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Marketing Rural

Para muitos este tema é novo, mas compartilho aqui neste espaço um texto de Wilson Spínola, ainda de 2005, onde ele já alertava para a importância do assunto.

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Calçados, café e tecnologia, o que estas três indústrias têm em comum? O fato de seus maiores pólos industriais estarem instalados no do Estado de São Paulo. A agricultura no interior, moderna, beneficiada por solos férteis, topografia suave e abundância de recursos hídricos, articula-se com um diversificado e complexo parque industrial e sofisticado setor de serviços, que se apóia em diversas universidades e centros de excelência em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Cidades como Ribeirão Preto, Franca, Birigui, Sertãozinho e São Carlos apresentam as mais elevadas taxas de crescimento econômico das últimas décadas e passam por um impressionante processo de modernização da economia, notadamente nos setores de infra-estrutura de transportes, telecomunicações, energia e serviços.

Com mais de 19 milhões de habitantes, o interior paulista corresponde a 11% da população brasileira, responde por cerca de 17% do Produto Interno Bruto, 24% da produção industrial e 19% da produção agropecuária do Brasil. Segundo Pesquisa de Investimentos no Estado de São Paulo, realizada pela Fundação Seade, foram investidos nos municípios do interior paulista, entre 1995 e 2001, a quantia de US$ 57 bilhões, com o aumento de quase três mil novos empreendimentos que geraram milhares de novos empregos. Em 2001, as exportações do agrobusiness paulista renderam ao país US$ 6,2 bilhões, 30% das vendas totais do estado ao exterior, sendo que o Estado de São Paulo participou com 24,8% das exportações nacionais do setor.

Apesar de todos esse números, o investimento em marketing no agronegócio é ainda irrisório. Somente as grandes empresas têm um trabalho de comunicação intenso junto aos seus diferentes públicos. As médias e pequenas empresas ainda não utilizam ferramentas básicas como a definição e entendimento da segmentação de seus mercados-alvo; a identificação de potencial para novos negócios por meio de estudos de demanda; o desenvolvimento de produtos e serviços para novas necessidades de consumo; a criação de estratégias de formação de preços, logística e distribuição de etc. Estas ferramentas têm grande utilidade para que os empresários do agronegócio possam conhecer melhor seus mercados e aumentar as oportunidades de comercialização de seus produtos e/ou serviços.

As agências de propaganda, por sua vez, também começam a despertar para o rico universo do agronegócio e começam a investir no setor, abrindo filiais, oferecendo suporte e estratégias para, não apenas dar mais visibilidade aos produtos deste segmento, mas para gerar novos negócios aos seus clientes. O caminho é a integração do trabalho de criação entre as equipes instaladas na capital e as do interior, o que garante uma ação mais globalizada de marketing. Além disso, essa integração é essencial para que haja uma sinergia entre a linguagem do interior e a da capital, unindo a visão da metrópole ao ritmo desacelerado do interior.

Está claro, que o futuro do agronegócio não está mais apenas no setor produtivo, mas também, na troca e venda do conhecimento, na construção de uma boa comunicação com o fornecedor e na busca por conhecer melhor, tornando-se mais íntimo de seu consumidor. Etapas que apenas o agronegócio vinculado a um bom trabalho de marketing pode atingir.

* Wilson Spínola é publicitário e diretor da agência Spínola Comunicação Integrada