2 de março de 2026
EUA: Kansas vira laboratório de drones agrícolas
Com financiamento de US$ 3 milhões e área de testes aprovada pela FAA, Estado quer tornar operações além da visão rotina no campo americano
O Estado do Kansas, no centro dos Estados Unidos e um dos principais polos agrícolas do país, anunciou um investimento de US$ 3 milhões (cerca de R$ 15,8 milhões) para impulsionar o uso de drones de agricultura de precisão nas lavouras e na pecuária locais. O foco é desenvolver tecnologia e protocolos que permitam operar equipamentos além da linha de visão do operador (BVLOS, na sigla em inglês). A meta é acelerar a implantação de sistemas aéreos não tripulados capazes de cobrir as grandes áreas rurais típicas da região. A iniciativa, naturalmente, inclui drones de pulverização.
O aporte foi anunciado em fevereiro pela governadora Laura Kelly e havia sido aprovado no ano passado pelo Legislativo estadual. O recurso será destinado à Kelly Hills Unmanned Systems, empresa que atua na integração e fornecimento de tecnologias para elevar a produtividade agrícola, reduzir custos com insumos e otimizar o manejo de rebanhos. A Kelly Hills é o braço tecnológico da Heinen Brothers Agra Services, tradicional companhia de aviação agrícola e varejo de insumos no Estado. Detalhe: apesar da coincidência no sobrenome, a governadora não tem qualquer vínculo com a empresa beneficiada. O financiamento não prevê compra direta de drones para produtores, mas sim o desenvolvimento de infraestrutura tecnológica e protocolos operacionais.
“No Kansas, a agricultura está no coração da nossa economia. Investir em tecnologia de ponta dá aos produtores uma vantagem competitiva no mercado global”, afirmou Kelly em comunicado oficial. O secretário estadual de Agricultura, Mike Beam, destacou que a iniciativa ajudará os agricultores a se manterem na vanguarda da modernização do setor. A medida foi repercutida por portais especializados como DroneXL, Unmanned AirSpace e Kansas AgConection.
Importância dos BVLOS
Atualmente, a Federal Aviation Administration (FAA, equivalente à Anac no Brasil) concede autorizações para voos além da linha de visão caso a caso, por meio de waivers (dispensas). A intenção agora é estruturar protocolos mais amplos que permitam operações BVLOS rotineiras — desde que abaixo de 400 pés, partindo de locais autorizados e com sistemas embarcados de detecção e desvio de obstáculos. O que, na prática, facilitaria operações em lavouras com centenas ou milhares de hectares, sem que o operador precise acompanhar visualmente cada etapa do voo.
A aposta é que a tecnologia BVLOS transforme a gestão de grandes propriedades, tornando os drones ferramentas mais eficientes no monitoramento de culturas, pulverização, detecção de pragas e acompanhamento de rebanhos. Com potencial de reduzir custos operacionais e melhorar resultados agronômicos.
Em 2024, a Kelly Hills recebeu aprovação da FAA para uma área de testes de drones abrangendo aproximadamente 127 mil quilômetros quadrados (49 mil milhas quadradas). Cobrindo partes dos Estados do Kansas, Missouri, Nebraska e Iowa.
Essa área funciona em Class G airspace, que é espaço aéreo não controlado, com menos restrições que outras classes, facilitando testes avançados com auditoria e supervisão da FAA. O campo de testes está associado à sede da Kelly Hills perto de Seneca, Kansas, onde a empresa também realiza eventos e demonstrações.
O foco ali tem sido parcerias com empresas de sensores, fabricantes de drones e desenvolvedores de software para validar tecnologias que ampliem comunicação e controle de longo alcance, além de sistemas de detecção e identificação de obstáculos. Combinando radar, câmeras inteligentes, GPS avançado e navegação autônoma.
Em outras palavras: além de manter comunicação eficiente com o operador, o objetivo é tornar o drone cada vez mais capaz de “enxergar” o ambiente ao redor e tomar decisões automatizadas de segurança.

PYKA: entre os equipamentos testados na área de drones, a Kelly Hills utiliza o avião autônomo Pelican 2, que também já voa no Brasil – foto: Kansas State University/divulgação

