Boletim Econômico | Queda do dólar e do etanol pode amenizar a pressão energética sobre os custos do setor

Confira as principais notícias e os indicadores que influenciam direta e indiretamente a formação do IAVAG.

Indicadores de Destaque:

Câmbio (USD/BRL):R$ 5,0723| PTAX de 03/08
Inflação EUA (CPI):-0,4% no mês | junho/2026
Juros EUA (Fed):= 3,50% – 3,75% | FOMC – julho/2026
PIB EUA:1,5% | 2º trimestre/2026 – estimativa preliminar
Desemprego EUA:4,2% | junho/2026
Selic (Brasil):↓ 14,25% | Copom – junho/2026
PIB Brasil trimestral:↑ 1,1% | 1º trimestre/2026
PIB Brasil acumulado em 4 trimestres:↑ 2,0%
Petróleo WTI: 6,07% – US$ 79,53 | cotação intradiária de 03/08/2026
Petróleo Brent: 4,58% – US$ 83,90 | cotação intradiária de 03/08/2026
Heating Oil: 4,60% – US$ 3,91/galão | cotação intradiária de 03/08/2026
Etanol anidro (SP):↓ 2,71% – R$ 2,3141/litro | média semanal encerrada em 31/07/2026
INPC junho/2026:0,14%
INPC dos últimos 12 meses:4,33%
IAVAG – junho/2026:-0,21%
IAVAG – últimos 12 meses:+3,74%

Destaque da semana

O dólar recuou em julho e iniciou agosto abaixo de R$ 5,10, movimento que pode ajudar a limitar os efeitos da pressão observada sobre o petróleo e os derivados no mês anterior. Nesta segunda-feira, o WTI e o heating oil apresentaram forte queda, enquanto o etanol manteve trajetória de recuo no mercado paulista. A desaceleração da inflação brasileira também reforçou as expectativas de novo corte da Selic, indicando um cenário potencialmente mais favorável para o crédito, o financiamento e o capital de giro das empresas do setor.

Análise dos principais indicadores

Câmbio

O dólar recuou ao longo de julho e encerrou o mês abaixo de R$ 5,10, revertendo parte da valorização registrada em junho. O movimento representa um fator favorável para o setor aeroagrícola, pois reduz a conversão para reais dos custos de combustíveis, peças, manutenção de aeronaves e outros insumos vinculados ao mercado internacional.

Na segunda-feira, 3 de agosto, a PTAX ficou em R$ 5,0723, mantendo a moeda abaixo do patamar de R$ 5,10. Para o IAVAG, a queda do dólar pode compensar parcialmente a pressão provocada pela valorização do petróleo e do heating oil. O impacto sobre o índice será determinado pela variação da última cotação registrada no período de apuração

Heating oil e petróleo

O mercado de energia iniciou agosto em forte correção. Na cotação consultada em 3 de agosto, o petróleo Brent recuava 4,58%, para US$ 83,90 por barril, enquanto o WTI caía 6,07%, para US$ 79,53 por barril. O movimento interrompeu parte da valorização registrada no final de julho, quando a intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a pressionar as cotações internacionais.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, a queda ocorreu após o governo dos Estados Unidos suspender um ataque previsto contra o Irã e sinalizar preferência por uma solução diplomática. Entretanto, o governo iraniano negou a existência de negociações programadas, enquanto embarcações continuaram alterando suas rotas diante dos riscos no Estreito de Hormuz e no Mar Vermelho.

O heating oil acompanhou o movimento e era negociado a aproximadamente US$ 3,91 por galão, com queda diária de 4,60%. A cotação abaixo de US$ 4 representa um alívio em relação aos níveis observados em julho, quando o derivado chegou a superar US$ 4,20 por galão.

Apesar da correção observada no início de agosto, o mercado permanece volátil. Para o resultado do IAVAG de julho, o impacto do heating oil será determinado pela variação do último preço registrado no período de apuração. Já a queda recente poderá representar um fator de alívio para o próximo resultado, caso seja mantida.

Etanol

Os preços do etanol mantiveram trajetória de queda no mercado paulista na última semana de julho. Entre os dias 27 e 31, o Indicador Semanal do Etanol Anidro CEPEA/ESALQ ficou em R$ 2,3141 por litro, com recuo de 2,71% em relação à semana anterior. Essa foi a quarta queda semanal consecutiva do indicador.

O Indicador do Etanol Hidratado Outros Fins, utilizado no cálculo do IAVAG, ficou em R$ 2,1337 por litro, apresentando redução semanal de 1,78%. O indicador também acumulou a terceira semana consecutiva de queda.

A continuidade desse movimento representa um fator de alívio para o IAVAG e pode compensar parte da pressão energética acumulada durante julho.

Inflação e juros no Brasil

O IPCA avançou 0,16% em junho, desacelerando em relação à alta de 0,58% registrada em maio. No acumulado de 2026, a inflação atingiu 3,36%, enquanto a variação em 12 meses recuou de 4,72% para 4,64%.

A queda de 0,24% no grupo Alimentação e bebidas ajudou a conter o resultado. Em sentido contrário, Habitação apresentou alta de 0,63% e exerceu a principal pressão sobre o índice no mês.

O INPC, componente considerado diretamente no cálculo do IAVAG, apresentou alta de 0,14% em junho, abaixo dos 0,65% registrados em maio. O índice acumulou elevação de 3,51% no primeiro semestre e de 4,33% nos últimos 12 meses. Embora tenha desacelerado, o resultado permaneceu positivo e continuou exercendo pressão sobre os custos acompanhados pelo IAVAG.

No Boletim Focus divulgado em 3 de agosto, a projeção do mercado para o IPCA de 2026 foi reduzida de 5,12% para 5,03%, marcando a quinta revisão consecutiva para baixo. Apesar da melhora, a estimativa permanece acima do limite superior da meta. Para a taxa Selic, a projeção foi reduzida para 13,75% ao final de 2026.

O Copom se reúne nos dias 4 e 5 de agosto. A Selic encontra-se em 14,25% ao ano, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual. Entre os 42 analistas consultados pela Reuters, 38 projetam um novo corte de 0,25 ponto, levando a taxa para 14,00% ao ano.

Mesmo com a desaceleração da inflação e a perspectiva de novo corte da Selic, os juros devem permanecer em nível restritivo. Para as empresas do setor aeroagrícola, esse patamar continua afetando o custo do crédito, o financiamento de aeronaves e equipamentos e a necessidade de capital de giro.

Atividade econômica e mercado de trabalho no Brasil

A taxa de desemprego ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, acima dos 5,1% registrados no quarto trimestre de 2025, mas abaixo dos 7,0% observados no mesmo período do ano anterior. Já no trimestre móvel encerrado em maio, a taxa recuou para 5,6%, permanecendo estatisticamente estável em relação aos 5,8% do trimestre encerrado em fevereiro. Os dados indicam recuperação do mercado de trabalho após o aumento sazonal observado no início do ano.

Na atividade econômica, o IBC-Br avançou 0,1% em maio e acumulou crescimento de aproximadamente 1,24% entre janeiro e maio. Para 2026, o Boletim Focus mantém a projeção de crescimento de 1,99% para o PIB brasileiro.

Os indicadores setoriais, entretanto, seguem mistos: o comércio varejista cresceu 0,1% em maio, enquanto os serviços recuaram 0,4% e a produção industrial caiu 0,2%. O cenário aponta continuidade da expansão econômica, mas em ritmo mais moderado e desigual entre os setores.

Estados Unidos: inflação, juros, atividade econômica e mercado de trabalho

O Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos caiu 0,4% em junho, após avançar 0,5% em maio. Em 12 meses, o CPI acumulou alta de 3,5%. A redução foi influenciada principalmente pelo grupo Energia, que recuou 5,7% no mês, enquanto o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, permaneceu estável.

O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. Apesar da queda mensal da inflação, as pressões sobre os preços ainda permanecem acima da meta de 2%, mantendo a política monetária norte-americana em nível restritivo.

No mercado de trabalho, os Estados Unidos criaram 57 mil vagas em junho, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,2%. Os números indicam menor ritmo de geração de empregos, embora o mercado de trabalho continue relativamente estável.

Na atividade econômica, o PIB dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026, segundo a estimativa preliminar divulgada pelo Departamento de Comércio. O resultado representa desaceleração em relação à expansão de 2,1% registrada no primeiro trimestre.

O consumo das famílias acelerou no período, evidenciando a resiliência da demanda doméstica. Em contrapartida, o aumento das importações e a menor contribuição dos estoques limitaram o avanço do PIB. O resultado confirma a continuidade da expansão da economia norte-americana, embora em ritmo mais moderado, em um cenário ainda marcado por inflação acima da meta, juros restritivos e incertezas no mercado internacional de energia.

Para o IAVAG, a queda mensal da inflação norte-americana representa um fator de alívio, enquanto a manutenção dos juros em nível restritivo pode continuar influenciando o dólar e as condições financeiras internacionais.

Impactos para o IAVAG

Os movimentos observados no fechamento de julho indicam fatores atuando em direções distintas sobre o IAVAG. A valorização observada nos preços do heating oil ao longo do mês poderá exercer pressão sobre o índice. Em sentido contrário, a queda do dólar e do etanol tende a compensar parcialmente esse movimento e limitar um avanço mais intenso dos custos.

Já a correção do petróleo e do heating oil observada no início de agosto melhora as perspectivas de curto prazo, mas ainda precisa se manter para representar um alívio mais consistente nos próximos períodos de apuração.

Assim, a leitura preliminar é de redução parcial da pressão sobre os custos, ainda sem elementos suficientes para confirmar uma reversão completa do movimento observado no bloco energético.

IAVAG nos últimos 12 meses

jul/251,48%
ago/25-1,29%
set/25-0,68%
out/251,29%
nov/25-0,61%
dez/251,58%
jan/260,15%
fev/26-0,85%
mar/267,96%
abr/26-3,98%
mai/26-1,12%
jun/26-0,21%
Acumulado em 12 meses:+3,74% | ↑

IAVAG — resultado de junho de 2026

O IAVAG registrou queda de 0,21% em junho, completando o terceiro mês consecutivo de recuo. Com o resultado, o acumulado em 2026 passou de 2,16% para 1,95%, enquanto a variação acumulada em 12 meses alcançou 3,74%.

O principal vetor de alívio foi o heating oil, que recuou 7,43%. A inflação dos Estados Unidos também contribuiu para o resultado, com queda mensal de 0,4% em junho.

Em sentido contrário, o dólar apresentou valorização de 2,36%, enquanto o INPC avançou 0,14% e o etanol subiu 0,70%. Esses componentes limitaram uma redução mais intensa do índice.

Comentário final

Os dados disponíveis indicam que o resultado do IAVAG de julho ainda poderá refletir a valorização do heating oil observada ao longo do mês. Entretanto, a queda do dólar e do etanol tende a compensar parcialmente essa pressão, limitando um impacto mais intenso sobre os custos do setor.

A correção recente do petróleo e dos derivados, já no início de agosto, melhora as perspectivas de curto prazo, mas ainda precisa se manter para representar um alívio mais consistente. Dessa forma, o comportamento do câmbio e do mercado de energia nas próximas semanas será determinante para a trajetória dos custos da aviação agrícola.


Os gráficos a seguir complementam a análise apresentada no boletim e permitem visualizar a evolução recente do IAVAG e dos principais indicadores que influenciam sua composição. A leitura conjunta dos dados contribui para identificar períodos de maior volatilidade e os principais vetores de pressão ou alívio sobre os custos da aviação agrícola

Fonte da imagem destacada: Valor Investe.

Fontes: Banco Central do Brasil, Ipeadata, BLS, BEA, Federal Reserve, IBGE, CEPEA/ESALQ, Trading Economics, Yahii, CNN Brasil, G1, Reuters e Agência Brasil.

Cláudio Junior – Economista (CORECONRS 8905), Diretor Operacional SINDAG
Dieiriane Flores – Assistente de Economia