16 de março de 2026
Boletim Econômico | INPC Avança enquanto Mercado Avalia Desaceleração do PIB dos EUA e Decisões de Juros na “Super Quarta”
Confira as Atuais Notícias dos Indicadores que Influenciam Direta e Indiretamente a Formação do IAVAG
Indicadores de Destaque:
Câmbio (USD/BRL): ↓R$ 5,40 | Estimativa/2026
Inflação EUA (CPI): ↑ 0,3% | fevereiro/2026
Juros EUA (Fed): = 3,50% – 3,75% | Estimativa/2026
PIB EUA: ↓0,7% | 4º trimestre/2025 – 2° Estimativa
Desemprego EUA: ↑4,4% | fevereiro/2026
SELIC (Brasil): = 15% | Estimativa/2026
PIB Brasil: ↑2,3% | 4º trimestre/2025
Petróleo WTI: ↓-1,76% – US$ 96,97| 16/03/2026
Petróleo Brent: ↓-0,12% – US$ 103,02| 16/03/2026
Heating Oil: ↓-0,26% – US$ 4,00/galão | 16/03/2026
Etanol anidro (SP): ↓-0,02%R$ 3,2731/litro | média semanal encerrada em 13/03/2026
INPC fevereiro/2026: ↑0,56%
INPC dos últimos 12 meses: ↓3,36%
IAVAG janeiro/2026: ↑0,15%
IAVAG dos últimos 12 meses: ↓-0,36%
Câmbio (Dólar/Real)
O dólar encerrou a última sexta-feira (13/03) acima de R$ 5,30, registrando alta de +1,34%, refletindo principalmente o fortalecimento da moeda norte-americana no mercado internacional em meio ao aumento da cautela dos investidores diante do cenário geopolítico e das expectativas em torno da política monetária global.
Já nesta segunda-feira (16/03), o câmbio passou a apresentar movimento de correção, sendo negociado próximo de R$ 5,27, o que representa uma queda em torno de −1,08% frente ao real nas primeiras horas do dia. O recuo reflete, em parte, um ajuste técnico após a valorização da sessão anterior, além de um ambiente momentaneamente mais favorável para moedas de países emergentes, impulsionado pela recuperação de preços de commodities e pela entrada pontual de fluxo externo em mercados de maior rendimento, como o brasileiro.
No campo das expectativas, as projeções seguem relativamente estáveis. Segundo o Boletim Focus do Banco Central do Brasil, a estimativa para o dólar em 2026 foi ligeiramente revisada de R$ 5,41 para R$ 5,40, indicando que, apesar das oscilações de curto prazo, o mercado continua projetando um patamar estruturalmente elevado da moeda norte-americana no horizonte relevante.
Para o setor da aviação agrícola, a trajetória do câmbio permanece um fator relevante na formação de custos, especialmente em itens dolarizados da estrutura operacional — como combustíveis, peças aeronáuticas e insumos importados — o que reforça a importância do monitoramento contínuo desse indicador na análise dos componentes que influenciam a dinâmica do IAVAG.
Inflação nos EUA (CPI)
A inflação ao consumidor nos Estados Unidos apresentou alta de 0,3% em fevereiro na comparação mensal, após avanço de 0,2% em janeiro. No acumulado de 12 meses, o índice registrou variação de 2,4%, mantendo-se relativamente estável e ainda levemente acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve.
O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento do custo de moradia (shelter), principal componente da cesta do CPI, além de elevações em energia e serviços médicos. Já o núcleo da inflação (core CPI), que exclui alimentos e energia e é amplamente acompanhado pelo mercado, subiu 0,2% no mês e 2,5% em termos anuais, indicando que as pressões inflacionárias seguem moderadas no curto prazo.
Para o IAVAG, o comportamento do CPI segue sendo um indicador importante, uma vez que compõe a metodologia de cálculo do índice, refletindo pressões inflacionárias no ambiente internacional. Movimentos de alta na inflação norte-americana tendem a sinalizar encarecimento de bens e serviços dolarizados, influenciando custos de equipamentos, peças aeronáuticas, insumos importados e componentes tecnológicos utilizados nas operações da aviação agrícola. Dessa forma, mesmo variações moderadas do CPI podem contribuir para pressões indiretas na estrutura de custos do setor, reforçando a necessidade de acompanhamento desse indicador no monitoramento do IAVAG.
Taxa de Juros – EUA
A taxa básica de juros dos Estados Unidos permanece no intervalo de 3,50% a 3,75%, definido pelo Federal Reserve após a última reunião de política monetária ocorrida em janeiro. Para o encontro desta semana (17–18 de março), a expectativa predominante do mercado é de manutenção da taxa no nível atual, enquanto a autoridade monetária avalia os dados recentes de inflação e atividade econômica.
Apesar da inflação ter mostrado sinais de moderação, as incertezas no cenário global, especialmente ligadas ao aumento dos preços de energia e às tensões geopolíticas reforçam uma postura mais cautelosa do Fed. Assim, o mercado espera que o banco central mantenha uma estratégia de “esperar para avaliar” os próximos indicadores, antes de sinalizar eventuais cortes de juros ao longo de 2026.
PIB – Estados Unidos
A economia dos Estados Unidos apresentou crescimento anualizado de 0,7% no quarto trimestre de 2025, segundo a segunda estimativa divulgada pelo Bureau of Economic Analysis (BEA). O resultado representa revisão para baixo em relação à estimativa inicial de 1,4%, indicando uma desaceleração mais intensa da atividade econômica no período.
A revisão refletiu principalmente ajustes negativos no consumo das famílias, nos investimentos e no setor externo, além da queda nos gastos do governo, fatores que reduziram o ritmo de expansão da economia norte-americana no final de 2025.
De modo geral, o resultado reforça um cenário de crescimento mais moderado da economia dos EUA, elemento relevante para o ambiente econômico global e para a dinâmica dos mercados internacionais de energia, câmbio e commodities — variáveis que também influenciam indiretamente os custos monitorados pelo IAVAG.
Desemprego – EUA
O mercado de trabalho dos Estados Unidos apresentou queda de cerca de 92 mil empregos em fevereiro, revertendo parcialmente o avanço observado em janeiro. A taxa de desemprego subiu levemente para 4,4%, mantendo-se, contudo, em nível historicamente baixo. O resultado foi influenciado por fatores pontuais, como greves no setor de saúde e condições climáticas adversas, que afetaram temporariamente algumas atividades econômicas. Ainda assim, o nível de desemprego segue relativamente estável, indicando um mercado de trabalho resiliente, embora com sinais de desaceleração no ritmo de geração de empregos.
Selic – Brasil
A taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) permanece em 15,00% ao ano, conforme decisão mais recente do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). O nível elevado reflete a estratégia da autoridade monetária de manter uma postura monetária restritiva, com o objetivo de assegurar a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante.
De acordo com o Boletim Focus, as projeções de mercado indicam que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,25%, sugerindo a expectativa de início gradual de um ciclo de redução dos juros ao longo do ano.
Para a próxima reunião do Copom, marcada para 17 e 18 de março ¨Super quarta¨, o mercado avalia a possibilidade de início cauteloso de cortes na taxa, caso os indicadores de inflação e atividade econômica continuem apontando moderação. Ainda assim, o Banco Central tende a conduzir esse processo de forma gradual, mantendo a política monetária em território restritivo por algum tempo para consolidar a desaceleração inflacionária.
PIB – Brasil (3º Trimestre de 2025)
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025, totalizando cerca de R$ 12,7 trilhões em valores correntes. O resultado foi impulsionado principalmente pela Agropecuária (+11,7%), enquanto Serviços (+1,8%) e Indústria (+1,4%) também registraram expansão. No entanto, no quarto trimestre de 2025, a atividade econômica mostrou sinais de desaceleração, com crescimento de 0,1% frente ao trimestre anterior, refletindo recuo da indústria (-0,7%). Para 2026, o mercado projeta crescimento mais moderado da economia, com expectativa de alta de 1,83%, segundo o Boletim Focus.
Desemprego – Brasil
O mercado de trabalho brasileiro encerrou 2025 com taxa de desemprego média de aproximadamente 5,1%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da PNAD Contínua. O resultado representa melhora em relação ao ano anterior, refletindo a continuidade da recuperação do emprego, especialmente nos setores de serviços e comércio. Apesar do avanço, o nível de ocupação ainda apresenta desafios estruturais, com parcela relevante dos trabalhadores inserida em ocupações informais, o que indica que, embora o mercado de trabalho tenha mostrado resiliência, a qualidade das vagas segue como ponto de atenção no cenário econômico.
Etanol Anidro
O etanol anidro registrou queda moderada, segundo o Indicador Semanal do CEPEA / ESALQ (SP). Na semana de 09 a 13 de março de 2026, o preço médio passou de R$ 3,2737/litro para R$ 3,2731/litro, apresentando uma variação negativa de -0,02% em relação à semana anterior.
Heating Oil
Os contratos futuros de heating oil ultrapassaram US$ 4,00 por galão, atingindo o maior nível desde junho de 2022, impulsionados principalmente pelo aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelas preocupações do mercado com possíveis interrupções no fornecimento global de derivados de petróleo, segundo análises de veículos como Reuters e Bloomberg. No entanto, nesta segunda-feira o mercado passou por movimento de correção, com os preços voltando a recuar e sendo negociados novamente abaixo de US$ 4,00 por galão. A oscilação reflete a elevada sensibilidade do mercado de energia a fatores geopolíticos e às expectativas de oferta no curto prazo.
INPC – fevereiro/2026
O INPC registrou alta de +0,56% em fevereiro, acima dos +0,39% de janeiro, segundo o IBGE. Com isso, o índice acumulou +0,95% no ano e +3,36% nos últimos 12 meses, abaixo dos +4,30% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Na composição do resultado, o IBGE destacou aceleração dos produtos alimentícios, que passaram de +0,14% em janeiro para +0,26% em fevereiro, e principalmente dos itens não alimentícios, que avançaram de +0,47% para +0,66%, exercendo maior pressão no mês.
Para o IAVAG, esse movimento é relevante porque o INPC integra a metodologia do índice e ajuda a captar a recomposição de custos domésticos, como serviços, mão de obra, manutenção e despesas operacionais, sinalizando pressão interna sobre a estrutura de custos da aviação agrícola.
IAVAG nos últimos 12 meses
| fev/25 | ↑ 0,43% |
| mar/25 | ↓-0,70% |
| abr/25 | ↓-0,86% |
| mai/25 | ↓-0,35% |
| jun/25 | ↓-0,81% |
| jul/25 | ↑1,48% |
| ago/25 | ↓-1,29% |
| set/25 | ↓-0,68% |
| out/25 | ↑1,29% |
| nov/25 | ↓-0,60% |
| dez/25 | ↑1,58% |
| jan/26 | ↑0,15% |
| Total: | -0,36% |
IAVAG – janeiro/2026
O IAVAG registrou alta de +0,15% em janeiro de 2026, mantendo a trajetória de avanço iniciada em dezembro (+1,58%), ainda que em ritmo mais moderado. O resultado foi influenciado principalmente pelo forte aumento do heating oil (+19,39%) e pela alta do etanol (+3,43%), além das variações do INPC (+0,39%) e do CPI dos EUA (+0,2%). No acumulado em 12 meses, o índice passou de -2,71% para -0,36%, indicando redução do alívio observado anteriormente. O movimento sugere que o ciclo de queda de custos pode estar próximo do fim, mantendo o índice sensível principalmente aos preços de energia e ao câmbio no curto prazo.
A seguir, os gráficos consolidam os principais movimentos do índice IAVAG e dos indicadores que o compõem, acompanhados ao longo do boletim. A leitura visual facilita a identificação de tendências, pontos de inflexão e períodos de maior volatilidade, complementando as análises apresentadas ao longo do texto.
Fonte da imagem da imagem destacada: Vecteezy
Fontes: BCB, IPEA, BLS, VEJA, BEA, FED, IBGE, CEPEA, GOV, TRADINGECONOMICS, YAHII, CNN, G1, REUTERS.



