Reunião em Brasília, noticiada pelo jornal O Sul, tratou da instalação de uma usina para atender a aviação agrícola na Região das Missões
O senador Luís Carlos Heinze (PP-RS) coordenou nessa terça-feira (9), em Brasília, uma reunião com produtores e empresários para reestruturar a cadeia do etanol na Região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. A articulação busca suprir a demanda crescente da aviação agrícola gaúcha e reduzir a dependência de outros estados — fator que encarece o combustível no RS, sobretudo pelo custo logístico do transporte.
O primeiro passo, segundo Heinze, seria retomar a produção em municípios como Porto Xavier, adotando um modelo integrado de cana-de-açúcar e milho para garantir oferta contínua de matéria-prima ao longo do ano. A informação foi divulgada na quarta-feira pelo jornal O Sul e repercutida nesta quinta pela TV Pampa.
A estimativa inicial aponta para uma produção entre 12 e 15 milhões de litros de etanol por ano, além do aproveitamento do DDG — subproduto proteico da destilação dos grãos, utilizado na alimentação animal. O grupo deve realizar, nas próximas semanas, reuniões técnicas para definir a modelagem da usina, sua viabilidade financeira e o desenho do projeto industrial.
SANTIAGO
Enquanto isso, em Santiago, na região central do Estado, o projeto da Usina de Etanol de Trigo da empresa CB Bioenergia recebeu em novembro a Licença de Operação do governo gaúcho. O empreendimento aguarda agora a vistoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar oficialmente a produção.
A operação está prevista para começar no início de 2026, com capacidade para processar cerca de 100 toneladas de trigo por dia e produzir até 12 milhões de litros de etanol por ano, além de outros derivados. O projeto de Santiago vem sendo acompanhado pelo setor aeroagrícola desde 2021, quando o então prefeito Tiago Gorski Lacerda fez a primeira de três visitas à sede do Sindag em Porto Alegre.
PASSO FUNDO
Outro movimento relevante ocorre em Passo Fundo, no norte do Estado, onde a Be8 (antiga BSBIOS) segue com a construção de sua usina de etanol a partir de trigo, milho e outros grãos. A expectativa é de que a planta entre em operação até o final de 2026, reforçando um conjunto de investimentos que pode, nos próximos anos, reduzir de forma significativa a dependência externa do RS em relação ao etanol.

BENEFÍCIO: O Brasil tem cerca de um terço de sua frota aeroagrícola movida a etanol e a produção do combustível no Estado gaúcho deve fortalecer esse case de sustentabilidade – Foto: Castor Becker Jr/C5 NewsPress