Assunto foi tema neste domingo do programa Terra Agro, da Balsas TV, que entrevistou o diretor Cláudio Júnior Oliveira, do Sindag, e o ex-secretário estadual Sérgio Delmiro
A polêmica da recomendação do Ministério Público (MP) do Maranhão para que as Câmaras de Vereadores do Maranhão criem leis proibindo a aviação agrícola em seus municípios foi tema do programa Terra Agro desde domingo, na Balsas TV. A reportagem da emissora situada no município Balsas, no sul do Estado, conversou com o diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, e com o engenheiro agrônomo José Sérgio Delmiro Vale, ex-secretário Agricultura, Pecuária e Pesca do Maranhão e representante maranhense na Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Os dois foram enfáticos em apontar o que seria, no mínimo, um perigoso equívoco.
Confira no final do texto a íntegra do programa
“Recebemos a informação e logo visitamos ao MP estadual e federal e associações e federações no estado levando informações sobre o setor”, contou Oliveira. O representante do Sindag também fez questão de ressaltar que o MP está apenas recomendando. “O que exime os municípios de obrigação”.
Mas frisou ainda que o debate está cercado de muita desinformação. “O setor não se comunicou tanto quanto deveria com a sociedade, por isso surgiram dúvidas”, ponderou o dirigente. No entanto, ele sublinhou alto risco de impacto à própria saúde humana e à economia do Estado na hipótese da saída de cena da aviação na agricultura. “Voltaríamos à Idade da Pedra, com a os agricultores aplicando produtos com bombas costais.” Ele recordou ainda o caso do Ceará, que proibiu a aviação agrícola em seu território. Onde, mesmo havendo apenas dois aviões operando no Estado, a iniciativa teve como consequência a queda drástica de produtividade na agricultura.
Justamente por isso, na hipóteses de saída de cena dos cerca de 50 aviões que operam no Maranhão, o Estado teria perdas nos 9 milhões de toneladas de soja milho, trigo e cana-de-açúcar produzidos em seu território. Um risco que ganha força também na pressa de políticos que buscam dividendos em temas polêmicos junto a seus eleitores. Inclusive com municípios proibindo a atividade sem ter aviação agrícola em seus territórios. “Ou seja, discutindo o que não existe”, pontuou Oliveira.
COPIA-E-COLA
O ex-secretário estadual de agricultura Sérgio Delmiro destacou que a campanha contra a aviação agrícola no Estado “é uma abordagem distorcida da realidade, sobre um tema que precisa ser tratado de forma técnica e fundamentada”. Como exemplo da leviandade com a qual o debate está sendo conduzido, ele citou o caso do município de Buriti, onde a Câmara de Vereadores acabou proibindo a aviação agrícola e restringindo também as aplicações terrestres . Com base no copia-e-cola, os vereadores determinaram que “os pequenos produtores não poderão usar defensivos a distâncias específicas de povoações e comunidades, ou dentro de unidades de conservação.”
Segundo Delmiro, que também representa o Estado na Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) aí está o detalhe. “Todo o município de Buriti está dentro de uma unidade de conservação, que é a APA (Área de Proteção Ambiental ) dos Morros Garapenses. Ou seja, a lei também proibiu todos os pequenos agricultores que utilizarem defensivos nos limites do Município.” Lembrando que a Lei Federal dos Agrotóxicos considera como tal tanto os produtos químicos quanto biológicos usados na proteção das lavouras contra pragas. “É inadmissível que se copie e cole leis sem a menor análise técnica e se as coloque para perseguir o agronegócio.”
Aliás, sobre o caso de Buriti, o diretor Júnior Oliveira também apontou outro contrassenso que expõe ainda mais a maneira distorcida com a qual o tema vem sendo debatido no Estado. No caso, o episódio da suposta contaminação nas comunidades de Valença e Araçá – em que moradores atribuíram casos de mal-estar e irritações (como queimaduras) na pele a uma aeronave agrícola observada na região. Onde, após um ano de investigação, o inquérito policial (acolhido pelo Judiciário) concluiu que não só as duas lavouras atendidas por aplicações aéreas estavam a quase três quilômetros das pessoas, como a única aplicação de agrotóxico próximo a residência havia ocorrido por pulverização terrestre.
Mais do que isso, exames feitos na época por infectologistas e outros profissionais da Secretaria Adjunta da Política de Atenção Primária e Vigilância em Saúde do Estado comprovaram que as lesões de pele nas pessoas eram causadas na verdade por um surto de sarna, indicando em seguida o tratamento com medicamentos adequados. “Volta e meia esse caso é usado (de maneira distorcida) para causar pânico na população. Isso realmente nos preocupa”, conclui o representante do sindicato aeroagrícola.
