Índice da inflação do setor tem acumulado acima de 10% e é preciso prestar atenção também ao risco Brasil e na disponibilidade de componentes de manutenção, na hora de acertar os valores para a próxima safra
Segundo o economista e diretor operacional do Sindag, Cláudio Júnior Oliveira, o Índice de Inflação da Aviação Agrícola (Iavag) registrou em junho uma alta de 3,33%, a maior dos últimos 12 meses. Com isso, o acumulado no período chegou a 10,17%, o que pede atenção dos empresários do setor na hora de renovar os contratos de serviços para a safra.
Confira abaixo o áudio com a íntegra do comentário de Oliveira sobre essa conjuntura do Iavag:
A elevação do índice aeroagrícola foi puxada principalmente pelo câmbio (dólar mais inflação norte-americana) e combustíveis. Isso considerando outros 40% do Iavag vêm do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e os 20% restante levam em conta a variação dos custos de combustíveis (petróleo e etanol). Oliveira chama a atenção para o fato de que o índice aeroagrícola vinha de um último trimestre de 2023 em baixa (outubro -0,50%, novembro -1,44% e dezembro -2,77%), mas disparou em janeiro (2,86%). Seguindo positivo até abril, com queda em maio, mas se elevando novamente em junho.
Influência, no caso do câmbio, de uma conjuntura que tem por trás os problemas do governo brasileiro em manter as metas fiscais. Mais os esforços nos Estados Unidos para controlar a inflação naquele país – o que tem funcionado lá e daí, ironicamente, valorizando a moeda americana em todo o mundo. Some-se a isso ainda uma alta no preço internacional do petróleo e na valorização do litro do etanol.
“O que mais preocupa é enfraquecimento da economia no Brasil, por causa das políticas fiscais que governo vem adotando, mais a taxa desemprego (em alta).” Desvalorizando ainda mais o real. “Que estiver na época revisão de contratos precisa abordar isso com seus clientes”, destaca Oliveira. O dirigente aconselha os operadores ficarem de olho também no Risco Brasil (que não está incluído no Iavag) e na possibilidade de falta de componentes de manutenção. “Riscos que precisam ser contemplados nos preços”, salienta o dirigente.
