Reunião no próximo dia 11, em Orlândia, marca o início das articulações para a aterrissagem do evento aeroagrícola de 2027 no interior paulista
O diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, e o ex-presidente, conselheiro da entidade e empresário da Tangará Aeroagrícola, Thiago Magalhães Silva, terão na próxima semana uma reunião com o prefeito de Orlândia, no interior paulista, Jorge Gabriel Grasi (PSD). O encontro será na sexta-feira, dia 11, e marcará o início dos preparativos para o Congresso 80 Anos da Aviação Agrícola do Brasil, marcado para 17 a 19 de agosto do ano que vem.
O Congresso AvAg 80 anos ocorrerá na base da Tangará, junto à Rodovia Vicinal Coronel Francisco Orlando (Estrada da Usina), no noroeste do município, que integra a Região Metropolitana de Ribeirão Preto. O local receberá em 2027 a estrutura que há menos de duas semanas abrigou o Congresso AvAg 2026, em Goiás.
O evento deste ano ocorreu no Condomínio Aeronáutico Liberty, em Goianápolis, e reuniu cerca de 4,7 mil visitantes, com mais de 200 marcas presentes em estandes de tecnologias, equipamentos, serviços e aeronaves. A estrutura teve ainda auditório, espaços de atendimento e demonstrações aéreas.
IMERSÃO
Mais do que uma apresentação do evento que colocará Orlândia no mapa do setor aeroagrícola internacional — já que o Congresso AvAg é o maior encontro do segmento no mundo, a reunião do dia 11 servirá também para reforçar os laços institucionais com a comunidade local. A Tangará está sediada no município desde os anos 1990 e é hoje uma das maiores e mais bem estruturadas empresas do segmento, contando inclusive com oficina própria de manutenção, que atende também aeronaves de diversas partes do País.
Segundo a presidente do Sindag, Hoana Almeida Santos, a escolha da sede da Tangará partiu da proposta de levar a comemoração de 2027 para dentro de uma empresa que tivesse estrutura para receber o evento e, ao mesmo tempo, pudesse mostrar o dia a dia da atividade. A ideia é aproximar ainda mais o setor de autoridades, pesquisadores, imprensa e do público que ainda não teve a oportunidade de conhecer de perto as regras, rotinas e procedimentos dos diversos profissionais que garantem a eficiência e a segurança do trabalho no campo.
De olho na logística,…
A intenção do Sindag é fazer com que o evento do ano que vem seja também o ápice de uma agenda que a entidade pretende promover nos próximos 12 meses em diferentes regiões do País. O roteiro deverá passar pelo Rio Grande do Sul, berço da atividade e dono da segunda maior frota aeroagrícola brasileira, com 398 aviões; pelo Mato Grosso, líder do ranking, com 803 aeronaves; e por outros Estados. A programação se fechará em terras paulistas. São Paulo aparece em terceiro lugar no levantamento, com 328 aeronaves – confira AQUI o quadro completo.
Orlândia conta ainda com a estrutura regional necessária para dar suporte a um encontro do porte do Congresso AvAg 80 anos. Integrante da Região Metropolitana de Ribeirão Preto, o município tem acesso à infraestrutura aeroportuária da região, ampla rede hoteleira, boas ligações rodoviárias e outros serviços importantes para receber participantes de diferentes partes do Brasil e do exterior.
… história…
A aviação agrícola brasileira teve seu primeiro voo em 19 de agosto de 1947, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. A atividade surgiu no País como resposta a uma praga de gafanhotos que havia percorrido a Argentina e o Uruguai e, naquele momento, dizimava lavouras no sul gaúcho.
A operação que marcou a gênese do setor no Brasil foi planejada pelo engenheiro agrônomo Leôncio Fontelles e pelo piloto Clóvis Candiota. O voo foi realizado em um biplano Muniz M-9, de fabricação nacional, pertencente ao aeroclube da cidade – reveja AQUI.
São Paulo também ocupa lugar importante nessa história. Foi no Estado que ocorreu o primeiro voo aeroagrícola realizado por uma mulher no Brasil, protagonizado por ninguém menos que a paulista Ada Rogato. Isso em 7 de fevereiro de 1948, menos de seis meses depois da operação pioneira no Sul – confira AQUI essa história.
… e pioneirismo
Para completar, foi também em São Paulo que nasceu o primeiro avião agrícola brasileiro: o Embraer Ipanema, que ainda hoje é fabricado na unidade da empresa em Botucatu. Uma história relembrada pelo próprio fundador da fabricante, Ozires Silva, em entrevista à Revista Aviação Agrícola em 2021 — acesse AQUI a edição.
E vale destacar: além do avião Ipanema representar hoje mais de 50% da frota nacional, desde 2004 o modelo sai de fábrica com motor movido a etanol. Um case único no mundo e responsável pelo Brasil ter cerca de um terço de sua frota aeroagrícola movida a biocombustível.









