nas cabines. Na apresentação inicial, os alunos de pilotagem – oriundos de Estados como Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul – contaram de onde vieram e o que os levou a buscar a formação.
Na sequência, Wellington abordou a importância da aviação agrícola para a produção sustentável, os equipamentos empregados nas aplicações, os cuidados operacionais e a legislação que orienta a atividade. A exposição apresentou ainda outras frentes de atuação do setor, como o combate a incêndios em lavouras e reservas naturais. Além de outras perrogativas, como povoamento de rios e lagos com alevinos e combate a mosquitos.
Precisão começa no planejamento
Parte central da atividade foi mostrar que a qualidade de uma aplicação depende de diferentes fatores trabalhando em conjunto. A escolha dos bicos de pulverização, o tamanho das gotas, a regulagem dos equipamentos e as condições meteorológicas influenciam a chegada do produto ao alvo. O conteúdo aproximou aí os conceitos estudados na universidade das decisões tomadas em cada operação.
A apresentação abrangeu também os componentes das aeronaves e dos sistemas de aplicação, com Wellington reforçando a importância do futuro agrônomo compreender as características das aplicações em campo. O roteiro incluiu o contato dos estudantes com os aviões agrícolas, que estavam em manutenção e não realizaram voos. Os universitários puderam entrar na cabine, observar os equipamentos e conhecer de perto a tecnologia do DGPS — que, mais do que um GPS mais avançado e muito mais preciso do que os dos automóveis, também opera como um verdadeiro computador de bordo. Os recursos puderam ser conferidos ainda nos simuladores da tecnologia.
Segundo Wellington Carvalho, esta foi a segunda visita de um grupo da UFPR ao Cavag de Ponta Grossa. E a experiência já despertou o interesse de outras universidades em organizar encontros semelhantes.
Como um plus no roteiro, o grupo teve ainda uma atividade com a equipe de resgate aeromédico do Samu instalada ao lado do aeroclube. Um médico e um enfermeiro apresentaram aos estudantes a dinâmica dos atendimentos com helicóptero, desde o acionamento até o deslocamento e o resgate dos pacientes.
Testemunha da história
A atividade com a UFPR também aproximou os universitários de uma testemunha de parte importante da história da formação aeroagrícola brasileira. Wellington começou a atuar em 1984 como instrutor de tecnologia de aplicação na Fazenda Ipanema, no interior paulista. Foi ali que ocorreu, em 1967, a primeira turma do Cavag, dois anos depois de sua criação pelo Decreto nº 56.584, de 20 de julho de 1965.
O local tornou-se referência na preparação de profissionais do setor e, a partir de 1975, sediou o Centro Nacional de Engenharia Agrícola (Cenea). Além da formação aeroagrícola, o centro atuava na pesquisa, avaliação e desenvolvimento de máquinas, equipamentos e técnicas agrícolas.
Após a extinção do Cenea, em 1990, o Ministério da Agricultura ainda realizou uma última turma do Cavag na Fazenda Ipanema, em 1991. A formação passou então a ser conduzida exclusivamente pela iniciativa privada, incluindo aeroclubes, por delegação do Ministério da Agricultura e com homologação da autoridade aeronáutica. Desde 1994, Wellington participa da formação em Ponta Grossa, cujo curso começou no ano anterior e figura entre os mais antigos em atividade no Brasil.














