Em parceria com a Mirim Aviação Agrícola, estande do setor apresentou avião histórico e entidade participou de debates sobre mercado e regulação no maior evento desse tipo nas Américas
Como ocorre desde 2017, o Sindag marcou presença na Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão/RS. A 34ª edição do evento ocorreu entre 21 e 23 de fevereiro de 2024, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado. Entre os destaques no setor aeroagrícola, o evento teve a estreia da entidade aeroagrícola como membro da Câmara Temática da Cadeia Produtiva do Arroz, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além do encontro do diretor-executivo da entidade aeroagrícola, Gabriel Colle, com o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Neri Geller.
Como nos anos anteriores, o Sindag participou também com o Estande da Aviação Agrícola, em parceria com a empresa Mirim Aviação Agrícola. Este ano, em uma localização privilegiada: no início da visitação para os 50 expositores da mostra de tecnologias e para as 150 Vitrines Tecnológicas da feira. Também ao lado das lavouras experimentais, onde, na quinta-feira (22), ocorreu a colheita simbólica de arroz e soja em terras baixas – com a falas de autoridades federais, estaduais e setoriais.
A mostra do Sindag teve como atração o avião Ipanema prefixo PP-FFC, que pertencia à frota da antiga Fazenda Ipanema. Neste caso o antigo local de formação dos pilotos agrícolas no País, mantido pelo Ministério da Agricultura entre a década de 1960 e o início dos anos 90 (confira mais abaixo). Entre os visitantes da exposição, esteve deputado estadual gaúcho Marcos Vinícius (PP), autor do Projeto de Lei 442/23 – que declara a Aviação Agrícola como de Relevante Interesse Social, Econômico, Público e Econômico no Estado.
Nos três dias de programação, a 34ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas recebeu cerca de 15,3 mil pessoas, entre produtores, técnicos, agrônomos e outros especialistas ou prestadores de serviços, além de lideranças setoriais. Com visitantes de outras partes do País e do exterior.

ESTANDE: espaço aeroagrícola recebeu visitantes em busca de informações técnicas e pessoas que foram conhecer o avião histórico exposto na feira – foto: Castor Becker Jr/C5 NewsPress
IMPORTÂNCIA
Além de berço da aviação agrícola brasileira, o Rio Grande do Sul produz 80% do arroz consumido no País – que é exportado também para cerca de 10 países. Com o setor aeroagrícola incluído desde os anos 1950 entre as suas tecnologias – aliás, hoje presente em mais de 70% da lavouras. Conforme o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, simbiose que torna fundamental a aviação estar presente na Abertura Oficial da Colheita do Arroz.
“Os produtores estão organizados e atentos às demandas do mercado, para daí projetarem sua produção de modo a garantirem bons preços. Nesse nível de maturidade, eles procuram não só conhecer e saber dispor de tecnologias de ponta, como buscar excelência de seus fornecedores”, pontua Colle. “Ao mesmo tempo, não só a tecnologia aeroagrícola também continua avançando, como o setor segue em melhoria contínua de seus processos”.

MERCADO: promovido pela Federarroz, o evento traz números e tecnologias e discute estratégias para uma da principais lavouras brasileiras e uma das mais ligadas ao setor aeroagrícola – Castor Becker Jr/C5 NewsPress
Por “Produção em Terras Baixas”, no nome do evento, entende-se não só o arroz, mas sua alternância com outros grãos (soja, sorgo, milho, trigo), além da integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Assim, no balanço do evento Colle acrescenta foco também na proximidade com parceiros e associados do Sindag e do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag). Abrangendo desde empresas de drones até fornecedores de tecnologias, instituições de ensino e órgãos de pesquisa. “Aliás, não por acaso tema da programação neste ano foi Gestão Potencializando Safras.”
A Abertura da Colheita do Arroz é promovida pela Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar/RS ), a programação tem ainda patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Segundo os organizadores, trata-se da maior celebração de abertura de colheita das Américas.
E já com encontro marcado para 2025, de 18,19 e 20 de fevereiro, no mesmo local. Agenda que foi anunciada na sexta (23) pelo presidente da Federarroz, Alexandre Velho.
Encontros de articulação
As propostas do Sindag sobre a atualização do Decreto 86.765/81, que regulamenta o setor foram tema da reunião entre o diretor Gabriel Colle e o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller. “O Sindag apresentou suas sugestões no processo de consulta pública (cujo prazo encerrou em 20 de janeiro). Mas resolvemos reforçar a importância das contribuições apresentadas pelo setor, no tocante por exemplo, ao tratamento diferenciado para empresas de pequeno porte (que não estava previsto no esboço original), aspectos sobre análise de impacto regulatório e delegação de competências do Mapa, entre outros aspectos”, ressalta Colle.

COLLE: em encontro com o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller (esq), diretor do Sindag reforçou propostas para modernização da legislação do setor – Castor Becker Jr/C5 NewsPress
Com a modernização do Decreto de 1981, Ministério já prepara também novas versões da Instrução Normativa 02/2008 – que estabelece as regras do trabalho aeroagrícola, além da Portaria 298/21, que disciplina as operações com drones de pulverização em lavouras.
Todas normas complementares e que tiveram suas consultas públicas prorrogadas ou reabertas no final do ano passado – por conta da entrada em vigor da Lei Federal 14.515/2022 (a chamada Lei o Autocontrole). Que, por sua vez, modernizou o processo de fiscalização por parte do Mapa. Incluindo modificações na gradação das penalidades, atenuantes e agravantes, bem como alterações no rito administrativo, valores de multas e outras alterações.
Daí a necessidade de ajustes em todos os processos em andamento no Mapa. Então justificando também a iniciativa do Sindag em reforçar as propostas que já haviam sido apresentadas.

PERSONALIDADES: entre as dezenas autoridades federais, estaduais e setoriais presentes ao evento, várias delas ressaltaram a importância das ferramentas para a economia do Estado. entre elas, o deputado estadual Marcus Vinícius (PP), que fez questão de usar o pin do Sindag para enaltecer o trabalho da entidade – Castor Becker Jr/C5 NewsPress
ENTROSAMENTO E DEMANDAS
Já a 71ª reunião da Câmara Temática da Cadeia Produtiva do Arroz (na quarta-feira) foi a primeira com a participação do Sindag como membro do grupo. Apesar de há mais de uma década acompanhar as discussões sobre o setor orizícola no Estado, o sindicato aeroagrícola havia pedido no final de 2023 seu ingresso oficial no grupo (que é uma das 40 Câmaras Temáticas do Mapa). A estreia da entidade coincidiu com a troca de comando da Câmara do Arroz: saiu Daire Coutinho e entrou o ex-presidente da Federarroz, Henrique Dornelles.
Coutinho agradeceu o apoio durante a gestão e destacou a capacidade de negociação de seu sucessor. Simbolizando a troca de cargo ao passar o microfone para Dornelles, que por sua vez, ressaltou o atual equilíbrio entre oferta e demanda no setor. “O protagonista disso é o produtor rural que soube dosar”, assinalou.
Dornelles era o presidente da Federarroz quando o Sindag passou a ter espaço físico dentro da Abertura da Colheita do Arroz, em 2016. De lá para cá, a vitrine técnica não só foi fortalecida (especialmente pela chegada do evento à Estação Experimental em Capão do Leão, em 2019), como a programação passou a dar espaço também para a indústria arrozeira.
A reunião da última quarta-feira teve ainda palestras sobre a Conjuntura do mercado do arroz (Conab) , Gestão potencializando safras (Federarroz) , Impacto dos decretos de créditos e obrigações do setor – Antônio da Luz/Farsul, e Sistemas intensivos sob pivô central – Embrapa (clique nos hiperliks para conferir as apresentações).
SEMINÁRIO DUAS SAFRAS
O Programa Duas também integrou a programação da Abertura da Colheita do Arroz em Capão do Leão. A iniciativa foi tema de um seminário na sexta-feira (23), onde o Sindag foi representado pelo Agente de Desenvolvimento da entidade, Josué Andreas Vieira. No encontro, o presidente da Federarroz, Alexandre Velho, ressaltou que a entrada da soja no revezamento com o arroz em terras baixas incrementou o profissionalismo em todo o sistema de produção. “Se não fosse esse sistema não teríamos tido condições de enfrentar o El Niño”, pontuou, referindo-se ao fato de que o manejo continuado (com alternância de plantas na terra) ajudou reter solo e umidade.

VIEIRA: agente de Desenvolvimento do Sindag representou a entidade no Seminário Duas Safras – foto: Graziele Dietrich/C5 NewsPress
Na sequência, o superintendente regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Eduardo Condorelli, lembrou que o uso mais intensivo das terras abrange as oito principais cadeias do Rio Grande do Sul, entre pecuária e agricultura, que “englobam quase 90% da produção agropecuária gaúcha”. e essa parceria junto ao Senar é fundamental para que o Estado possa se destacar, cada vez mais, em nível nacional”, enfatizou.
Antecipando as cinco palestras que viriam na sequência (sobre manejo de plantas daninhas, sementes, nutrição do solo, plantio de milho e cereais de inverno, entre outros temas), Condorelli reforçou a importância do evento para que as informações sobre o programa cheguem ao maior número possível de produtores, aperfeiçoando manejo e produtividade. Manejo e produtividade que têm a ver também com um uso da aviação em campo – por isso o Sindag integra o Duas Safras desde janeiro de 2023.
