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AGROTÓXICOS OU DEFENSIVOS AGRÍCOLAS? MITOS E VERDADES

Fátima Marchezan

Bióloga, Mestre em Agronegócios (UnB), Dra. em Manejo e Conservação do Solo e Água (UFPel)

Produtora, Presidente da associação dos Arrozeiros de Alegrete e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário

 

Com certeza, a pior praga que temos hoje no Agro é a desinformação! Isso deve-se, essencialmente, a dois fatores. Um deles é que a população brasileira está cada vez mais urbana e distante da realidade da produção de alimentos. O outro fator é que o agro é um setor que tradicionalmente não se comunica bem. Com isso, existe muita desinformação, mesmo entre as pessoas mais instruídas.

Anualmente, são publicados dezenas de estudos, pesquisas e relatórios sobre o uso desses agroquímicos no Brasil e, mesmo assim, muita desinformação e preconceito sobre a sua utilização ainda ronda a sociedade. O princípio ativo de substâncias usadas na pele e nas lavouras ou hortas, em geral, é o mesmo. Por exemplo, quando uma pessoa pega uma micose, faz um tratamento à base de fungicidas; quando está na praia sendo atacada por pernilongos, usa um inseticida. Assim, o agrotóxico pode ser visto como um remédio para uma planta doente.

Mas afinal de contas, são ou não indispensáveis para a agricultura no mundo? De fato, ingerimos tantas dessas moléculas nos alimentos? Na verdade, o Brasil ocupa a 7ª posição mundial no uso de defensivos agrícolas por hectare no mundo, ficando atrás do Japão – o país com maior índice de longevidade no mundo e que é realmente o que mais utiliza agroquímicos por hectare, da Alemanha, da França e do Reino Unido.

Infelizmente, somado ao desconhecimento, existem muitas inverdades sobre a utilização de agrotóxico na produção agrícola e o produtor de alimentos é massacrado por uma grande mídia imparcial, ideológica e sensacionalista – o marketing do medo…

Afinal de contas, o que são os tão mal falados agrotóxicos? Também conhecidos como defensivos agrícolas, agroquímicos, pesticidas, praguicidas ou produtos fitossanitários, são moléculas químicas ou biológicas que têm como objetivo proteger as lavouras de pragas que podem comprometer a produção e a qualidade do alimento que chega à mesa.

A finalidade desse artigo é desmistificar o uso desse insumo e sua presença nos alimentos e no ambiente.

Mito 1: “O brasileiro ingere 5,2 l de agrotóxicos por ano”. Na verdade, essa conta é falsa, porque não leva em conta que cerca de 60% dos agroquímicos são usados em plantas invasoras antes do estabelecimento da cultura, em culturas que não se destinam ao consumo humano como algodão, eucalipto, cana. Além disso, há um intervalo de segurança entre a última aplicação de defensivo até chegar à mesa do consumidor. E, por fim, mais de 99% dos defensivos agrícolas se degradam no ambiente após dias ou semanas.

Mito 2: “Agrotóxicos fazem à saúde humana”. A verdade é que, antes de ser aprovada, uma nova molécula passa por diversos estudos toxicológicos para avaliar sua segurança à saúde e ao meio ambiente. Por fim, 99% das 12 mil amostras de alimentos avaliados pela ANVISA não representam risco para a saúde da população.

Mito 3: “A produção orgânica alimentaria a população mundial”. A verdade é que é impossível alimentar toda a população mundial sem o uso dos defensivos agrícolas. A ONU estima que a incidência de pragas provoca uma perda anual de 20% a 40% nos alimentos, portanto, a proposta de uma produção de orgânicos apesar de muito bonita, não se sustenta diante do fato de que a demanda por alimento deve aumentar em 70% até 2050 (FAO). Para suportar essas perdas e ainda alimentar uma população crescente, novas áreas precisariam ser desmatadas, aumentando inclusive o uso dos recursos hídricos.

Mito 4: “A Lei 6299/02 vai levar mais veneno à mesa dos brasileiros”. Na verdade, serão adotadas diversas medidas desburocratizantes para que a fila de registros de defensivos ande mais rápido no Brasil, substituindo os produtos antigos e aprovando novas moléculas, menos tóxicas à saúde e menos persistentes no ambiente.

Outros fatores positivos são a liberação de defensivos biológicos e as aprovações de novos produtos técnicos equivalentes – os genéricos. Com isso, aumenta a concorrência no mercado e diminui o preço dos defensivos, o que faz cair o custo de produção, permitindo que o produtor continue no campo.

Para concluir, produtor só usa defensivos agrícolas quando invasoras, insetos, fungos, bactérias e outras doenças estão a ponto de prejudicar de forma irreversível o plantio, causando prejuízos à produtividade e com comprometimento da qualidade do alimento a ser oferecido à população. Nenhum produtor, em sã consciência, aumentaria em 20% a 30% seus custos de produção com esses insumos, se não fosse necessário.