Claud Ivan Goellner

O uso dos inseticidas neonicotinóides e do fipronil nas principais culturas do Rio Grande do Sul e suas implicações quanto às possíveis ações de restrição ou proibição.

Os neonicotinóides são uma classe de inseticidas derivados da nicotina. Em 1990, foi
introduzido na Europa e no Japão o primeiro composto desta classe, o imidacloprido.
No Brasil os neonicotinóides registrados para uso agrícola são o imidacloprido, o
acetamiprido, o thiametoxan, a clotianidina e o tiacloprido..
O uso de alguns membros da família dos neonicotinóides foi proibido na Comunidade
Europeia , após estudos evidenciarem correlações, ainda que muito que discutidas, com
o desaparecimento de colônias de abelhas. Em Janeiro de 2013, a EFSA (European
Food Safety Authority) estabeleceu que neonicotinóides possuem um risco alto para
as abelhas.
O uso deles no nosso Estado é feito nas principais culturas de importância econômica
(arroz, soja, milho, batata,trigo,feijão,girassol,aveia,cevada,sorgo,fumo, centeio e
triticale) e apresentam uma variedade de utilizações que vai da pulverização foliar,
passando pelo tratamento de sementes e pela aplicação no solo.
Qualquer restrição ao tratamento de sementes nas lavouras dos produtores pode
inviabilizar esta prática, que é imprescindível para a obtenção de altos rendimentos em
culturas como o milho, a soja e o trigo, que são atacadas por um conjunto de pragas que
ocorrem logo após a germinação e o estabelecimento do stand inicial.
No caso da cultura da soja, nosso maior ativo agrícola, os inseticidas neonicotinóides,
quer de forma isolada ou em mistura com inseticidas piretróides ou carbamatos, são
indicados para as principais pragas e em muitos casos, como no controle da mosca
branca, existe somente um produto alternativo, ou inexistem como no caso do besouro
verde, do coró e do cupim de monte (fipronil). A exceção é a lagarta da soja, que tem
uma infinidade de produtos alternativos registrados. A situação se repete para as
culturas do arroz, sorgo, milho, feijão, fumo, cevada, trigo e aveia, com variações em
função do complexo de pragas de cada cultura.
Qualquer restrição ou proibição ao uso dos inseticidas neonicotinóides poderá trazer
sérios prejuízos econômicos e sociais, com aumento na ocorrência de pragas e redução
da produção. O argumento de que possam existir alternativas de inseticidas de outros
grupos químicos não é plausível, pois a grande maioria dos produtos são inseticidas dos
grupos dos fosforados, carbamatos e piretróides e que também não são menos tóxicos à
abelhas e insetos polinizadores
Portanto, a restrição ou proibição do uso dos neonicotinóides não é o caminho mais
adequado. Outro aspecto relevante a ser considerado, é que isto limitaria muito, as
possibilidades do manejo do desenvolvimento da resistência dos insetos aos inseticidas,

que é baseada principalmente em aspectos bioquímicos, mecanísticos e metabólicos. Os
neonicotinóides, pelo seu mecanismo de ação (mimetizadores da acetilcolina) são
importantes para a implantação de programas de manejo da resistência de insetos aos
inseticidas.
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*Professor Titular Aposentado de Toxicologia, Ecotoxicologia e Toxicologia de
Alimentos em cursos de Agronomia, Engenharia Ambiental, Farmácia, Engenharia de
Alimentos e Medicina Veterinária em várias Instituições de Ensino Superior no Rio
Grande do Sul. Atualmente consultor na área. Também foi professor Titular de
Entomologia, atuando na pesquisa e desenvolvimento de produtos e no
desenvolvimento de plantas resistentes a insetos.